• Apostolado FERR

Missa do Domingo da Santíssima Trindade



DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

I classe, com Glória e Credo, paramentos brancos


Esta celebração apareceu localmente na França e Liege no início do século X, mas já no século VIII, Alcuíno, o grande teólogo e liturgista do reinado de Carlos Magno, escreveu uma Missa votiva em honra do mistério da Santíssima Trindade. Étienne, bispo de Liège, instituiu a festa da Santíssima Trindade em sua diocese em 920. A Ordem de Cluny contribuiu para sua divulgação. Surgia como consequência lógica da Páscoa: depois de reviver a Redenção de Nosso Senhor e a vinda do Espírito Santo, uma celebração especial a honra da Trindade parecia conveniente.


Roma recusou categoricamente tal festa a princípio: Alexander I (1073) afirmava: “Não é o uso de Roma dedicar um dia específico para honrar a Santíssima Trindade, pois a rigor, é honrada todos os dias”[1]. Alexander III (+1181) confirmará esta rejeição. Foi o Papa francês João XXII, em Avignon, que aceitou em 1334 esta festa que agora se espalhou por todo o mundo. Desde então, substituiu definitivamente o I Domingo depois de Pentecostes, o qual era comemorado na Missa e no Ofício até 1960 (depois desta data o I Domingo é celebrado apenas nos dias da féria).


Os cristãos são batizados “em nome do Pai, do Filho e dó Espírito Santo” (Mt 28,19). Antes disso, eles respondem “Creio” à tríplice pergunta que os manda confessar sua fé no Pai, no Filho e no Espírito: “Fides omnium christianorum in Trinitate consistit – A fé de todos os cristãos consiste na Trindade”. O mistério da Santíssima é, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na “hierarquia das verdades de fé”. “Toda a história da salvação não é senão a história da via e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e Único, Pai, Filho e Espírito Santo, se revela, reconcilia consigo e une a si os homens que se afastam do pecado”. A Trindade é um mistério de fé no sentido estrito, um do “mistérios escondidos em Deus que não podem ser conhecidos se não forem revelados do alto”. Sem dúvida, Deus deixou vestígios de seu ser trinitário em sua obra de Criação e em sua Revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade de seu Ser como Santíssima Trindade constitui um mistério inacessível à pura razão e até mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo. O congraçamento do povo de Deus começa no instante em que o pecado destrói a comunhão dos homens com Deus e a dos homens entre si. A convocação da Igreja é por assim dizer a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado (CIC nn. 232.237.761).

A festa de hoje é uma justa homenagem à Santíssima Trindade, uma ação de graças ao Pai e à Sabedoria de Deus e ao Divino Amor, o qual durante o Ano eclesiástico se manifestou de um modo tão admirável na obra da Redenção. Por este motivo se celebra esta solenidade no final da primeira parte do Ano eclesiástica. Não somente neste dia como também em todas as Missas. Devemo-nos lembrar de render graças à Santíssimo Trindade. Sejam nossos cânticos de louvor o prelúdio do cântico perene: Santo, Santo. Santo é o Senhor, Deus dos exércitos, que os Eleitos em união com os Serafins cantam cheios de profunda reverência à Majestade de Deus.


À glória da Santíssima Trindade é oferecido o Santo Sacrifício. Unamo-nos à imolação da Vítima imaculada. Notemos na Santa Missa o Glória Patri, o Glória in excelsis Deo, o final das Orações, o Credo, o Súscipe, Sancta Trínitas, o Prefácio e o Pláceat tibi, Sancta Trínitas. (Dom Beda)



INTRÓITO

(Tb 12,6; Sl 8,2)

BENEDÍCTA sit sancta Trínitas, atque indivísa únitas: confitébimur ei, quia fecit nobíscum misericórdiam suam. PS. Dómine Dóminus noster, quam admirábile est nomen tuum in univérsa terra! Glória Patri. Benedicta sit.


BENDITA seja a Trindade santa e a Unidade indivisa. Louvemo-la, porque foi misericordiosa para conosco. SL. Ó Senhor, Senhor nosso, como é admirável o vosso Nome em toda a terra. V. Glória ao Pai. Bendita seja.


COLETA

OMNÍPOTENS sempitérne Deus, qui dedísti fámulis tuis in confessióne veræ fídei, ætérnæ Trinitátis glóriam agnóscere, et in poténtia majestátis adoráre unitátem: quǽsumus; ut ejúsdem fidei firmitáte, ab ómnibus semper muniámur advérsis. Per Dóminum.


ONIPOTENTE e eterno Deus; que concedestes a vossos servos conhecer na confissão da verdadeira fé a glória da eterna Trindade, e adorar a sua Unidade no poder da Majestade; fazei, Vos pedimos, que, pela firmeza desta mesma fé, sejamos protegidos contra todas as adversidades. Por Nosso Senhor.

E não se faz comemoração do Domingo.


EPÍSTOLA

(Rm 11,33-36)

Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Romános.

O ALTITÚDO divitiárum sapiéntiæ et sciéntiæ Dei : quam incomprehensibília sunt iudícia eius, et investigábiles viæ eius! Quis enim cognovit sensum Dómini? Aut quis consiliárius eius fuit? Aut quis prior dedit illi, et retribuétur ei? Quóniam ex ipso et per ipsum et in ipso sunt ómnia : ipsi glória in sǽcula. Amen.


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos.

Ó PROFUNDIDADE das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Como são incompreensíveis os seus juízos e imperscrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem Lhe deu primeiro alguma coisa para que tenha de receber em troca? Porque d’Ele, e por Ele, e n’Ele são todas as coisas. A Ele seja dada a glória por todos os séculos. Amém.


GRADUAL

(Dn 3,55-56)

BENEDÍCTUS es, Dómine, qui intuéris abýssos, et sedes super Chérubim. V. Benedíctus es, Dómine, in firmaménto cæli, et laudábilis in sǽcula.


BENDITO sois, Senhor, que sondais os abismos e Vos assentais acima dos Querubins. V. Bendito sois Vós Senhor, no firmamento do céu e digno de louvor por todos os séculos.


ALELUIA

(Dn 3,52)

ALLELÚIA, allelúia. V. Benedíctus es, Dómine, Deus patrum nostrórum, et laudábilis in sǽcula. Allelúja.


ALELUIA, aleluia. V. Bendito sois, Senhor, Deus de nossos pais; e digno de louvor por todos os séculos. Aleluia.


EVANGELHO

(Mt 28,18-20)

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Matthǽum.

IN illo témpore : Dixit Iesus discípulis suis : Data est mihi omnis potéstas in cælo et in terra. Eúntes ergo docéte omnes gentes, baptizántes eos in nómine Patris, et Fílii, et Spíritus Sancti : docéntes eos serváre ómnia, quæcúmque mandávi vobis. Et ecce, ego vobíscum sum ómnibus diébus usque ad consummatiónem sǽculi.


Continuação do santo Evangelho segundo São Mateus.

NAQUELE tempo, disse Jesus a seus discípulos: Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todos os povos, e batizai-os em Nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo; e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.


Credo.


OFERTÓRIO

(Tb 12,6)

BENEDÍCTUS sit Deus Pater, unigenitúsque Dei Fílius, Sanctus quoque Spíritus: quia fecit nobíscum misericórdiam suam.


BENDITO seja Deus, o Pai, e o Filho Unigênito de Deus, e também o Espírito Santo, pois foi misericordioso para conosco.


SECRETA

SANCTÍFICA, quǽsumus, Dómine Deus noster, per tui sancti nóminis invocatiónem hujus oblatiónis hóstiam: et per eam nosmetípsos tibi pérfice munus ætérnum. Per Dóminum.


NÓS Vos rogamos, Senhor, nosso Deus, santificai pela invocação de vosso santo Nome essa hóstia que Vos oferecemos, e fazei que por ela, sejamos nós mesmos para Vós uma oblação para a eternidade. Por Nosso Senhor.


Prefácio da Santíssima Trindade.


COMUNHÃO

(Tb 12,6)

BENEDÍCIMUS Deum cæli, et coram ómnibus vivéntibus confitébimur ei: quia fecit nobíscum misericórdiam suam.


BENDIZEMOS o Deus do céu, e o louvaremos perante todos os viventes, pois foi misericordioso para conosco.


PÓSCOMUNHÃO

PROFÍCIAT nobis ad salútem córporis et ánimæ, Dómine Deus noster, hujus sacraménti suscéptio: et sempitérnæ sanctæ Trinitátis, ejusdémque indivíduæ unitátis conféssio. Per Dóminum.


FAZEI, Senhor, nosso Deus, que a recepção deste Sacramento e a confissão da eterna e Santa Trindade e de sua mesma indivisa Unidade, nos aproveitem para a salvação da alma e do corpo. Por Nosso Senhor.


RECURSOS:

COMENTÁRIOS LITÚRGICOS: Dom Gueranger

Partes próprias da Missa: partituras

Intróito: áudio

Coleta em tom solene: partitura

Epístola: partitura / áudio

Gradual: áudio

Aleluia: áudio

Evangelho: partitura-antiquior / áudio

Ofertório: áudio

Comunhão: áudio

Póscomunhão em tom solene: partitura

Sermão:

Meditação: Festa da Santíssima Trindade



[1] Carta ao Bispo de Terdon e De Feriis. Cap. Quoniam. Este decreto foi erroneamente atribuído a Alexandre III.

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