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Origem e fim do Homem


HOMILIA

Origem e fim do Homem

Por Padre Thiriet


Tu quis es?

Esta pergunta que os Judeus fizeram a S. João Batista, pode fazer-se a qualquer cristão…

Eu faço-a a todos vós, meus irmãos: tu quis es? Quem sois, vós? isto é, donde vindes vós? para onde ides vós? quem vos criou? para que estais vós sobre a terra? grandes verdade, que devem ser o fundamento e a regra de todo o procedimento dos homens neste mundo… É porque se não reflete nisto seriamente, que um tão grande número de cristãos vive mal e se condena.


Primeira verdade: Donde vindes vós? – De Deus.

Vós todos aqui presentes, onde estáveis há cem anos?

O mundo existia como hoje; mas vós, vós estáveis no nada, e Deus podia ter deixado de vos criar...


Agora estais sobre a terra e gozais do benefício da vida, com um corpo dotado de sentidos e órgãos maravilhosos…


Ora donde vos vieram a existência e todos os bens? Do acaso? Palavra vazia de sentido...

Que diríeis vós se eu vos afirmasse que esta Igreja, este relógio são efeito do acaso? - De vossos pais? Eles dir-vos-ão como a mãe dos Macabeus: “Não fui eu que vos dei a vida e a alma... mas o Criador do mundo”... Pois, a não ser assim, donde tiveram eles a vida, os bens que possuem, saúde, forças, talentos, etc? - De vós mesmos? Mas não existindo vós ainda, como pudestes operar? Acaso o nada pode ser causa do ser?


Vós vindes de Deus. Ele é quem vos criou e quem vos deu tudo o que tendes… Ipse fecit nos et non ipsi nos… Manus tuae, Domine, fecerunt me… Tu formasti me, et posuisti super me manum tuam.


Sim, Deus criou-vos por um efeito do seu amor, preferindo-vos a uma infinidade doutras criaturas simplesmente possíveis… Pensa em vós desde toda a eternidade. In caritate perpetua dilexit te... Fez-vos à sua imagem e semelhança e é Ele ainda quem vos sustenta e vos conserva a vida; in ipso enim vivimus, movemur et sumus...


Quantas ações de graças não devemos a Deus? Quão ingratos são, pois, aqueles que nunca lhe agradecem... Benedic anima mea Domino, et omnia quae intra me sunt nomini sancto ejus...


Segunda verdade: A quem pertenceis vós? – a Deus.

Nada é mais evidente... Se vós vindes de Deus, e se é Deus quem vos criou e quem vos deu tudo, é, pois, Senhor vosso, vós sois propriedade sua, pertenceis-lhe absolutamente; Ele pode dispor de vós como lhe aprouver, assim como o obreiro faz à sua obra, o pintor ao quadro que pintou… Tudo quanto nós temos vem dele e a ele pertence: Quid habes quod non accepisti? Nós, portanto, não podemos usar nem dispor desses bens segundo nosso capricho, mas unicamente servir-nos deles para maior glória sua e cumprimento dos seus desígnios e adorável vontade...


Acrescentemos ainda que, tendo-se o homem perdido por culpa sua e tornado escravo do Demônio, Deus teve piedade dele e deu-lhe para o salvar, o seu Filho Único e este entregou-se à morte para o resgatar: “Qui me tantum et semel dicendo fecit, diz S. Bernardo, in reficiendo profecto et dixit multa et gressit mira, et pertulit dura; nec tantum dura, sed et indigna”. Nós pertencemos a deus por dois títulos; Non estis vestri: empti enim estis pretio magno…


Se eu sou todo de Deus porque ele me fez, conclui o santo Doutor, que ajuntarei eu por ter sido resgatado de uma tal maneira?


Terceira verdade: Para que estais vós no mundo? – Para Deus.

Se vós pertenceis a Deus, deveis por isso viver para Ele, e servi-lo como um criado deve servir o seu amo, isto é, deveis consagrar ao seu serviço e à sua glória as faculdades, as forças e os bens que Ele vos deu.


Que faríeis a um criado que, em lugar de trabalhar para o seu Senhor, trabalhasse para si ou para outros? Tudo o que não é feito por Deus, é perdido para a eternidade. “O homem, diz Santo Inácio de Loiola, foi criado para este fim; louvar, reverenciar, servir o senhor seu Deus e chegar assim à salvação eterna”.


Não é esta verdade mais clara do que o dia? Deus, infinitamente sábio, designou a cada criatura o seu fim, o seu destino; com maioria de razão o fez ao homem, a sua obra por excelência. A fé diz-no-lo tão bem, como a razão: Universa propter teipsum operatus es, Domine, Dominum Deum tuum adorabis et illi soli servies. “Fecisti nos ad te, Domine, acrescenta Santo Agostinho, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te”.


Longe de vós o pensamento que Deus vos criou para buscardes riquezas, honras ou prazeres; um tal fim seria indigno do homem e do seu divino Autor…


Vós fostes criados, portanto, para um fim mais alto: para amar a Deus e cumprir em tudo a sua vontade neste mundo e merecer assim gozar a sua vista e a sua glória por toda eternidade.


Isto que distingue o homem dos seres criados sem razão; é a verdadeira fonte da sua grandeza e da sua felicidade… Se operar por outro fim que não seja Deus, o homem avilta-se, degrada-se, perde a paz e merece o inferno… Se, ao contrário, é fiel, Deus prodigaliza-lhe, na outra vida, riquezas que não perecem, a verdadeira glória que não é passageira e a felicidade incomparável e perfeita que é o possuí-lo: Ego ero merces tua magna nimis...


Oh! Porque motivo, pois, os homens compreendem tão mal estas verdades ao mesmo tempo consoladoras e salutares? Filii hominum, usquequo, gravi corde? ut quid diligitis vanitatem et quaeritis mendacium? Homo, cum in honore esset, non intelexit, comparatus est jumentis insipientibus et similis factus est illis.


Conclusão - Meus irmãos, recordai-vos sem cessar da nobreza da vossa origem e da sublimidade dos vossos destinos! Vindes de Deus, pertenceis a Deus, e ides para Deus: que glória e que felicidade! Non cesamus postulantes, ut ambuletis digne Deo, per omnia placentes, in omni opere bono fructificantes… Et hoc oro, ut caritas vestra magis ac magis abundet in scientia et in omni sensu ut probetis potiora, ut sitis sinceri, et sine offensa in diem Christi, repleti fructu justitiae per Jesum Christum, in gloriam et Laudem Dei!



MISSA DO III DOMINGO DO ADVENTO




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