• Apostolado FERR

Jesus, nosso Bom Pastor (Homilia)




SERMÃO PARA O II DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

JESUS, NOSSO BOM PASTOR

Ego sum pastor bonus.


Nosso Senhor Jesus Cristo é indicado na Sagrada Escritura com muitos nomes: Deus, Senhor, Salvador, Rei, Mestre, e merece-os todos, na verdade... Hoje, neste Evangelho, apelida-se a si mesmo bom Pastor. Devemos agradecer a Jesus um tal nome, por si mesmo atraente e belo e que revela toda a ternura e solicitude do seu coração para conosco.


Recordemos em poucas palavras as qualidade que o próprio Jesus indica serem necessários ao bom pastor e vejamos como ele as realizou em sua pessoa adorável.


I. - Conhecer as suas ovelhas.

Um bom pastor deve conhecer as suas ovelhas; não somente o seu número e cor, porque um mercenário também pode conhecer estas circunstâncias, mas o caráter, as inclinações, os defeitos e principalmente as necessidades das suas ovelhas...


Ora não há pastor nenhum que conheça tão bem as suas ovelhas, como Jesus conhece as suas. Conhece-as todas e a cada uma de per si, melhor ainda do que nós nos conhecemos a nós mesmos... Como Deus que é, conhece o nosso interior: pensamentos, desejos, palavras, ações, inclinações boas e más, fraquezas, necessidades: omnia nuda et aperta sunt oculis eius... Scrutans corda et renes...


Conhece quais são as ovelhas puras, boas, dóceis, fiéis e as que o não são. As que progridem na virtute e se esforçam por reproduzir em si a imagem e semelhança do seu Pastor... e as que são covardes, indiferentes e as que o esquecem ou se afastam dele... novit Dominus qui sunt eius; ele sabe as que verdadeiramente lhe pertencem e estão destinadas à glória eterna. Oxalá sejamos desse número.


II. - Guiar as ovelhas.

O bom pastor guia as suas ovelhas para que se não afastem nem percam...

Chama-as e corre atrás delas, logo que se desviam do redil...


Ora Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua bondade infinita, tudo isto fez pela nossa alma.


Com efeito, ele chama cada ovelha por seu nome; a sua voz está continuamente a soar aos nossos ouvidos; interiormente pela sua graça, exteriormente pelos avisos e conselhos dos seus sacerdotes, para impedir que nos afastemos do reto caminho. Guia também as suas ovelhas na vida da verdade e do dever, a fim de as poupar aos perigos e tentações. E se alguma chega a afastar-se do rebanho, Jesus corre atrás dela e não descansa, enquanto a não encontra e conduz de novo. Infirmitas Christi, diz Santo Agostinho, fecit ut quod erat non periret, toma-a sobre os seus ombros e cura-lhe as feridas no Sacramento da Penitência. Recordemos a sua bondade para Pedro, Madalena, Santo Agostinho e talvez mesmo para conosco em tal ou tal circunstância da vida.


- Quem poderá exprimir a alegria do amantíssimo Salvador depois de assim procurar e ressuscitar uma alma transviada pelo pecado?

Ouçamo-lo dizer por intermédio de Santo Agostinho: da amantem, et sentit quod dico.


III. - Caminhar diante das ovelhas.

Um bom pastor não segue atrás das ovelhas, espancando-as e ferindo-as; caminha à sua frente e elas nada mais fazem do que segui-lo.


Ora Jesus não é como os fariseus qui dicunt et non faciunt, que impõem aos outros coisas pesadas, mas nem as querem tocar com um só dedo.


Ele, como bom Pastor, precede as suas ovelhas e mostra-lhes o bom caminho: ego sum via; nada ordena que não tivesse praticado primeiro, cœpit facere et docere...


A sua vida é una, quer na doutrina, quer como exemplar e, por consequência, duma harmonia perfeita et forma gregis...


Quereis praticar a modéstia, a humildade, a obediência, a doçura, a paciência, a caridade, o perdão das injúrias? olhai para Jesus: inspice et fac secundum exemplar... Discite a me quia mitis sum et humilis corde... Ele prega-nos e instrui-nos pelos seus atos e pela sua vida, ainda mais do que pela sua palavra, e nós sabemos, por outro lado, que nos oferece sempre a sua graça para que possamos seguir seus passos... Pois quem recusaria seguir tão bom Pastor?


Christus passus est pro nobis, vobis reliquens exemplum ut sequamini vestigia eius... Trahe nos; post te curremus in odorem unguentorum tuorum... Domine, sequar te quoqumque ieris...


IV. - Guardar e defender as ovelhas.

Um bom pastor vigia, dia e noite, o seu rebanho para que os animais ferozes e os ladrões o não ataquem: Die noctuque æstu urgebar et gelu, fugiebatque somnus ab oculis meis... dizia Jacó, do tempo em que guardava os rebanhos de Labão. E o Rei Davi, quando pastor, ousava atacar os leões e os ursos que vinham assaltar-lhe o rebanho.


Ora Jesus Cristo vigia também, de dia e de noite, as suas ovelhas e guarda-as melhor do que quaisquer outros pastores de gado. Efetivamente, estes podem fatigar-se, adormecer, distrair-se, ao passo que Jesus nos guarda ut pupillam oculi, com uma solicitude tão constante, que nunca, por culpa sua, poderá ser qualquer ovelha apanhada.


Uma alma não se perde senão recusando ou desprezando o socorro de Jesus e entregando-se por sua vontade ao demônio. Recordemo-nos da dor que ele sentiu com a perda de Judas e as lágrimas que derramou sobre Jerusalém por sua infidelidade e ingratidão: quos dedisti mihi, non perdidi ex eis quemquam... nisi filius perditionis...


Jesus nunca adormece: cor meum vigilat; em qualquer ocasião que a alma se lhe dirija, será ouvida e livre de perigo, como aconteceu quando Jesus aplacou a tempestade. Só o seu nome, invocado com fé e amor, bastará para afugentar o lobo infernal...


V. - Nutrir as ovelhas.

O bom pastor leva as ovelhas para onde as pastagens são mais verdes e abundantes e a nada se poupa para que elas aí se dêem bem e engordem.


Ora, principalmente aqui, Jesus é o bom Pastor por excelência, porque alimenta as suas ovelhas, como pastor nenhum alimentou as suas.


Sem falar dos milagres diários da sua Providência para que nada falte ao nosso corpo e sejam satisfeitas as nossas necessidades temporais, o que não faz ele por nossas almas? Dominus regit me et nihil mihi deerit, in loco pascuæ ibi me collocavit. Por ele, nossa alma irá às pastagens abundantes da sua palavra divina; non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo, quod procedit de ore Dei, às santas instruções que nos dá por intermédio dos seus ministros, às graças que espalha a cada instante e com profusão...


Mas, sobretudo, convida-nos a saciarmo-nos com o seu corpo e seu sangue: caro mea vere est cibus, et sanguis meus vere est potus... O res mirabilis! manducat Dominum pauper, servus, et humilis.


Que pastor, diz S. João Crisóstomo, jamais nutriu as suas ovelhas com a própria substância?

Os outros pastores nutrem-se das suas ovelhas, ao passo que Jesus dá-se todo às suas. Ele sacrifica-se mais por cada uma das ovelhas do seu rebanho do que se sacrificava pela sua o pobre do apólogo de Natan a Davi. Oh! quais não deveriam ser os nossos sentimentos de reconhecimento e amor para com Jesus.


VI. - Dar a vida pelas suas ovelhas.

Nos grandes perigos que ameaçam o rebanho os mercenários fogem; mas vemos algumas vezes um bom pastor expor-se à morte para defender as suas ovelhas... E é principalmente então que ele se distingue verdadeiramente dos mercenários, observa S. Gregório; porque, em tempo de paz, o procedimento dum e doutro não diferem muito.


Ora Jesus foi bom Pastor ao ponto de dar a vida por nós. É ver o amor com que se ofereceu para nos resgatar; tudo o que sofreu em Belém, no Egito, em Nazaré, durante a vida pública, durante a Paixão...


Morreu para nos dar a vida, para nos cumular de graças e nos merecer o Céu! E, apesar de tudo, ainda o não amamos!


Sic nos amantem, quis non redamaret?


Conclusão. - Eis como Nosso Senhor é um bom Pastor. Pensemos, portanto, no amor infinito com que nos conhece, nos guia, nos guarda, nos nutre e se entrega por nós.


Amemo-lo, pois, e sigamo-lo como boas e fiéis ovelhas; não vivamos senão para ele, façamos em tudo a sua vontade, a fim de que ele se digne conhecer-nos como ovelhas suas e nos admita um dia às celestes pastagens. Amém.



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