• Apostolado FERR

A festa do Santíssimo Nome de Jesus



O SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

Por Dom Guéranger*


Para a celebração desta festa foi escolhido primeiramente o segundo domingo depois da Epifania, que lembra a festa das bodas em Caná. É precisamente no dia do casamento, quando o nome do Noivo se torna propriedade da Noiva; esse nome significa que daqui em diante é sua. Querendo honrar a Igreja com um culto especial um nome tão precioso, juntou-se à sua memória a das bodas divinas. Hoje, une à celebração deste augusto Nome, o aniversário do dia em que foi imposto, oito dias depois do Nascimento.


O Antigo Testamento cercou o Nome de Deus com um profundo terror; esse nome era então tão temível quanto sagrado, e nem todos os filhos de Israel tinham a honra de pronunciá-lo. Deus ainda não havia aparecido na terra conversando com homens; Ele ainda não havia se tornado homem se juntando à nossa débil natureza; não poderíamos, então, dar-lhe esse nome amoroso e terno que a Noiva dá ao Esposo. Mas quando a chega a plenitude dos tempos, quando o mistério do amor está prestes a aparecer, o nome de Jesus desce em primeiro lugar do Céu, como uma antecipação da presença do Senhor que o carregará. O Arcanjo diz a Maria: “Ele se chamará Jesus”, pois saiba que Jesus significa Salvador. Quão doce este nome será para o mortal perdido, e, como só esse Nome traz o Céu para a terra, existe algo mais amável e mais poderoso? Se, ao soar daquele Nome divino todo joelho deve se dobrar no Céu, na terra e nos infernos, haverá um coração que não se comova de amor ao ouvi-lo? Mas deixemos que São Bernardo nos descreva o poder e a doçura desse bendito Nome. Eis aqui como se expressa a este propósito em seu Décimo Quinto Sermão sobre o Cântico dos Cânticos: “O Nome do Esposo é luz, alimento, remédio. Ilumina, quando é publicado; alimenta, quando nele se pensa, e quando na tribulação é invocado, fornece alívio e unção.”


Paremos, por favor, em cada uma dessas qualidades. Como achas que essa grande e súbita luz da fé poderia ser derramada por todo o mundo, senão pela pregação do Nome de Jesus? Deus não nos chamou para sua luz admirável, por meio da tocha de Seu bem-aventurado Nome? À medida que somos iluminados por ela, e vendo nesta luz outra luz, ouvimos São Paulo que acertadamente nos diz: Antes éreis trevas, mas agora luz no Senhor.


Mas o Nome de Jesus não é apenas luz; também é alimento. Não vos sentis reconfortados ao recordar esse doce Nome? Existe alguma coisa no mundo que nutra tanto o espírito de quem O medita? O que há nele para restaurar a debilidade dos sentidos, para dar força às virtudes, para florescer os bons hábitos e manter as afeições puras e castos afetos? Todo o alimento da alma é árido, se não for embebido neste óleo, insípido se não for temperado com este sal.


Quando me escreves, sua história não tem sabor para mim se eu não ler o Nome de Jesus lá. Quando estavas comigo ou comigo disputavas, a conversa não tem interesse para mim se eu não ouvir o Nome de Jesus ressoando nela. Jesus é mel para minha boca, melodia para meu ouvido, alegria para meu coração; e além de tudo isso, um remédio benéfico. Alguém está triste? Jesus vem ao seu coração, sai de lá para a sua boca, e então qualquer nuvem se dissipará, e a serenidade retornará, na presença daquele Nome divino que é uma luz verdadeira. Alguém cai no crime, ou corre desesperado para o abismo da morte? Que ele invoque o Nome de Jesus e comece novamente a respirar e a viver. Quem, na presença desse Nome, permaneceu alguma vez com o coração endurecido, com o descuido da preguiça, ressentimento ou prostrado na moleza? Quem, por acaso, tendo a fonte das lágrimas seca, não sentiu de repente tornar-se mais abundante e suave, tão logo invocou o nome de Jesus? Que homem que temendo e tremendo no auge do perigo, invocando esse Nome não sentiu imediatamente que a confiança nasceu nele e o medo fugiu? Quem é, pergunto-lhe, aquele que, abalado e agitado pelas dúvidas, não viu a certeza brilhar, tão logo invocou aquele Nome luminoso? Quem é que, tendo escutado a desconfiança no tempo da adversidade, não recuperou a coragem quando chamou em seu auxílio aquele poderoso nome? De fato, todas estas são doenças da alma, e ele é o seu remédio.


Assim é, e posso provar com estas palavras: Invoca-me, diz o Senhor, no dia da tribulação, e eu te livrarei dela, e tu me honrarás. Nada detém tanto o ímpeto da ira, nem acalma tanto o inchaço do orgulho. Nada cura tão radicalmente as feridas da tristeza, reprime os excessos sensuais, extingue as chamas da paixão, sacia a sede da avareza, e afasta o plurido dos apetites desonestos. Na verdade, quando se pronuncia o Nome de Jesus, torna-se alguém com um manso e humilde, casto, sóbrio, benigno, misericordioso, em uma palavra, radiante de uma pureza e santidade, alcançada pelos exemplos de Deus onipotente que nos fortalece com sua ajuda. Tudo isso soa no meu coração quando ouço o Nome de Jesus. Assim, se o considero como homem, tomo dele exemplos para imitá-los; se O considero como Deus todo-poderoso, encontro nele uma ajuda segura. Sirvo-me desses exemplos mencionados como ervas medicinais, e sua ajuda como um instrumento para esmagá-los, fazendo com eles uma mistura que nenhum médico saberia como confeccionar.


Oh, minha alma, tens um maravilhoso antídoto encerrado neste Nome de Jesus como num copo! Jesus, é certamente um Nome salutar e um remédio que nunca será ineficaz para qualquer doença. Mantenha-o sempre em seu peito, sempre à mão, para que todos os seus atos sejam sempre dirigidos para Jesus”.


Tal é a virtude e a doçura do Santíssimo Nome de Jesus, o nome que foi imposto ao Emanuel no dia de sua circuncisão; mas como o dia da Oitava do Natal é dedicado a celebrar a maternidade divina, e o mistério do Nome do Cordeiro exigiu de si uma festividade própria, a Igreja instituiu a festa de hoje. Seu primeiro propulsor foi São Bernardino de Sena, no século XV, que estabeleceu e propagou o costume de representar, rodeado de raios, o Santo Nome de Jesus, reduzido a suas primeiras três letras IHS, reunidas em monograma. Esta devoção espalhou-se rapidamente pela Itália, favorecida pelo ilustre São João de Capistrano, da Ordem Franciscana, assim como São Bernardino de Sena. A Santa Sé aprovou solenemente essa devoção ao Nome do Salvador; e nos primeiros anos do século XVI, Clemente VII, a pedido de muitos, concedeu a toda a Ordem de São Francisco o privilégio de celebrar uma festa especial em honra do Santíssimo Nome de Jesus. Sucessivamente, Roma estendeu esse privilégio às diferentes Igrejas, e chegou o momento em que foi incluído no Calendário Universal. Isso aconteceu em 1721 a pedido do imperador Carlos VI da Alemanha; o Papa Inocêncio XIII determinou que a festa do Santíssimo Nome de Jesus fosse celebrada em toda a Igreja, fixando-a primitivamente no segundo domingo depois da Epifania (ou no dia 2 de janeiro).



MISSA DO SANTÍSSIMO NOME DE JESUS


* de O Ano Litúrgico, traduzido da versão espanhola.


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