• Apostolado FERR

A Segunda-feira da II semana da Quaresma




COMENTÁRIOS LITÚRGICOS SOBRE A

SEGUNDA-FEIRA DA II SEMANA DA QUARESMA

O Ano Litúrgico

Dom Próspero Gueranger


A estação é comemorada na Igreja do Papa São Clemente. É o templo que dentre todas as Igrejas de Roma preservou melhor a antiga disposição das primeiras basílicas cristãs. Sob o altar, repousa o corpo do santo padroeiro, com os restos de Santo Inácio de Antioquia e o cônsul São Flávio Clemente.


COLETA

CONCEDEI, Vos pedimos, ó Deus onipotente, que a vossa família que para mortificação da carne se priva dos alimentos, se abstenha também do pecado, para continuar na justiça. Por Nosso Senhor.


EPÍSTOLA

Leitura do Profeta Daniel

NAQUELES dias, orou Daniel ao Senhor, dizendo: Senhor, Deus nosso, Vós tirastes vosso povo da terra do Egito com mão poderosíssima e Vos fizestes um Nome que permanece até hoje: pecamos, fizemos iniquidades, Senhor, contra a vossa lei. Eu Vos imploro, desviai a vossa ira e a vossa indignação, de Jerusalém, vossa cidade, e de vossa montanha santa, pois por causa de nossos pecados e das iniquidades de nossos pais, Jerusalém e vosso povo estão hoje no desprezo de todos os que nos cercam. Agora, Deus nosso, ouvi as orações de vosso servo e suas súplicas, e mostrai vossa face sobre vosso santuário que está deserto, fazendo-o por amor de Vós mesmo. Inclinai, Deus meu, vossos ouvidos e ouvi; abri vossos olhos e vede nossa desolação e a da cidade sobre a qual foi invocado vosso Nome. Não é confiando em nossa justiça que Vos apresentamos humildemente nossas orações ante vossa face, e sim confiando na multidão de vossas misericórdias. Ouvi-nos, Senhor, e aplacai-Vos. Senhor, atendei-nos e começai a vossa obra. Não tardeis mais, por Vós mesmo, meu Deus, porque vosso Nome foi invocado sobre esta cidade e sobre vosso povo, ó Senhor, Deus nosso.


Castigo do povo judeu – Escutamos hoje a oração e lamentação de Daniel durante o cativeiro na Babilônia. Sua oração foi ouvida e, depois de setenta anos de exílio, os judeus retornaram ao seu país, reconstruíram o Templo e foram mais uma vez recebidos pelo Senhor como seu povo escolhido. Mas o que são os israelitas agora? Qual tem sido sua história nos últimos mil e oitocentos anos? Se aplicarmos a eles as palavras da lamentação de Daniel, representam fracamente a triste realidade de seu longo castigo presente. A ira de Deus repousa fortemente em Jerusalém, as mesmas ruínas do templo desapareceram, os filhos de Israel estão dispersos por toda a terra, são o opróbrio de todas as nações. Uma maldição paira sobre esse povo, como Caim, é um andarilho e fugitivo, e Deus cuida disso para que não seja extinto. O racionalista não sabe como explicar esse problema, enquanto o cristão vê nele a punição do maior dos crimes. Mas qual é a explicação desse fenômeno? A luz brilhou na escuridão e as trevas não a compreenderam (Jo 1,5). Se as trevas tivessem recebido a Luz, não seria agora escuridão, mas não foi assim: Israel, portanto, merecia ser abandonado. Vários de seus filhos, de fato, reconheceram o Messias, e eles se tornaram filhos da Luz, e justamente foi através deles que a Luz foi dada a conhecer ao mundo inteiro. Quando o resto de Israel abrirá os olhos? Quando esse povo dirigirá a Deus a oração de Daniel? Eles a têm por escrito, frequentemente a leem e, no entanto, não encontra resposta em seus corações orgulhosos. Vamos nós, os gentios, rezar pelos judeus, os mais jovens pelos mais velhos. Todos os anos há alguns que são convertidos e buscam admissão no novo Israel da Igreja de Cristo. São todos bem-vindos! Que Deus, em sua misericórdia, aumente seu número mais e mais para que todos os homens possam adorar o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, com Jesus Cristo, Seu Filho, que nos foi enviado.


EVANGELHO

Continuação do santo Evangelho segundo São João.

NAQUELE tempo, disse Jesus às turbas dos judeus. Eu me afasto, e vós me procurais e em vosso pecado [da incredulidade], morrereis. Onde vou, vós não podeis vir. Diziam, pois, os judeus: porventura vai suicidar-se, desde que diz: Onde vou, vós não podeis vir? E Ele lhes disse: Vós sois daqui de baixo, e eu do alto sou. Vós sois deste mundo, e eu deste mundo não sou. Eu vos disse, pois, que morreríeis em vossos pecados; porque se não acreditais no que eu sou, morrereis em vosso pecado. Diziam-lhe eles: Quem és Tu? Respondeu-lhes Jesus: Sou o Princípio, eu que vos falo. Muitas coisas tenho a dizer de vós e a julgar. Quem me enviou, no entanto, é verdadeiro, e o que d’Ele aprendi, eu o digo no mundo. Eles não compreenderam que Ele dizia que Deus era seu pai. Jesus lhes disse, pois: Quando tiverdes elevado o Filho do homem [na Cruz], então conhecereis que sou Eu e que por mim mesmo nada faço, mas falo como o Pai me ensinou. Aquele que me enviou, comigo está e não me deixou só, porque eu faço sempre o que Lhe é agradável.


Jesus se afasta dos judeus – “Eu vou [embora]”: Jesus poderia dizer algo mais terrível? Ele veio para salvar este povo, lhes deu todas as provas possíveis de seu amor. Há poucos dias, ouvimos Ele dizer à mulher cananeia que não foi enviado senão para as ovelhas perdidas da casa de Israel. Ai! estas ovelhas perdidas renegam seu Pastor. Ele diz aos judeus que logo os deixará e que eles não poderão segui-lO, mas isso não os impressiona. Suas obras testemunham que Ele é do alto, eles, os judeus, são deste mundo e não conseguem sonhar com a terra. O Messias que eles esperam é um senhor de grande poder terreno, um grande conquistador. Em vão, então, Jesus passa por entre eles fazendo o bem? (At 10,38); em vão se submete à natureza e suas leis, em vão sua sabedoria e doutrina sobrepujam a quanto os homens já ouviram de sublime e belo: Israel está surdo e cego. As paixões mais ferozes estão furiosas em seu coração, nem descansará até que a sinagoga tenha lavado suas mãos no sangue de Jesus. Mas então, a medida da iniquidade será preenchida e a ira de Deus irromperá sobre Israel em um dos mais terríveis castigos que o mundo já testemunhou. Faz tremer ler os horrores do cerco de Jerusalém e o massacre daquele povo que clamava pela morte de Jesus. Nosso Senhor nos assegura que nada mais terrível tribulação nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais terá outra igual (Mt 24,21). Deus é paciente, espera muito tempo: mas quando sua ira explode em um povo culpado como os judeus, o castigo é sem misericórdia para servir como um exemplo para as futuras gerações.


E se afasta dos pecadores – Ai de ti, pecador! Ai de todos os que até agora fizeram ouvidos moucos às admoestações da Igreja e se recusaram a converter-se ao Senhor seu Deus, tremem com estas palavras de Jesus: Eu vou. Se esta Quaresma é for para ti como a tantos outros, e te deixar em seu estado atual, isso não te dá medo dessa terrível ameaça: morrerá em seu pecado? Permanecendo em seus pecados, o pecador é contado entre aqueles que clamaram contra Jesus: Crucifica-o, Crucifica-o! Ó se ele foi capaz de castigar um povo inteiro, um povo que Ele cumulou de favores e protegeu inumeráveis ​​vezes, pense consigo: Ele te poupará? É necessário que Cristo triunfe, se não for por misericórdia será por justiça.


ORAÇÃO SOBRE O POVO

Oremos. Humilhai as vossas cabeças diante de Deus.

ATENDEI, ó Deus onipotente, às nossas súplicas e em vossa bondade, concedei o efeito de vossa misericórdia àqueles a quem destes a confiança de esperar em vossa benignidade. Por Nosso Senhor.




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