• Apostolado FERR

Homilia: Maria e a fidelidade cristã


HOMILIA PARA A FESTA DA ASSUNÇÃO

MARIA E A FIDELIDADE CRISTÃ

Fecit mihi magna qui potens est (Luc. I, 49).

No dia da sua Assunção gloriosa, cheia de amor inefável e de vivo reconhecimento, podia a Santíssima Virgem repetir estas palavras do seu Cântico, com mais alegria ainda do que no dia da sua Visitação: - minha alma glorifica ao Senhor porque fez em mim grandes coisas.


Com efeito, Deus coroa hoje a sua vida que foi santa, divina, elevando-a ao mais alto dos Céus e proclamando-a Rainha do Céu e da terra. Gaudeamus omnes in Domino.


A festa da Assunção, para todos os que verdadeiramente são filhos de Jesus e de Maria, é objeto de admiração, de confiança e de imitação.

I. - Objeto de admiração.

O glorioso triunfo da Mãe de Deus é admirável sob todos os pontos de vista.

1. - Pela morte preciosa que ela teve. Morreu, não por necessidade de suportar a lei geral que pesa sobre os mortais, mas por amor de seu divino Filho, para se tornar mais semelhante a ele. Morreu não de velhice, mas de amor.


Não ouve movimentos extraordinários, nem convulsões nesta morte tão suave.


Como um sopro ligeiro desliga da árvore um fruto já maduro, como uma chama que se eleva, desprende e voa por si mesma, assim foi colhida esta alma bendita para logo ser transportada ao Céu; assim morreu a Virgem Santíssima num impulso de amor (Bossuet).


Vem, Jesus buscá-la e de novo, num êxtase de amor e reconhecimento, ela entrega-lhe a sua alma e repete: ecce ancilla Domini.


2. - Pela sua gloriosa ressurreição. Não convinha que a carne imaculada de Maria, da qual se tinha formado a natureza humana do Verbo divino, estivesse sujeita à corrupção do túmulo com a dos outros filhos de Eva, pecadores e miseráveis. Não ficava bem a Jesus permitir tal coisa e por isso, passados três dias, reuniu a alma de sua santa Mãe ao seu corpo e por um privilégio especial ressuscitou-a, como ele mesmo tinha ressuscitado, gloriosa e imortal.


3. - Pela sua assunção triunfante. Para honrar sua Mãe, Jesus desce ao seu encontro com toda a corte celestial e transporta-a ao Céu em triunfo, o que é um motivo de alegria para os Anjos e para todos os justos. Para os Anjos que a aclamam como sua Rainha e cantam os seus louvores; para os Patriarcas, Profetas e todos os demais santos que lhe agradecem e a felicitam pela sua cooperação na salvação do mundo.


4. - Pelo seu coração. Aqui admiraremos a benevolência e o amor com que é acolhida na morada celeste pela Santíssima Trindade: pelo Pai que a abençoa como sua filha; pelo Filho que a acolhe como sua Mãe muito amada e pelo Espírito Santo que a recebe como sua única e fiel esposa.


Jesus Cristo dá-lhe um lugar num trono resplandecente e glorioso ao lado do seu adstitit regina dextris tuis.


5. - Veni de Libano, sponsa mea, coronnaberis! “Gaudeamus omnes”. Que triunfo e que glória!... Jamais o Céu ou terra os tinham visto semelhantes. Os Anjos admiram e alegram-se com a sua Rainha, os homens e a Igreja sentem-se protegidos e amparados com o triunfo da sua Mãe celeste. Magnificat anima mea Dominum... quia fecit mihi magna qui potens est. Beatam dicent omnes generationes...

II. - A Assunção objeto de confiança.

Se tivemos a dita de admirar o triunfo de Maria e a sua glória no Céu, com mais confiança devemos alegrar-nos e recorrer a ela, sejamos felizes ou desgraçados, justos ou pecadores.


1. - Com efeito, Maria é nossa Mãe terníssima e, apesar da sua glória, não pode esquecer os seus filhos, pobres exilados e expostos a tantos perigos. Melhor do que ninguém, ela sabe a triste condição daqueles que vivem longe de Jesus. Por isso ama-nos sempre; Jesus confiou-nos aos seus cuidados maternais e o seu coração compadece-se de nós, tanto mais que ela agora é felicíssima e deseja fazer-nos participar dessa felicidade.


2. - Demais, ela é toda poderosa e Deus pôs à sua disposição, os tesouros celestes. Se Jesus não lhe recusava nada na terra, que diremos agora no Céu onde a colocou num trono e a investiu duma autoridade quase ilimitada?


3. - Maria quer, pois, e pode socorrer-nos e, de fato, socorre-nos. O seu coração está aberto para todos, mesmo para os pecadores. Obtêm a uns a graça da conversão, o remorso, o perdão; a outros dá novas luzes, novas forças, a graça da perseverança na virtude. Venite ad me omnes, reficiam vos.


4. - São inumeráveis os benefícios que esta Soberana poderosa tem concedido à Igreja, às nações, ao Clero e aos indivíduos. Guia a barca de Pedro no meio das tempestades do erro, pois dela canta a Igreja: cunctas hæreses sola interemisti in universo mundo.


Protege visivelmente os reinos, muitos dos quais lhe estão consagrados, como por exemplo a nossa Pátria que o foi na pessoa do seu primeiro Rei, e mais tarde por D. João IV; e ao Clero e aos simples particulares auxilia prodigiosamente, como conhecemos das suas muitas e variadas aparições e de inúmeras biografias.


5. - Nada, portanto, é mais apto para despertar em nós, uma ilimitada confiança na Virgem Maria, do que a consideração da sua gloriosa passagem desta vida para o gozo da eterna felicidade. É Rainha, com tanto poder como misericórdia; é Mãe e a mais terna das mães, o que equivale a dizer que sempre se condói de nós, e tanto mais quanto mais infelizes somos e “fulgida a Stela maris” nunca esquece que os homens são seus filhos.


Sendo assim, que nem um só dia passe sem a invocarmos nas nossas necessidades, sem re-corrermos a ela nas nossas tentações.


Doentes do corpo ou do espírito, chamemos por Maria. Memorare, sancta Maria! Ora pro nobis in hora mortis nostræ!

III. - A Assunção, objeto de imitação.

Deus glorifica a Maria como Virgem imaculada e como Mãe do Salvador.


É verdade que isto é um privilégio único, qual não houve nem haverá jamais: nec primam similem visa est, nec habere sequentem.


Mas também é verdade que se Deus a recompensou, é porque tinha méritos e virtudes. A Virgem então, até no seu triunfo, nos serve de modelo.


1. - Foi elevada acima dos Anjos e dos santos, é certo, mas aqui na terra foi humilhada como ninguém, posta ainda debaixo dos mais pequeninos. Depois da excelência do Verbo humilhado sob a forma de escravo, que haverá de mais nobre do que a dignidade de Mãe de Deus? Mas, também, que poderemos imaginar de mais vil do que uma escrava? E Maria intitulou-se aqui na terra a es-crava do Senhor!...


2. - Maria foi constituída Rainha do Céu e da terra e foi-lhe conferido todo o poder; mas, também, neste mundo, foi ela duma obediência perfeita e tão fiel, e em escutar a palavra de Deus tão pronta, como não houve igual.


3. - Maria, no Céu, brilha com tal fulgor, que os astros comparados a ela, são verdadeiras sombras; goza duma felicidade sem limites; mas foi a mais pura das criaturas, partilhou, como ninguém, dos sofrimentos de Jesus.


4. - Está unida a Deus e goza a visão beatífica em maior grau, mas neste mundo não entrou no seu coração o amor impuro: só a ele amou, só a ele serviu, por ele se consumiu num zelo que excede todos os zelos.


5. - Ah! belas, admiráveis, extraordinárias são as lições da Virgem Mãe, no modo como imitava o seu divino Filho. É com um desígnio muito especial que o Apóstolo nos recomenda: hoc sentite in vobis, quod et in Christo Iesu, ao falar-nos das humilhações do Filho de Deus.


Agora poderemos dizer o mesmo a respeito de Maria.


A sua vida é de Jesus, as suas humilhações, as humilhações de Jesus e os seus triunfos os triunfos de Jesus. Escutá-la é escutar Jesus, invocá-la é invocar Jesus. Se queremos gozar com ela na eterna bem-aventurança, forçoso nos é imitá-la neste mundo e por isso uma graça lhe pediremos: - que nos faça puros de alma e corpo; humildes em pensamentos, palavras e obras; obedientes à vontade de Deus e fiéis à sua graça; generosos para sofrer; fortes para transportarmos a nossa cruz, porque só chegaremos ao Céu por muitas tribulações. Amém.




Por Padre Thiriet, PLANOS DE HOMILIAS.


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