• Apostolado FERR

Missa da Quarta-feira Santa




QUARTA-FEIRA DA SEMANA SANTA

Féria de I classe, paramentos roxos

Estação em Santa Maria Maior

Não pode a Igreja esquecer nestes dias da Paixão de seu Salvador, a sua Mãe Santíssima que tão grande parte teve na obra da Redenção, é por isso que nos reunimos no maior santuário construído em sua honra. Maria acompanha a seu Filho e a nós, nestes dias, e sofre com Ele e conosco. Nos antigos tempos esse dia era de exame para os catecúmenos e ainda hoje se conservam as três Leituras. Jesus Cristo padece como vemos nas Leituras e nos Cânticos, mas o fim dos seus sofrimentos é a glória (Introito).


INTRÓITO

(Fl 2,8-11; Sl 101,2)

IN nómine Jesu omne genu flectátur, cæléstium, terréstrium, et infernórum: quia Dóminus factus est obédiens usque ad mortem, mortem autem crucis: ideo Dóminus Jesus Christus in glória est Dei Patris. PS. Dómine exáudi oratiónem meam: et clamor meus ad te véniat. – In nómine.


AO Nome de Jesus se dobrem os joelhos de todos os que estão no céu, na terra e debaixo da terra, porque o Senhor se fez obediente até a morte e morte de Cruz; por isto o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai. SL. Senhor, ouvi a minha oração e chegue até Vós o meu clamor. – Ao Nome.


Depois do Kyrie, diz-se:


COLETA

Oremus.

Flectámus genua.

Levate.

PRÆSTA, quaésumus, omnípotens Deus: ut, qui nostris excéssibus incessánter afflígimur, per unigéniti Fílii tui passiónem liberémur: Qui tecum.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

DEUS onipotente, incessantemente aflitos por causa dos nossos excessos, nós Vos suplicamos concedei sejamos libertados pela Paixão de vosso Filho Unigênito, que, sendo Deus, convosco vive e reina.


I LEITURA

(Is 62,11;63,1-7)

Léctio Isaíæ Prophétæ

HÆC dicit Dóminus Deus: Dícite fíliæ Sion: Ecce, Salvátor tuus venit: ecce, merces ejus cum eo. Quis est iste, qui venit de Edom, tinctis véstibus de Bosra? Iste formósus in stola sua, grádiens in multitúdine fortitúdinis suæ. Ego, qui loquor justítiam, et propugnátor sum ad salvándum. Quare ergo rubrum est induméntum tuum, et vestiménta tua sicut calcántium in torculári? Tórcular calcávi solus, et de géntibus non est vir mecum : calcávi eos in furóre meo, et conculcávi eos in ira mea: et aspérsus est sanguis eórum super vestiménta mea, et ómnia induménta mea inquinávi. Dies enim ultiónis in corde meo, annus redemptiónis meæ venit. Circumspéxi, et non erat auxiliátor: quæsívi, et non fuit, qui adjuváret: et salvávit mihi bráchium meum, et indignátio mea ipsa auxiliáta est mihi. Et conculcávi pópulos in furóre meo, et inebriávi eos in indignatióne mea, et detráxi in terram virtútem eórum. Miseratiónum Dómini recordábor, laudem Dómini super ómnibus, quæ réddidit nobis Dóminus, Deus noster.


Leitura do livro do profeta Isaías.

PALAVRA do Senhor Deus: Dizei a Jerusalém: Eis que vem o teu Salvador e com ele a sua recompensa. Quem é, pois, esse homem de vestes escarlates, que chega de Edom, de Bosra? Ele está magnífico em suas vestes, e se ergue no esplendor da sua força. Sou eu, que proclamo a justiça, e que venho para salvar. Porque este vermelho em tua veste? Tuas vestes estão como as daqueles que calcam no lagar! Eu calquei sozinho no lagar; e ninguém do meu povo estava comigo! Então calquei-os na minha cólera, esmaguei-os no meu furor. Seu sangue espirrou em minhas vestes; manchei toda a minha roupa! Eu tinha no coração um dia de vingança, e o ano da minha redenção chegara. Olhei: ninguém para ajudar-me; fui abatido: ninguém para sustentar-me. Então meu braço me salvou, e meu furor sustentou-me. Esmaguei os povos na minha cólera, triturei-os no meu furor, fiz correr por terra o seu sangue. Eu celebrarei os benefícios do Senhor, cantarei os seus louvores e tudo que fez por nós o Senhor nosso Deus.


GRADUAL

(Sl 68,18.2-3)

NE avértas fáciem tuam a púero tuo, quóniam tríbulor: velóciter exáudi me. V. Salvum me fac, Deus, quóniam intravérunt aquæ usque ad ánimam meam: infíxus sum in limo profúndi, et non est substántia.


NÃO escondais o rosto ao vosso servo; atribulado estou: depressa, ouvi-me! V. Salvai-me, ó Deus, que as águas vão tragar-me; afundo-me na lama sem apoio!


Aqui o Celebrante diz o Dominus vobiscum.


COLETA

DEUS, qui pro nobis Fílium tuum Crucis patíbulum subire voluísti, ut inimíci a nobis expélleres potestatem: concéde nobis fámulis tuis; ut resurrectiónis grátiam consequámur. Per eúndem Dóminum.


Ó DEUS, que quisestes sofresse o vosso Filho por nós o suplício da Cruz, para nos livrar do poder do inimigo, fazei com que vossos servos alcancem a graça da ressurreição. Pelo mesmo Senhor.


EPÍSTOLA

(Is 53,1-12)

Léctio Isaíæ Prophétæ.

IN diébus illis: Dixit Isaías: Dómine, quis crédidit audi tui nostro? et bráchium Dómini cui revelátum est? Et ascéndet sicut virgúltum coram eo, et sicut radix de terra sitiénti: non est spécies ei neque decor: et vídimus eum, et non erat aspéctus, et desiderávimus eum: despéctum et novíssimum virórum, virum dolórum, et sciéntem infirmitátem: et quasi abscónditus vultus ejus et despéctus, unde nec reputávimus eum. Vere languóres nostros ipse tulit, et dolóres nostros ipse portávit: et nos putávimus eum quasi leprósum, et percússum a Deo, et humiliátum. Ipse autem vulnerátus est propter iniquitátes nostras, attrítus est propter scélera nostra: disciplína pacis nostræ super eum, et livóre ejus sanáti sumus. Omnes nos quasi oves errávimus, unusquísque in viam suam declinávit: et pósuit Dóminus in eo iniquitátem ómnium nostrum. Oblátus est, quia ipse vóluit, et non apéruit os suum: sicut ovis ad occisiónem ducátur, et quasi agnus coram tondénte se obmutéscet, et non apériet os suum. De angústia et de judício sublátus est: generatiónem ejus quis enarrábit? quia abscíssus est de terra vivéntium: propter scelus pópuli mei percússi eum. Et dabit ímpios pro sepultúra, et dívitem pro morte sua: eo quod iniquitátem non fécerit, neque dolus fúerit in ore ejus. Et Dóminus vóluit contérere eum in infirmitáte : si posúerit pro peccáto ánimam suam, vidébit semen longaévum, et volúntas Dómini in manu ejus dirigátur. Pro eo, quod laborávit ánima ejus, vidébit, et saturábitur: in sciéntia sua justificábit ipse justus servus meus multos, et iniquitátes eórum ipse portábit. Ideo dispértiam ei plúrimos: et fórtium dívidet spólia, pro eo, quod trádidit in mortem ánimam suam, et cum scelerátis reputátus est : et ipse peccáta multórum tulit, et pro transgressóribus rogávit.


Leitura do livro do profeta Isaías.

NAQUELES dias, disse o profeta Isaías: Quem teria acreditado no que ouvimos? A quem fora revelado assim o braço do Senhor? Diante de Deus ele brotou como planta raquítica, como raiz em terra seca. Não era belo nem viçoso de ver-se, seu aspecto nada tinha de agradável. Desprezado, abandonado dos homens, homem de dores, familiar do sofrimento, semelhante ao leproso de que a gente se desvia, nós o desprezamos e o tivemos por nada! No entanto, eram os nossos sofrimentos que ele carregava, nossas dores que tomara sobre si. Nós, porém, o consideramos como punido, ferido por Deus, humilhado. Ele, no entanto, foi traspassado por causa de nossas faltas; triturado por nossos pecados.” O castigo que nos dá a paz recaiu sobre ele, e é por suas chagas que nós somos curados. Eramos todos errantes como ovelhas, cada um seguia o seu próprio caminho. Mas o Senhor fez caírem sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, ele se humilha; não abre a sua boca. Como o cordeiro levado ao matadouro, a ovelha calada ante aqueles que a tosquiam, ele não abre a boca. Preso, depois julgado, ele foi supresso. Quem na verdade se preocupou com sua sorte? Ele foi eliminado da terra dos vivos, e ferido por causa dos pecados do povo. Ele foi enterrado com os ímpios, seu túmulo está entre os túmulos dos ricos; e no entanto jamais cometeu injustiça, nem proferiu mentira. O Senhor quis triturá-lo pelo sofrimento. Se ele fez de sua vida um sacrifício de expiação, verá sua descendência, prolongará seus dias: a vontade do Senhor se cumprirá por ele. Por causa de seus sofrimentos, ele verá a luz e será cumulado. Pelos seus sofrimentos o justo, meu servo, justificará as multidões; carregará sobre si os pecados do povo. Por isso eu lhe darei as multidões como herança, partilhará com os fortes os despejos. Porque entregou-se à morte, foi contado entre os pecadores, quando carregava o pecado das multidões e intercedia por eles!


TRACTO

(Sl 101,2-5.14)

DOMINE exaudi orationem meam: et clamor meus ad te veniat.

V. Non avertas faciem tuam a me: in quacumque die tribulor, inclina ad me aurem tuam.

V. In quacumque die invocavero te: velociter exaudi me.

V. Quia defecerunt sicut fumus, dies mei: et ossa mea sicut gremium aruerunt.

V. Percussus sum, ut faenum, et aruit cor meum: quia oblitus sum comedere panem meum.

V. Tu exsurgens Domine misereberis Sion: quia tempus miserendi eius, quia venit tempus.


ESCUTAI, ó Senhor, minha oração, chegue à vossa presença o meu clamor!

V. Não desvieis de mim o vosso rosto; acabrunhado estou, Senhor, ouvi-me!

V. No dia em que eu clamar por vosso auxílio, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me!

V. Meus dias se dissipam qual fumaça, meus ossos são as brasas de um braseiro.

V. Seca-me o coração; erva cortada; chego a esquecer-me de comer meu pão.

V. Levantai-vos, piedade de Sião! Já é hora, Senhor, de terdes pena.

PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO LUCAS

(Lc 22, 39-71; 23,1-53)

Em seguida, é lida a Paixão segundo São Lucas. Este evangelista nos dá muitos detalhes, que foram suprimidos pelos dois primeiros evangelistas; com a sua ajuda, podemos penetrar cada vez mais no mistério dos sofrimentos do sacrifício do Homem-Deus.

Cronista: In illo témpore: egréssus Jesus ibat secúndum consuetúdinem in montem Olivárum. Secúti sunt autem illum et discípuli. Et cum pervenísset ad locum, dixit illis:

Cristo: Oráte, ne intrétis in tentatiónem.

Cronista: Et ipse avúlsus est ab eis, quantum jactus est lápidis, et pósitis génibus orábat, dicens:

Cristo: Pater, si vis, transfer cálicem istum a me: verúmtamen non mea volúntas, sed tua fiat.

Cronista: Appáruit autem illi Angelus de cælo, confórtans eum. Et factus in agónia, prolíxius orábat. Et factus est sudor ejus, sicut guttæ sánguinis decurréntis in terram. Et cum surrexísset ab oratióne, et venísset ad discípulos suos, invénit eos dormiéntes præ tristítia. Et ait illis:

Cristo: Quid dormítis? súrgite, oráte, ne intrétis in tentatiónem.

Cronista: Adhuc eo loquénte, ecce turba: et qui vocabátur Judas, unus de duódecim, antecedébat eos : et appropinquávit Jesu, ut oscularétur eum. Jesus autem dixit illi:

Cristo: Juda, ósculo Fílium hóminis tradis?

Cronista: Vidéntes autem hi, qui circa ipsum erant, quod futúrum erat, dixérunt ei:

Sinagoga: Dómine, si percútimus in gladio?

Cronista: Et percússit unus ex illis servum príncipis sacerdótum, et amputávit aurículam ejus déxteram. Respóndens autem Jesus, ait:

Cristo: Sínite usque huc.

Cronista: Et cum tetigísset aurículam ejus, sanávit eum. Dixit autem Jesus ad eos, qui vénerant ad se, príncipes sacerdótum et magistrátus templi et senióres:

Cristo: Quasi ad latrónem exístis cum gládiis et fústibus? Cum cotídie vobíscum fúerim in templo, non extendístis manus in me: sed hæc est hora vestra et potéstas tenebrárum.

Cronista: Comprehendéntes autem eum, duxérunt ad domum príncipis sacerdótum: Petrus vero sequebátur a longe. Accénso autem igne in médio átrii, et circumsedéntibus illis, erat Petrus in médio eórum. Quem cum vidísset ancílla quædam sedéntem ad lumen, et eum fuísset intúita, dixit:

Sinagoga: Et hic cum illo erat.

Cronista: At ille negávit eum, dicens:

Sinagoga: Múlier, non novi illum.

Cronista: Et post pusíllum álius videns eum, dixit:

Sinagoga: Et tu de illis es.

Cronista: Petrus vero ait:

Sinagoga: O homo, non sum.

Cronista: Et intervállo facto quasi horæ uníus, álius quidam affirmábat, dicens:

Sinagoga: Vere et hic cum illo erat: nam et Galilaéus est.

Cronista: Et ait Petrus:

Sinagoga: Homo, néscio, quid dicis.

Cronista: Et contínuo adhuc illo loquénte cantávit gallus. Et convérsus Dóminus respéxit Petrum. Et recordátus est Petrus verbi Dómini, sicut díxerat: Quia priúsquam gallus cantet, ter me negábis. Et egréssus foras Petrus flevit amáre. Et viri, qui tenébant illum, illudébant ei, cædéntes. Et velavérunt eum et percutiébant fáciem ejus : et interrogábant eum, dicéntes:

Sinagoga: Prophetíza, quis est, qui te percússit?

Cronista: Et alia multa blasphemántes dicébant in eum. Et ut factus est dies, convenérunt senióres plebis et príncipes sacerdótum et scribæ, et duxérunt illum in concílium suum, dicente?

Sinagoga: Si tu es Christus, dic nobis.

Cronista: Et ait illis:

Cristo: Si vobis díxero, non credétis mihi: si autem et interrogávero, non respondébitis mihi, neque dimíttetis.

Sinagoga: Ex hoc autem erit Fílius hóminis sedens a dextris virtútis Dei.

Cronista: Dixérunt autem omnes:

Sinagoga: Tu ergo es Fílius Dei?

Cronista: Qui ait:

Cristo: Vos dicitis, quia ego sum.

Cronista: At illi dixérunt:

Sinagoga: Quid adhuc desiderámus testimónium? Ipsi enim audívimus de ore ejus.

Cronista: Et surgens omnis multitúdo eórum, duxérunt illum ad Pilátum. Cœpérunt autem illum accusáre, dicéntes:

Sinagoga: Hunc invénimus subverténtem gentem nostram, et prohibéntem tribúta dare Caésari, et dicéntem se Christum regem esse.

Cronista: Pilátus autem interrogávit eum, dicens:

Sinagoga: Tu es Rex Judæórum?

Cronista: At ille respóndens, ait:

Cristo: Tu dicis.

Cronista: Ait autem Pilátus ad príncipes sacerdótum et turbas:

Sinagoga: Nihil invénio causæ in hoc hómine.

Cronista: At illi invalescébant, dicéntes:

Sinagoga: Cómmovet pópulum, docens per univérsam Judaéam, incípiens a Galilaéa usque huc.

Cronista: Pilátus autem áudiens Galilaéam, interrogávit, si homo Galilaéus esset. Et ut cognóvit, quod de Heródis potestáte esset, remísit eum ad Heródem, qui et ipse Jerosólymis erat illis diébus. Heródes autem, viso Jesu, gavísus est valde. Erat enim cúpiens ex multo témpore vidére eum, eo quod audíerat multa de eo, et sperábat signum áliquod vidére ab eo fíeri. Interrogábat autem eum multis sermónibus. At ipse nihil illi respondébat. Stabant autem príncipes sacerdótum et scribæ, constánter accusántes eum. Sprevit autem illum Heródes cum exércitu suo: et illúsit indútum veste alba, et remísit ad Pilátum. Et facti sunt amíci Heródes et Pilátus in ipsa die: nam ántea inimíci erant ad ínvicem. Pilátus autem, convocátis princípibus sacerdótum et magistrátibus et plebe, dixit ad illos:

Sinagoga: Obtulístis mihi hunc hóminem, quasi averténtem pópulum, et ecce, ego coram vobis intérrogans, nullam causam invéni in hómine isto ex his, in quibus eum accusátis. Sed neque Heródes: nam remísi vos ad illum, et ecce, nihil dignum morte actum est ei. Emendátum ergo illum dimíttam.

Cronista: Necésse autem habébat dimíttere eis per diem festum, unum. Exclamávit autem simul univérsa turba, dicens:

Sinagoga: Tolle hunc, et dimítte nobis Barábbam.

Cronista: Qui erat propter seditiónem quandam fáciam in civitáte et homicídium missus in cárcerem. Iterum autem Pilátus locútus est ad eos, volens dimíttere Jesum. At illi succlamábant, dicéntes:

Sinagoga: Crucifíge, crucifíge eum.

Cronista: Ille autem tértio dixit ad illos:

Sinagoga: Quid enim mali fecit iste? Nullam causam mortis invénio in eo: corrípiam ergo illum et dimíttam.

Cronista: At illi instábant vócibus magnis, postulántes, ut crucifigerétur. Et invalescébant voces eórum. Et Pilátus adjudicávit fíeri petitiónem eórum. Dimísit autem illis eum, qui propter homicídium et seditiónem missus fúerat in cárcerem, quem petébant: Jesum vero trádidit voluntáti eórum. Et cum dúcerent eum, apprehendérunt Simónem quendam Cyrenénsem, veniéntem de villa: et imposuérunt illi crucem portáre post Jesum. Sequebátur autem illum multa turba pópuli, et mulíerum, quæ plangébant et lamentabántur eum. Convérsus autem ad illas Jesus dixit:

Cristo: Filiæ Jerúsalem, nolíte flere super me, sed super vos ipsas flete et super fílios vestros. Quóniam ecce vénient dies, in quibus dicent: Beátæ stériles, et veníres, qui non genuérunt, et úbera, quæ non lactavérunt. Tunc incípient dícere móntibus: Cádite super nos; et cóllibus: Operíte nos. Quia si in víridi ligno hæc fáciunt, in árido quid fiet?

Cronista: Ducebántur autem et alii duo nequam cum eo, ut interficeréntur. Et postquam venérunt in locum, qui vocátur Calváriæ, ibi crucifixérunt eum: et latrónes, unum a dextris et álterum a sinístris. Jesus autem dicebat:

Cristo: Pater, dimítte illis: non enim sciunt, quid fáciunt.

Cronista: Dividéntes vero vestiménta ejus, misérunt sortes. Et stabat pópulus spectans, et deridébant eum príncipes cum eis, dicéntes:

Sinagoga: Alios salvos fecit: se salvum fáciat, si hic est Christus Dei electus.

Cronista: Illudébant autem ei et mílites accedéntes, et acétum offeréntes ei, et dicéntes:

Sinagoga: Si tu es Rex Judæórum, salvum te fac.

Cronista: Erat autem et superscríptio scripta super eum lítteris græcis et latínis et hebráicis: Hic est Rex Judæórum. Unus autem de his, qui pendébant, latrónibus, blasphemábat eum, dicens:

Sinagoga: Si tu es Christus, salvum fac temetípsum, et nos.

Cronista: Respóndens autem alter increpábat eum, dicens:

Sinagoga: Neque tu times Deum, quod in eadem damnatióne es. Et nos quidem juste, nam digna factis recípimus: hic vero nihil mali gessit.

Cronista: Et dicebat ad Jesum:

Sinagoga: Dómine, meménto mei, cum véneris in regnum tuum.

Cronista: Et dixit illi Jesus:

Cristo: Amen, dico tibi: Hódie mecum eris in paradíso.

Cronista: Erat autem fere hora sexta, et ténebræ factæ sunt in univérsam terram usque in horam nonam. Et obscurátus est sol: et velum templi scissum est médium. Et clamans voce magna Jesus, ait:

Cristo: Pater, in manus tuas comméndo spíritum meum.

Cronista: Et hæc dicens, exspirávit.


(Hic genuflectitur, et pausatur aliquántulum)


Cronista: Videns autem centúrio quod factum fúerat, glorificávit Deum, dicens:

Sinagoga: Vere hic homo justus erat.

Cronista: Et omnis turba eórum, qui simul áderant ad spectáculum istud et vidébant, quæ fiébant, percutiéntes péctora sua revertebántur. Stabant autem omnes noti ejus a longe, et mulíeres, quæ secútæ eum erant a Galilaéa, hæc vidéntes. Et ecce, vir nómine Joseph, qui erat decúrio, vir bonus et justus: hic non consénserat consílio et áctibus eórum, ab Arimathaéa civitáte Judaéæ, qui exspectábat et ipse regnum Dei. Hic accéssit ad Pilátum et pétiit corpus Jesu: et depósitum invólvit síndone, et pósuit eum in monuménto excíso, in quo nondum quisquam pósitus fúerat.








Cronista: Naquele tempo, conforme o Seu costume, Jesus dirigiu-Se para o monte das Oliveiras, seguido dos Seus discípulos. Ao chegar àquele lugar, disse-lhes:

Cristo: Orai para que não caiais em tentação.

Cronista: Depois Se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-Se, orava:

Cristo: Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a Tua.

Cronista: Apareceu-Lhe então um Anjo do Céu para confortá-Lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e Seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. Depois de ter rezado, levantou-Se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza. Disse-lhes:

Cristo: Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação.

Cronista: Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para O beijar. Jesus perguntou-lhe:

Cristo: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?

Cronista: Os que estavam ao redor Dele, vendo o que ia acontecer, perguntaram:

Sinagoga: Senhor, devemos atacá-los à espada?

Cronista: E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio:

Cristo: Deixai, basta.

Cronista: E, tocando na orelha daquele homem, curou-o. Voltando-Se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra Ele, disse-lhes:

Cristo: Saístes armados de espadas e paus, como se viésseis contra um ladrão. Entretanto, Eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra Mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas.

Cronista: Prenderam-No então e conduziram-No à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-O de longe. Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles. Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse:

Sinagoga: Também este homem estava com Ele.

Cronista: Mas ele negou-o:

Sinagoga: Mulher, não O conheço.

Cronista: Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe:

Sinagoga: Também tu és um deles.

Cronista: Pedro respondeu:

Sinagoga: Não, eu não o sou.

Cronista: Passada quase uma hora, afirmava um outro:

Sinagoga: Certamente também este homem estava com Ele, pois também é Galileu.

Cronista: Mas Pedro disse:

Sinagoga: Meu amigo, não sei o que queres dizer.

Cronista: E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo. Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. Saiu dali e chorou amargamente. Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam Dele e davam-Lhe bofetadas. Cobriam-Lhe o rosto e diziam:

Sinagoga: Adivinha, quem foi que Te bateu?

Cronista: E injuriavam-No ainda de outros modos. Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho. Perguntaram-Lhe:

Sinagoga: Dize-nos se és o Cristo!

Cronista: Respondeu-lhes Ele:

Cristo: Se Eu vo-lo disser, não me acreditareis; e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus.

Cronista: Então perguntaram todos:

Sinagoga: Logo, Tu és o Filho de Deus?

Cronista: Respondeu:

Cristo: Vós o dizeis, Eu o Sou.

Cronista: Eles então exclamaram:

Sinagoga: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da Sua boca.

Cronista: Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos, e puseram-se a acusá-Lo:

Sinagoga: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-Se Messias e rei.

Cronista: Pilatos perguntou-Lhe:

Sinagoga: És tu o rei dos judeus?

Cronista: Jesus respondeu:

Cristo: Tu o dizes.

Cronista: Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo:

Sinagoga: Eu não acho neste homem culpa alguma.

Cronista: Mas eles insistiam fortemente:

Sinagoga: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.

Cronista: A estas palavras, Pilatos perguntou se Ele era galileu. E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-O a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém. Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-Lo, por ter ouvido falar Dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por Ele. Dirigiu-Lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-O com violência. Herodes, com a sua guarda, tratou-O com desprezo, escarneceu Dele, mandou revesti-Lo de uma túnica branca e reenviou-O a Pilatos. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro. Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes:

Sinagoga: Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-O eu diante de vós, não O achei culpado de nenhum dos crimes de que O acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-Lo devolveu. Portanto, Ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-Lo-ei depois de O castigar.

Cronista: Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso. Todo o povo gritou a uma voz:

Sinagoga: À morte com este, e solta-nos Barrabás.

Cronista: Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio. Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, mas eles vociferavam:

Sinagoga: Crucifica-O! Crucifica-O!

Cronista: Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio:

Sinagoga: Mas que mal fez Ele, então? Não achei Nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-Lo e, depois, O soltarei.

Cronista: Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo. Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles. Enquanto O conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. Seguia-O uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e O lamentavam. Voltando-Se para elas, Jesus disse:

Cristo: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Então dirão aos montes: caí sobre nós! E aos outeiros: cobri-nos! Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?

Cronista: Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali O crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia:

Cristo: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.

Cronista: Eles dividiram as Suas vestes e as sortearam. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo:

Sinagoga: Salvou a outros, que Se salve a Si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!

Cronista: Do mesmo modo zombavam Dele os soldados. Aproximavam-se Dele, ofereciam-Lhe vinagre e diziam:

Sinagoga: Se és o rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo.

Cronista: Por cima de Sua cabeça pendia esta inscrição: este é o Rei dos judeus. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra Ele:

Sinagoga: Se és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo e a nós!

Cronista: Mas o outro o repreendeu:

Sinagoga: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.

Cronista: E acrescentou:

Sinagoga: Jesus, lembra-Te de mim, quando tiveres entrado no Teu Reino!

Cronista: Jesus respondeu-lhe:

Cristo: Em verdade te digo: hoje estarás Comigo no paraíso.

Cronista: Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. Jesus deu então um grande brado e disse:

Cristo: Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

Cronista: E, dizendo isso, expirou.


Aqui ajoelha-se e faz-se uma breve pausa.


Cronista: Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse:

Sinagoga: Na verdade, este homem era um justo.

Cronista: E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito. Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas. Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, ele esperava o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Ele O desceu da cruz, envolveu-O num pano de linho e colocou-O num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado.


OFERTÓRIO

(Sl 101,2-3)

DÓMINE, exáudi oratiónem meam, et clamor meus ad te pervéniat: ne avértas fáciem tuam a me.


SENHOR, ouvi a minha oração, e chegue até Vós o meu clamor; não afasteis de mim a vossa face.


SECRETA

SÚCIPE, quaésumus, Dómine, munus oblátum, et dignánter operáre: ut, quod passiónis Fílii tui Dómini nostri mystério gérimus, piis afféctibus consequámur. Per eúmdem.


NÓS Vos rogamos, Senhor, aceitai o dom que Vos é oferecido, e, por vossa bondade fazei que alcancemos por nossos piedosos sentimentos os frutos que esperamos, celebrando o mistério da Paixão de vosso Filho, Nosso Senhor. Pelo mesmo Senhor.


Prefácio da Santa Cruz.


COMUNHÃO

(Sl 101,10-14)

POTUM meum cum fletu temperábam: quia élevans allisísti me: et ego sicut foenum árui: tu autem, Dómine, in ætérnum pérmanes: tu exsúrgens miseréberis Sion, quia venit tempus miseréndi ejus.


EU misturo a minha bebida com lágrimas, porque, elevando-me, me despedaçastes e eu sequei como feno. Vós, porém, Senhor, permaneceis para sempre. Levantando-Vos, compadecer-Vos-eis de Sião, porque chegou a hora de Vos compadecerdes de sua desgraça.


PÓSCOMUNHÃO

LARGÍRE séntibus nostris, omnípotens Deus: ut, per temporálem Fílii tui mortem, quam mystéria veneránda testántur, vitam te nobis dedísse perpétuam confidámus. Per eúndem Dóminum.


CONCEDEI às nossas almas, ó Deus onipotente, a graça de crermos confiantemente que nos destes vida eterna pela morte temporal de vosso Filho, de quem estes sublimes Mistérios dão testemunho. Pelo mesmo Senhor.


ORAÇÃO SOBRE O POVO

Oremus.

Humiliáte cápita vestra Deo.

RÉSPICE, quaésumus, Dómine, super hanc famíliam tuam, pro qua Dóminus noster Jesus Christus non dubitávit mánibus tradi nocéntium, et crucis subíre torméntum. Qui tecum vivit et regnat.


Oremos.

Humilhai as vossas cabeças diante de Deus.

SENHOR, humildemente Vos rogamos, olhai propício para esta vossa família, pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo não hesitou em se entregar às mãos dos malfeitores e sofrer o tormento da Cruz, Ele, que sendo Deus, convosco vive e reina.


Pode-se dizer:

V. Benedicámus Dómino.

R. Deo Grátias.


RECURSOS:

COMENTÁRIOS LITÚRGICOS: Dom Gueranger

Partes próprias da Missa: partituras

Sermão:

Meditação: 1 - Quarta Dor de Maria Santíssima – Encontro com Jesus, que carrega a cruz

2 - Jesus é crucificado entre dois ladrões




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