• Apostolado FERR

Homilia: As lições da morte!


PARA O XV DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

HOMILIA

As lições da Morte

Ecce defunctus efferebatur filius unicus matris suae.


Paremos diante deste caixão… Quem é o morto? é um velho? é um pobre? Não; é um jovem, rico, na flor da idade, a quem tudo sorria, a esperança e a vida da sua mãe!


Diz-nos a todos: Hodie mihi, cras tibi! Aprendamos as lições salutares que a morte nos dá…


I - Primeira lição: Que é morrer?

1 - É deixar tudo… É dizer adeus a todas as coisas deste mundo, aos bens, às honras, aos prazeres, aos parentes, aos amigos, a este corpo tão estimado, a estas paixões tão lisonjeadas!


2 - É ser abandonado de todos e separado de tudo… é a separação da alma e do corpo: a alma volta ao seu Criador para ser julgada, e depois recompensada ou punida, segundo as suas obras; o corpo volta à terra de onde saiu, revertatur pulvis in terram suam unde erat, para ser presa dos vermes: Putredini dix: Pater meus es; mater mea et soror mea vermibus…


3 - É sofrer a sentença irrevogável proferida contra o pecado, stipendium peccati mors… É passar do tempo à eternidade, isto é, ao Céu ou ao inferno… para os justos é a libertação, é o fim dos males e o princípio de uma felicidade eterna; para os pecadores é o termo dos gozos ilícitos e o começo de uma prisão sem fim, de um desespero eterno!


II - Segunda lição: Todos morreremos.

1 - A fé no-lo diz: Satatutum est omnibus hominibus semel mori! - A razão e a experiência no-lo demonstram todos os dias: Quis est homo qui vivet, et non videbit mortem? Nemo est qui semper vivat, et qui hujus rei habeat fiduciam.


2 - Vede este defunto do nosso Evangelho: jovem, com fortuna e um futuro sorridente: mas morreu, e tudo acabou para ele… Nós todos morreremos também… Vós, os que sois jovens, que tanto blasonais da vossa saúde e das vossas forças, que contais uma longa vida, vós morrereis com certeza! Vós, devassos, sereis amanhã uma hedionda e vil podridão!


Adeus, prazeres! Vós, ricos, que só pensais em amontoar os bens deste mundo, em construir edifícios, morrereis igualmente: “Stulte, hac nocte anima tuam repetunt a te; quae autem parasti, cujus erunt? Superest tibi sepulchrum”!


3 - Usai das precauções, que quiserdes, recorrei aos médicos mais hábeis; nada disso vos impedirá de morrer… Onde estão tais e tais, que vós conhecestes tão honrados e tão ricos? Estão no fundo de suas sepulturas, entraram na sua eternidade: “Dic mihi, exclama S. Bernardo, ubi sunt amatores mundi? Nihil ex eis remansit, nisi cineres et vermes” - Mihi heri et tibi hodie.


III - Terceira lição: Morrereis dentro em pouco.

Pensais que a morte está longe… Vede como os dias, os meses, os anos passam depressa… Cada dia é um passo a mais para o túmulo… Os dias dos homem sobre a terra são curtos, e estão contados: Ecce mensurabiles posuisti dies meos… Morremos um pouco cada dia!

A nossa vida é foenum agri, bem depressa fanado, é vapor, que mais leve sopro dissipa, vapor ad modicum parens… Afastemos pois de nós toda a ilusão… Não, certamente, nós não viveremos muito tempo… num instante a morte nos prostará…


IV - Quarta lição: Não sabemos nem quando, nem como morreremos.

1 - Quando morreremos - Em que idade? dentro de dez anos, de um ano, de um mês, amanhã, talvez hoje? É segredo de Deus. Uno tantum grado ego morsque dividimur… Quando transporei esse passo que me resta? Non est vestrum nosse tempora vel momenta, quae Pater posuit in sua potestate… Vigilate ergo, quia nescitis diem neque horam…


2 - De que gênero de morte morreremos. - De morte lenta ou súbita, de peste, de uma doença ordinária, de um acidente em naufrágio, numa catástrofe? É segredo de Deus… Vigilate… Nescitis…


3 - Em que lugar morreremos - Em nossa casa, ou em viagem, trabalhando, dormindo, orando, ou no próprio ato do pecado? É segredo de Deus… Vigilate, Nescitis…


4 - Mas, sobretudo, em que estado morreremos. - No estado de graça ou de pecado? em plenos conhecimento, ou sem conhecimento? Teremos tempo de chamar o padre, de nos confessarmos, de receber os últimos sacramentos? Nescitis... Vigilate… Para onde a árvore cair, aí ficará. Ordinariamente tal vida, tal morte! Da vida depende a morte, e da morte a eternidade: “momentum, a quo pendat aeternitas”! - Mors peccatorum pessima! Pretiosa in conspectu Domini mors sanctorum ejus… Qual será a nossa? O desejo de uma boa morte não basta.


V - Quinta lição: Preparemo-nos todos os dias.

Como?

1 - Desapeguemo-nos das coisas deste mundo… libertemos o nosso coração… um dia, bem depressa havemos de deixar tudo…


2 - Pensemos continuamente na morte: memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis… Que meio eficaz de evitar o pecado e de viver santamente! Se soubéssemos que estávamos prestes a morrer, ousaria de cometer pecado?


3 - Dispone domui tuae, quia morieris tu et non vives… ponhamos depressa ordem, nos negócios da nossa alma… Não fiquemos, nem um dia em estado em que não queiramos morrer… Boa confissão… restituições e reparações necessárias… Vivamos cada dia como se fosse o último de nossa vida…


Conclusão - Illumina oculos meos, ne quando dicat inimicus meus: Praevalui adversus eum… In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum. - Secundum voluntatem tuam fac mecum, et praecipe in pace recipi spiritum meum.



MISSA DO XV DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



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