• Apostolado FERR

A entrada triunfante de Jesus em Jerusalém (Homilia)




HOMILIA PARA O DOMINGO DE RAMOS

A ENTRADA TRIUNFANTE DE JESUS EM JERUSALÉM

Dicite filiæ Sion: ecce Rex tuus venit tibi mansuetus.


Tudo são mistérios na vida inefável do Salvador; mas nada aconteceu que não estivesse decretado pela eterna sabedoria, e em todos estes acontecimentos encontramos um grande e fecundo as-sunto de reflexão.


A entrada triunfante de Jesus em Jerusalém mostra-nos, dum lado, a majestade e bondade do Salvador e, de outro, os sentimentos dos Judeus... Aprendamos daqui a maneira de receber Jesus, porque ele também deseja entrar em nossas almas.

Consideremos, pois:


I. - A pessoa de Jesus.

Está no seu termo a missão de Jesus sobre a terra. Há três anos que ele percorre a Palestina, fazendo milagres de toda a espécie, multiplicando os seus benefícios que são tantos como as passadas que dá: pertransiit benefaciendo (Act. X, 38)... A sua vida foi um ato contínuo de caridade e de humildade...


A que propósito vem, pois, este desígnio de entrar hoje triunfalmente na Cidade santa, na Cidade de Davi?


1. - É para afirmar categoricamente e fazer reconhecer a sua realeza e a sua missão divinas, mostrar que é o verdadeiro filho de Davi, o Messias prometido, anunciado pelos Profetas e esperado no decorrer dos séculos... As circunstâncias que precedem e acompanham o seu triunfo provam a sua divindade e a realização da profecia de Zacarias.


Quanto à realeza que ele vem estabelecer é diferente da realeza do mundo, onde Deus reina tão pouco, onde há tantos vícios, onde a verdadeira paz é afastada por tantas desordens e discórdias interiores e exteriores: será toda espiritual e celeste - regnum meum non est de hoc mundo, dirá ele dentro em pouco ao seu juiz e aos seus algozes... À sua imagem, este reino será composto de súditos fiéis e submissos a Deus, humildes, amigos da verdadeira paz quæ exsuperat omnem sensum.


2. - Para dar a Jerusalém e a todo o povo judaico um supremo testemunho da sua misericórdia e do seu amor, vindo ao seu encontro como rei pacífico, doce e humilde, oferecendo-lhe pela última vez, a paz, a felicidade, e não querendo empregar até ao fim outras armas senão o amor imenso e a profusão dos benefícios para conquistar os corações: in finem dilexit eos...


3. - Para mostrar a alegria e o amor com que se oferecia à morte para remir os homens... baptismo habeo baptizari, et quomodo coarctor, usquedum perficiatur! Veio à terra para ser a vítima de seu Pai, a vítima santa por excelência, o verdadeiro Cordeiro Pascal, cujo sangue deve ser o alimento do seu povo... Desejava imenso a chegada desse dia do seu sacrifício e da nossa libertação... Aproxima-se a Páscoa e é necessário que a vítima seja conduzida solenemente ao Templo antes de ser imolada.


4. - Para provar que não será posto à morte, senão quando vier a sua hora, segundo os decretos divinos e a sua vontade; para afirmar desta maneira a sua soberana independência que de tudo triunfa, que reduz ao silêncio a malícia dos seus inimigos, e que não receia nem Herodes, nem Pilatos, nem Caifás... Dentro de poucos dias far-lhes-á saber: cum quotidie vobiscum fuerim in templo, non extendistis manum in me; sed hæc est hora vestra...


5. - Para preparar os seus discípulos e a multidão do povo para a sua Paixão,... para os predispor e animar contra o escândalo de seus sofrimentos e da sua morte.


6. - É, pois, admirável e digno da nossa adoração o divino Salvador na sua entrada triunfal...

É o Deus todo poderoso, o Rei do Céu e da terra, a suprema Majestade, Aquele que os Anjos adoram tremendo... e contudo caminha hoje cheio de humildade, bondade e mansidão: ecce rex tuus venit mansuetus, abençoando, orando e derramando lágrimas sobre esta cidade ingrata, sobre Jerusalém...


II. - As disposições dos Judeus.

Jerusalém, por ocasião das festa da Páscoa, estava repleta de povo... Que pensava essa multidão acerca de Jesus, a quem tinha visto operar muitos prodígios?


1. - Havia ali a multidão de gente simples e pobre, não só da cidade como de toda a Palestina. Quando souberam que tinha chegado Jesus, o grande Profeta, o Taumaturgo, aproximaram-se e caminhavam à sua frente estendendo no caminho ramos de árvores e as próprias capas para que Jesus as calcasse, e em sinal de regozijo e de gratidão vão cantando: Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!


Era este um grito de fé, de reconhecimento de amor. Mas, passados cinco dias, tudo mudou e quantos destes permaneceriam ainda em volta de Jesus, mas desta vez gritando: Crucifigatur! Ou, pelo menos, quantos nem ousariam levantar-se em seu favor, ou se esconderiam covardemente, a começar pelos próprios discípulos?! Mistério da inconstância e da fraqueza humanas!...


2. - Havia ainda um grande número de indiferentes e de curiosos, que perguntavam: quem é este novo rei? para que é este triunfo?


E contudo eles deviam conhecer bem a Jesus, depois de tantos e tão estrondosos milagres!... Sem dúvida, havia ainda os que se seguiam pelas máximas do mundo, unicamente preocupados com os seus negócios e com as coisas do século;... havia os prudentes, políticos hábeis, que receavam comprometer-se diante dos grandes da nação.

Mistério de ingratidão, egoísmo, negligência e covardia?...


3. - Finalmente, havia os Príncipes dos Sacerdotes, Anciãos, Fariseus, orgulhosos, cheios de inveja e de ódio contra o Salvador, que tinham jurado a sua morte...


Este triunfo de Jesus completava o seu desespero, e diziam: vede, nada ganhamos, toda a gente corre após ele... Caifás tem razão; é necessário que este perturbador da nação desapareça, custe o que custar: morte turpissima conndemnemus eum... Mistérios de malícia, de injustiça, de endurecimento, que fazia derramar lágrimas ao coração misericordioso do Salvador!...


Vamos ver que os homens são em todos os tempos sempre os mesmos: maus, ingratos, fracos, insensatos...


III. - Os cristãos de hoje.

Dicite filiæ Sion: ecce Rex tuus venit tibi mansuetus... Jesus infinitamente sábio, poderoso e bom, encontrou um meio de ficar entre nós para nos consolar, nos fortificar, nos cumular de graças e reinar sobre nós... Hoje mesmo, por ocasião da Páscoa, os seus ministros nos recordam a sua entrada triunfal e dizem a cada um de nós: eis o vosso Rei, que vem a vós cheio de doçura...


Preparai-vos, pois, para bem o receberdes, porque é o vosso Deus, vosso Soberano, vosso Pai cheio de ternura e de amor; ele vos convida. Não o desprezeis, não lhe digais que não!...

Ah! dá-se hoje o mesmo, que outrora em Jerusalém: entre os cristãos, filhos de Deus, cumulados de benefícios do Salvador:


1. - Há inimigos figadais que renegaram a Jesus e fazem, tanto a ele como à sua Igreja, uma guerra contínua, ao mesmo tempo declarada e secreta: Façamos cair o justo nos nossos laços, porque nos incomoda e é contrário ao nosso modo de vida, porque nos censura as transgressões da sua lei e nos desonra apontando os excessos do nosso procedimento... Só a sua vida nos perturba,... abstém-se ao nosso modo de proceder como duma coisa impura... Respondamos-lhe com ultrajes e com tormentos,... condenemo-lo à mais infame das mortes (Sap., II, 12-20).


Há perseguidores, blasfemos, sacrílegos,... homens como Caifás e como Judas! e se há coisas que lhes pese é que não tenham desaparecido já, Jesus Cristo e a sua Igreja, para erguerem, em seu lugar, os ídolos de suas paixões, quaisquer que elas sejam, Satanás ou outro vício... tota die expandi manus meas ad populum non credentem et contradicentem!...


Ó meu Jesus, vós sois, por excelência, justo e poderoso, mas recordai-vos de que também sois paciente: suspendei, nós vo-lo pedimos, o braço com que esmagaríeis facilmente, tanquam vas figuli, todos estes desgraçados!... Ut magis convertantur et vivant...


2. - Há também, e em maior quantidade, pessoas covardes e indiferentes, que conhecem a Jesus, mas procedem como se o não conhecessem,... desprezam ou têm em pouco os seus preceitos e os seus sacramentos, não querem desligar-se dos seus prazeres, ou comprometer-se diante de Caifás ou de Herodes, para se declararem seus discípulos, irem diante dele, saudarem-no e receberem-no!... Serão fervorosos se nada tiverem de sacrificar, e se isso não lhes custar muito... Egoístas e mudos, como estão longe da generosidade de Zaqueu da Verônica! Esta ingratidão, esta negligência culpável, esta covardia amarguram profundamente o Coração de Jesus!...


3. - É verdade que um grande número de cristãos ouvem o apelo do divino Mestre e da sua Igreja, vêm confessar-se e comungar pela Páscoa... Mas terão eles todos as disposições que se requerem e estão verdadeiramente resolvidos a converter-se à saída do santo Tribunal ou da Santa Mesa?... Não podemos nós duvidar com fundamento, quando os vemos cantar hoje o Hosana! e amanhã Crucifigatur?! quantos vão comungar esta semana e passados dias caem nas mesmas faltas e portanto crucificam de novo o Senhor...

Oh! como a sua inconstância e fraqueza fazem gemer Jesus!...


Conclusão. - Pois bem, meus irmãos, em que disposições estais? Quereis receber Jesus? E como?

Excitai em vós verdadeiros sentimentos de fé, reconhecimento e amor.


Para bem o acolherdes, despojai-vos do velho homem, destruí vossas paixões, oferecei-lhe as palmas das boas obras. Depois tende todo o cuidado de lhe ficardes fiéis, para que ele reine em vós neste mundo e vós com ele reineis no outro. Amém.



Por Padre Thiriet, PLANOS DE HOMILIAS.




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