O OFÍCIO DIVINO





1. O tempo em que se devem dizer as Horas Canônicas[1]

As Horas canônicas se ordenam, por sua constituição, à santificação das diversas horas do dia natural. Importa, portanto, seja para santificar verdadeiramente o dia, como para recitar com fruto espiritual as mesmas horas, que em sua recitação, se observe o tempo que corresponde mais exatamente ao verdadeiro tempo de cada Hora canônica.

Entretanto, para satisfazer à obrigação de recitar o Ofício divino é suficiente que todas as Horas canônicas se digam no espaço compreendido pelas vinte e quatro horas do dia.


2. As Matinas podem ser antecipadas, por justa causa, para a tarde do dia anterior, porém, não antes das quatorze horas.


3. As Laudes, como são uma oração da manhã, se rezam nas primeiras horas da manhã no coro e em comum, o que também se observa convenientemente na recitação feita por apenas uma pessoa.


4. As Vésperas, mesmo no Tempo da Quaresma e da Paixão, em coro e em comum, se dizem depois do meio-dia; o que se observe convenientemente também na recitação feita por apenas uma pessoa.


5. As Completas são recitadas por todos aqueles que estão obrigados ao Ofício divino, mas, sobretudo, nas famílias religiosas, oportunamente como a última oração ao final do dia, mesmo quando, por justa causa, for necessário antecipar as Matinas do dia seguinte.

Neste caso, o Pater Noster, que de outro modo devia ser dito depois do versículo Adiutorium nostrum, se omite e em seu lugar, quando se recita no coro e em comum, se faz o exame de consciência durante um tempo razoável; depois se dizem o Confiteor e o que segue, como de costume; o que também se observa convenientemente na recitação feita por apenas uma pessoa.


6. O Calendário a ser seguido[2]

O Ofício divino deve ser cumprido segundo o Calendário próprio, ou, em sua falta, segundo o Calendário da Igreja universal, como se indica nos números seguintes.

7. Os beneficiários devem seguir o Calendário de sua igreja (RG n. 53b). Os clérigos diocesanos devem seguir o Calendário da igreja ou do oratório a que estão adscritos de um modo estável (RG n. 53 b); Os religiosos de ambos os sexos adscritos ao coro guardem o Calendário de sua casa (RG n. 56 b); ou, quando assistem ao coro em outra casa de sua Ordem, o Calendário daquela casa em que atualmente residem.

8. Os religiosos que possuem Calendário próprio, mas que não estão obrigados ao coro, observem o Calendário de sua casa (RG n. 56 b); ou, se em outra casa de sua Congregação ou Instituto recitam o Ofício em comum, sigam o Calendário daquela casa na qual residem atualmente.

9. Os religiosos que não possuem Calendário próprio, observem o Calendário de sua igreja (RG n. 53 b), acrescentando, porém, as festas próprias e as concedidas (RG n. 46).

10. Nos seminários e colégios de clérigos diocesanos, confiados aos Religiosos, para a recitação do Ofício divino em comum, seja pelos clérigos, seja também pelos Religiosos, que o recitam em comum juntamente com os clérigos, deve-se observar o Calendário do lugar (RG n. 51 a), acrescentando as festas da igreja do seminário ou do colégio (RG n. 45), com a faculdade de agregar a festa do Titular e a do Santo Fundador dos Religiosos, a quem está confiado o cuidado do seminário.


11. Satisfação da obrigação[3]

Qualquer clérigo diocesano ou qualquer religioso de ambos os sexos, que por qualquer título está obrigado ao Ofício divino e que participa do Ofício em coro ou em comum segundo outro Calendário ou outro Rito distinto do seu, satisfaz a sua obrigação quanto a esta parte do Ofício.

Igualmente, quando alguém participa das Vésperas votivas de alguma solenidade externa, satisfaz com sua obrigação quanto a esta parte do Ofício, contanto que ditas Vésperas tenham sido celebradas íntegras e conforme as rubricas.


12. O modo de ordenar o Ofício Divino em geral[4]: O modo de recitar cada uma das Horas se encontra no Ordinário do Ofício divino. Possuem Matinas com três Noturnos, quer dizer, com nove salmos e com nove leituras:

a) as festas de I e II classe;

b) as férias do Tríduo sacro;

c) a oitava da Natividade do Senhor;

d) a Comemoração de todos os Fiéis defuntos.


13. Possuem Matinas com um único Noturno de nove salmos e três leituras:

a) todos os Domingos, exceto os Domingos da Páscoa e de Pentecostes;

b) todas as férias, exceto as férias do Tríduo sacro.

c) todas as vigílias;

d) as festas de III classe;

e) os dias durante a oitava da Natividade do Senhor;

f) o Ofício de Santa Maria “no sábado”.

14. Possuem Matinas com único Noturno de três salmos e três leituras, os Domingos da Páscoa e de Pentecostes e seus dias durante a oitava. As festas que não possuem I Vésperas e que, por qualquer causa, as adquirem segundo as rubricas, tomam tudo das II Vésperas, excetuando somente aquilo que se indique como próprio para suas I Vésperas.


20. Algumas peculiaridades na ordenação do Ofício divino[5]

Nos Domingos da Páscoa e de Pentecostes e em seus dias durante as oitavas: nas Horas Menores se dizem os salmos do Domingo; porém, em Prima, assim como nas festas, isto é, os salmos 53, 118 i e 118 ii.

No Tríduo sacro, na vigília da Natividade e no Ofício dos defuntos, o Ofício se ordena segundo as rubricas especiais que se encontram no Breviário em seus respectivos lugares.

Nas festas do Senhor de II classe, que ocorrem nos Domingos da Septuagésima, Sexagésima ou Quinquagésima, para as Horas Menores se tomam as antífonas de Laudes, como no Ofício festivo, conservando-se, entretanto, em Prima, os salmos do Domingo, a saber, o salmo 117, 118 i e 118 ii.

21. Nos dias durante a oitava da Natividade do Senhor, livres de festas de Santos, o Ofício se ordena deste modo:

a) as Matinas: possuem nove salmos com três leituras. O invitatório, o hino, as antífonas e os salmos, como na festa da Natividade; o versículo, como no terceiro Noturno da festa; as três leituras, da Escritura ocorrente, com seus responsórios, como se indica para cada dia.

b) para as Laudes: tudo como na festa da Natividade do Senhor.

c) para as Horas Menores: se dizem as antífonas e os salmos do dia em curso como no Saltério; o resto, como na festa da Natividade.

d) para as Vésperas: com exceção do dia 31 de dezembro, as antífonas e os salmos se tomam das II Vésperas da Natividade; desde o capítulo se faz da oitava, como na festa, a não ser que se deva fazer do Domingo seguinte ou de uma festa de I classe.

e) as Completas: do Domingo.

22. No Domingo durante a oitava da Natividade do Senhor, o Ofício se ordena do mesmo modo que nos outros dias durante a oitava (RB n. 175), retendo o que tem de próprio. Mas, no que se refere às leituras de Matinas, observe-se o seguinte:

a) se o Domingo ocorre no dia 26, 27 ou 28 de dezembro, a primeira e a segunda leitura, com seus responsórios, se tomam do primeiro Noturno do dia da Natividade, segundo o modo indicado nas RB n. 221; a terceira, porém, da homilia sobre o Evangelho do dia (RB n. 220 b);

b) se ocorre em outros dias, se dirão a primeira e a segunda leitura da Escritura ocorrente, e a terceira da homilia sobre o Evangelho do dia, como no Ofício dominical (RB n. 220).

23. Nas festas de III classe, tanto universais como particulares, que para certas Horas possuem ou antífonas próprias e salmos do Comum, ou antífonas próprias e salmos especialmente marcados, observem-se as rubricas particulares que no Breviário aparecem nos seus respectivos lugares.


 

[1] RB nn. 142-147. [2] RB nn. 148-154. [3] RB n. 157. [4] RB nn. 160-164. [5] RB nn. 172-177.


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