• Apostolado FERR

O Inferno e a parábola da veste nupcial



HOMILIA PARA O XIX DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


O Inferno

Tunc dixit rex ministris: ligatis manibus et pedibus ejus, mittite eum in tenebras exteriores: ibi erit fletus e stridor dentium.


Que terrível sentença! Ela é figura daquela outra que o supremo juiz pronunciará um dia, contra quem chegar ao seu tribunal, sem veste nupcial, isto é, em estado de pecado mortal: Ite, maledicti, in ignem aeternum!


A existência do inferno é uma verdade de fé, e contudo, os cristãos parece que o ignoram e até os pregadores têm receio de falar nele!


Vivemos, sim, na lei do amor e a palavra aterradora a ideia temível de inferno julgamo-la indigna de nós homens que havemos de ser governados e dirigidos pela persuasão.


Tudo isto está certo, mas se o temor servil cria escravos, o temor reverencial de Deus e o temor da sua justiça são, muitas vezes, salutar remédio para quem não sabe deixar-se dominar só pelo amor de Deus.


Nosso Senhor lembra-nos com frequência, em vários lugares do Evangelho, esta tremenda verdade: Inferno, como pai terníssimo mas vigilante que, de tempos a tempos, mostra o cipó aos filhos inconstantes e levianos para os manter no salutar respeito… - Não se pensa bastante no inferno. Memorare novissima tua. “Desçamos lá muitas vezes em vida, para lá não descermos na morte”, dizia S. Bernardo e consideremos:


I - Quais as penas do Inferno?

Mittite eum in tenebras exteriores… O inferno é um cárcere negro e tenebroso, lugar de horror e de tormentos, no qual a justiça de Deus se exerce, durante toda a eternidade, sobre pecadores impenitentes… Duas espécies de pena:


A pena do dano. É a separação, a privação de Deus. É o grande suplício dos réprobos: Discedite a me. O Pecador, em vida, não compreende esta perda, porque o seu coração se afastou de Deus e se ligou às criaturas, a bagatelas e vão prazeres que o distraem e absorvem… Deus é nosso Pai, o nosso soberano bem; perdê-lo é perder tudo! E durante o tempo ficamos insensíveis!


Somos como as criancinhas, cujo pai acaba de falecer e que se divertem com os preparativos dos funerais,... porque não compreendem a infelicidade que as tocou! Como são de lamentar a leviandade e a malícia humanas! O homem só compreende a extensão da sua desgraça quando Deus, no seu tribunal, o amaldiçoa: Discedite a me… Ah! Os santos parece que o compreendiam! S. Inácio: “Senhor, eu posso suportar qualquer outro castigo, mas não ser privado de vós”!


S. João Crisóstomo: “Mais valeria sofrer mil infernos que incorrer na ira de Jesus Cristo…” Ser odioso a Deus, maldito de Deus para sempre!


A pena do sentido. O inferno é um abismo cheio de fogo, fogo horrendo em comparação do qual o fogo da terra é benigno, fogo de pintura junto do verdadeiro, água tépida ao pé de água fervente… Fogo inextinguível, que jamais diminui e que sempre queima as vítimas sem as consumir,... fogo maravilhoso e inteligente, que cruciando os corpos, queima também as almas “miris et variis modis”, na proporção dos crimes cometidos: crucior in hac flama!...


Cada sentido terá seu suplício: os olhos, que empregamos em ver os objetos culpáveis,... cheios de adultérios e impudicícias,... serão condenados a lágrimas sem fim, a trevas espessas, a contemplar demônios horrendo… - Os ouvidos só sentirão gritos de raiva, blasfêmias, maldições… - o olfato será punido com maus gostos… - O gosto com sede ardente (vede o mau rico!) e fome horrível… A mãos, que tantas ações más praticaram, serão carvões ardentes. - Todo o corpo, para o qual procuramos a moleza e o prazer, será mergulhado em fogo.


E não é preciso, que a vivacidade natural da imaginação, crie cores terríficas para atemorizar. É suficiente o quadro tremendo que a Escritura - palavra de Deus! - deixa prever.


Quis poterit habitare de vobis; cum igne devorante? Quis habitabit ex vobis cum ardoribus sempiternis?

Como os homens são insensatos!


II - Desespero e remorso do condenado?

Ibi erit flectus et stridor dentium… Ter perdido Deus e o paraíso, estar condenado ao fogo e aos tormentos eternos, eis o eterno desespero dos infelizes réprobos… Eu estou aqui porque quis, exclamam eles sem fim… Eu podia facilmente salvar-me e estou condenado! Deus tinha-me cumulado de benefícios, Jesus tinha derramado todo o seu sangue por mim, tinha-me chamado com amor, tinha-me oferecido, nos sacramentos, perdão, força, mil graças;... e estou condenado por minha culpa!... Destinado ao Céu, a possuir Deus, a estar com a virgem Mãe e com os santos;... e eis-me aqui a sofrer eternamente, a viver neste lugar de horror na companhia destes hediondos demônios, que me atormentam, sem dó nem vel de momento, uns fumos de honra, umas moedas de dinheiro!


Maldito pecado! Malditos aqueles que a ele nos arrastaram! - Isabel, rainha de Inglaterra dizia: “Que Deus me conceda 40 anos de reinado e eu renuncio ao seu paraíso” Insensata!

Reinou 46 anos, mas que pensará hoje do seu desejo e da sua preferência?


A vergonha, os remorsos, os sarcasmos dos condenados acompanharão estes inúteis lamentos: Ibi erit fletus et stridor dentium!... Montes et colles, cadite super nos, operite nos! Ó cristãos culpados, vós sereis mais duramente punidos que os próprios pagãos!


III - Eternidade do Inferno!

Ligatis manibus et pedibus ejus. O que há de mais tremendo é que estes tormentos durarão sempre in aeternum, jamais terminarão… sempre!


Nunca! Os males e dores desta vida têm, necessariamente, um termo, ainda que seja só a morte temporal; os do inferno persevarão durante toda a eternidade! Ó eternidade!


Passados milhões de anos em suplícios, o condenado não terá avançado mais que no primeiro dia… - O mau rico do Evangelho, está ali há dois mil anos e os seus tormentos são hoje o que foram ao começá-los.


Juntai os anos aos anos, os séculos aos séculos e tudo é nada em relação com a eternidade!

Ó pobre pecador, por menos duma hora de satisfações proibidas, uma eternidade de torturas! Que troca!


Queixamo-nos, gememos com uma doença de um ano dum mês que será com essa dolorosa doença eterna? Foi este pensamento que tornou os mártires fortes, os Santos generosos no sofrimento. Belo exemplo dum piedoso monge, narrado por S. João Climaco. Enquanto cozinhava para toda a comunidade, chorava sempre. - “Porque chorais assim, meu irmão?” - “Penso no fogo do inferno, que, por meus pecados, mereci e procuro suportar o destas fornalhas, para evitar o do inferno”...


Conclusão - E então, irmãos meus caríssimos? estará aqui entre nós, alguém que venha a ser réprobo, condenado a tão horríveis tormentos? Esta questão deve fazer-nos tremer! Desgraçadamente é muito provável que sim. mas quem? Numquid ego sum Domine?


Com certeza podemos dizer que o serão aqueles que vivem como ímpios, surdos às advertências de Deus, que envergonham a Igreja e desesperam os seus párocos, que só se aproximam dos sacramentos para os profanas, que não querem restituir o mal adquirido, que se recusam a perdoar aos seus irmãos: Ite, maledicti, in ignem aeternum!


Ah! pudera eu como S. Patrício, para os conduzir ao arrependimento e preservar de tamanha desgraça, fazer abrir-se a terra e mostrar as chamas do inferno!


Convertei-vos irmãos caríssimos, convertei-vos já e sinceramente, abandonai o pecado, o vício, que certamente, vos conduzem ao inferno; um só pecado mortal, basta para lá fazer cair… Confessemo-nos com boas disposições e frequentemente; peçamos ao Senhor que guarde a nossa alma pura, para que à hora da morte, qualquer que seja aquela em que vier o supremo juiz, qua hora non putatis, nos encontre prontos e dignos de sermos recebidos nas núpcias eternas: Beati servi illi, quos, cum venerit Dominus, invenerit vigilantes: amen dico vobis, quod proecinget se, et faciet illos discumbere, et transiens ministrabit illis. Amen.




MISSA DO XIX DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES




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