• Apostolado FERR

Explicação do Evangelho do I Domingo do Advento


I

EVANGELHO

(Lc 21,25-33)


Sequéntia sancti Evangélii secundum Lucam

IN illo témpore: Dixit Iesus discípulis suis: Erunt signa in sole et luna et stellis, et in terris pressúra géntium præ confusióne sónitus maris et flúctuum: arescéntibus homínibus præ timóre et exspectatióne, quæ supervénient univérso orbi: nam virtútes cælórum movebúntur. Et tunc vidébunt Fílium hóminis veniéntem in nube cum potestáte magna et maiestáte. His autem fíeri incipiéntibus, respícite et leváte cápita vestra: quóniam appropínquat redémptio vestra. Et dixit illis similitúdinem: Vidéte ficúlneam et omnes árbores: cum prodúcunt iam ex se fructum, scitis, quóniam prope est æstas. Ita et vos, cum vidéritis hæc fíeri, scitóte, quóniam prope est regnum Dei. Amen, dico vobis, quia non præteríbit generátio hæc, donec ómnia fiant. Cælum et terra transíbunt: verba autem mea non transíbunt.


Continuação do santo Evangelho segundo São Lucas

NAQUELE tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de susto, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque os poderes dos céus se abalarão. Então ver-se-á o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e Majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E contou-lhes depois uma parábola: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar fruto sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que perto está o Reino de Deus. Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.


II

EXPLICAÇÃO

I - Que diferença há entre o Evangelho de hoje e o do 24º domingo depois de Pentecostes?

O Evangelho do 24º domingo depois de Pentecostes é extraído de S. Mateus, Capítulo 24, e o de hoje é de S. Lucas, cap. 21. Os dois Evangelistas, nestes capítulos, referem, com algumas particularidades diferentes, o grande discurso de Nosso Senhor sobre a ruína de Jerusalém e sobre o fim do mundo. Hoje, a Igreja toma de S. Lucas somente o que diz respeito à última vinda de N. Senhor; ao passo que no 24º domingo depois de Pentecostes, termo do ano eclesiástico, ela tira de S. Mateus o que diz respeito à ruína de Jerusalém e ao fim do mundo, não só para mover-nos a uma séria reflexão sobre nós mesmos e a um exame rigoroso sobre o modo como passamos o ano findo, mas também para que nos convertamos e choremos as nossas faltas, sob pena de sermos surpreendidos pelo dia terrível do advento do soberano juiz.


II - Porque é que a Igreja nos faz ler hoje o Evangelho do último advento do salvador?

Em primeiro lugar, notemos, com S. Bernardo, que há três adventos de N. Senhor: o primeiro quando veio pela sua Encarnação; o segundo, quando vem a cada um de nós pela sua graça, e este é o quotidiano; o terceiro, quando vier a julgar o mundo. - Os dois primeiros devem despertar o nosso conhecimento e a nossa confiança; mas o terceiro deve encher os pecadores de receio e de terror.


Ora, a lembrança do último advento de N. S., ao mesmo tempo que nos inspira um temor salutar, desvia-nos do pecado e inclina-nos ao bem, prepara-nos também para celebrar santamente o primeiro advento: Initium sapientiae timor Domini. E a celebração piedosa deste dispõe-nos para o segundo, isto é, atrai a nós o Salvador, segundo a sua promessa dos Apóstolos: Si quis diligit me, sermonem meum servabit, et ad eum veniemus, et mansionem apud eum faciemus.


Portanto, a Igreja, como boa mãe, recorda-nos hoje este último advento do Salvador, que será certamente terrível para os pecadores, mas muito consolador para os justos, a fim de que:

1º nos afervoremos na vigilância sobre nós mesmo;

2º purifiquemos nossos corações para a festa de Natal e para receber santamente N. Senhor.


III - Em quantas partes pode dividir-se este Evangelho, ou quais são as suas ideias principais?

Em três: a primeira enumera em poucas palavras os sinais precursores do último advento; a segunda, descreve-o; finalmente a terceira, que é a conclusão do discurso de N. S., contém algumas palavras de consolação e de estímulos aos discípulos, e a todos os justos em geral.

Em S. Lucas, N. S. acrescenta ainda, numa curta exortação prática, algumas precauções a tomar para se não ser surpreendido. Mas o Evangelho de hoje não apresenta esta exortação, talvez porque a Epístola a contém já em substância.


IV - Quais serão os sinais precursores do último advento?

1 - Erunt signa in sole et luna, et stellis. - S. Mateus apresenta estes sinais mais claramente e com mais energia: o sol obscurecer-se-á, e a lua não mais dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu. E porque será assim? Porque, segundo muitos, quando Aquele, que é a Luz verdadeira, aparecer em todo o seu esplendor, o sol e os outros astros necessariamente perderão o seu próprio brilho, e desaparecerão como nas trevas. Ora isto sucederá no meio de horrível confusão.


2. - Et in terra pressura gentium, prae confusione sonitus maris et fluctuum. - Na terra os povos cairão em consternação perante o ruído e a agitação do mar e das ondas. - A terra tremerá e será abalada em seus fundamentos: nos ares, ventos e tempestades, raios e relâmpagos, os mais terríficos fenômenos. O mar será agitado até nos seus abismos mais profundos, e as vagas furiosas entrechocar-se-ão com medonho fragor. - O fogo, precedendo a vinda do soberano Juiz, realizará as palavras de S. Pedro: Elementa vero calore solventur, terra autem et quae ipsa sunt opera exurentur… Coeli ardentes solventur, et elementa ignis ardore tabescent. - Os homens cheios de terror correrão em todas as direções, e precipitar-se-ão uns sobre os outros, com o receio de serem engolidos pelas águas ou consumidos pelas chamas; haverá verdadeiramente pressura gentium.


3 - Arescentibus hominibus prae timore et expectatione quae supervenient universo orbi. - A desolação e o espanto dos homens serão tais que eles mirrarão, isto é, perderão o seu vigor corporal e ficarão pálidos, lívidos, sem forças, como estarrecidos; não se falando já, nem se entendendo uns com os outros, consumir-se-ão de medo por causa dos males presentes, e de apreensão por causa dos males futuros.


4. - Nam virtutes coelorum movebuntur. - Alguns Santos Padres entendem por estas palavras que os próprios Anjos tremerão diante dos castigos espantosos com que Deus punirá os homens. Santo Agostinho dá outra interpretação: Quia , impiis persequentibus, quidam fideles fortissimi turbabuntur. - Mas parece mais natural entender por estas Virtutes Coelorum o conjunto das leis e das forças físicas que sustentam o firmamento, e que mantêm as suas diferentes partes em equilíbrio perfeito: ora essas leis e forças serão abaladas, e daí resultará imensa desordem, um caos pavoroso.


V - Como se dará o advento de N. Senhor?

Et tunc videbunt Filium hominis venientem in nube, cum potestate magna et majestate. - Tunc, então, isto é, quando estes sinais forem realizados, na hora em que os maus entregues aos prazeres menos o pensarem, ver-se-á o Filho do homem, o Verbo encarnado, o Filho de Deus feito homem, que virá com essa forma humana que ele tomou para salvar os homens, e com a qual há-de julgá-los. - in nube, trazido sobre as nuvens, como no dia da sua Ascensão. As nuvens que se lhe serviram de carro de triunfo para subir ao Céu, diz Orígenes, servir-lhe-ão igualmente de trono, quando descer para julgar a terra.


Diante dele, acrescenta S. Mateus, a cruz, instrumento da sua ignomínia, mas também da sua vitória sobre o demônio, aparecerá radiante de glória, como nobre estandarte do soberano juiz e de todos os seus eleitos. À vista desta Cruz, todos os réprobis uivarão de desespero, plangent omnes tribus terrae, porque este sinal da nossa redenção que eles desconhecem e desprezaram, recordando-lhes a misericórdia e a caridade do Salvador, reprovará a sua malícia e a sua ingratidão.


Eles verão o Filho do homem vindo com grande poder e majestade: isto é, com força invencível, para confundir e castigar seus inimigos, mas também com glória deslumbrante, majestade toda divina, para recompensar e coroar os seus eleitos. - Assim, depois de ter aparecido sob uma forma humilde e vil no seu primeiro advento, exinanivit semetipsum formam servi accipiens, aparecerá, no último advento, como poderoso Rei, soberano Senhor do Céu e da terra. - Todos os homens verão na sua carne as gloriosas cicatrizes das chagas; e os pecadores, segundo a palavra do Profeta Zacarias, reconhecerão Aqueles que trespassaram. - “Então, diz S. Gregório, aqueles que não quiseram ouvi-lo no seu estado de humilhação, ve-lo-ão no poder e na glória; e sentirão tanto mais severamente a sua cólera quanto mais rebeldes tiverem sido em se inclinar perante a sua misericórdia”.


VI - Que quer dizer N. S. com estas palavras: “His fieri incipientibus, respicite, et levate capita vestra, etc.?

Depois de ter inspirado justo temor aos pecadores, o divino Mestre quer tranquilizar os bons. Porque, se o dia do juízo final deve ser terrível para os réprobos, pelo contrário será consolador para os eleitos, que entrarão então, em corpo e alma, na glória completa tão desejada.


Portanto, his fieri incipientibus, quando estas coisas começarem a acontecer, ao passo que os pecadores se sentirão tolhidos de medo e tomado de desespero, vós, meus servos e meus amigos, erguei a cabeça e olhai: firmai a vossa fé e a vossa esperança, desapegai o vosso espírito e o vosso coração da terra, e elevai-os ao céu: regozijai-vos, porque a vossa libertação está próxima, quoniam appropinquat redemptio vestra. Esta libertação ou redenção, será para os eleitos o fim absoluto de todos os males, o livramento completo da alma e do corpo, a fruição incomparável da eterna felicidade.


Ninguém pode saber o dia exato do advento de N. Senhor. Mas, quando os homens virem realizar-se todos estes prodígios, deverão acreditar que esse dia está próximo.


E, para ajudar os seus discípulos a compreender esta verdade, o Salvador apresenta-lhes esta comparação bem simples: Reparai na figueira e nas outras árvores: quando vedes aparecer as primeiras folhas, pensais que o estio não está longe: assim quando virdes chegar estas coisas, ficai sabendo que o reino de Deus está próximo.


VII - Que quer dizer: “Amen dico vobis, quia non praeteribit generatio haec donec omnia fiant” ?

No sentido mais lato, esta geração é a raça humana em conjunto; em sentido estrito, é a raça dos Judeus, que substituirá até ao fim do mundo, para dar testemunho e glória a N. S.; ou também, a multidão dos cristãos, a Igreja, que não perecerá apesar das terríveis perseguições dos últimos tempos. - Entendida nestes três sentidos, este geração não acabará sem que estejam consumadas todas as predições relativas ao último advento de N. Senhor.


VIII - Que significam estas palavras: “Coelum et terra transibunt, verba mea autem non transibunt”?

É a maneira como o nosso divino Salvador confirma solenemente a verdade de tudo que acaba de dizer e de mostrar a sua importância. Isto significa: Este céu que nos cerca, esta atmosfera na qual vivemos, esta terra, em que habitamos, tudo isto passará, será tudo mudado, será destruído na sua forma presente; mas as minhas palavras, fundadas na verdade eterna, não passarão sem receber inteiro cumprimento.


Roguemos incessantemente a N. Senhor que nos ajude a viver santamente e preparar-nos com cuidado para a sua última vinda, a fim de merecermos ser do número dos seus eleitos. Ponhamos todos os dias em prática os divinos avisos que ele dá a seus discípulos, em seguida às palavras que acabamos de meditar: Tende, pois, cuidado, não deixeis que os vossos corações se entorpeçam na trápula, na embriaguez e nos cuidados desta vida, com medo de que esse dia venha de repente surpreender-vos; porque ele virá como uma rede sobre todos aqueles que habitam a superfície da terra. Vigiai pois, e orai em todo o tempo, a fim de que sejais achados dignos de evitar todos estes males que hão de acontecer, e de aparecer cheios de confiança diante do filho do homem.



MISSA DO I DOMINGO DO ADVENTO




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