• Apostolado FERR

Pecados da língua e do ouvido



HOMILIA PARA O XI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


Pecados da Língua e do Ouvido

Adducunt ei surdum et mutum.


O surdo-mudo do Evangelho de hoje é a imagem do pecador endurecido… Mas, além disso, lembra-nos um fenômeno muito triste e, infelizmente, também muito comum entre os cristãos: muitos são surdos e mudos, é verdade, para o bem e para as coisas de Deus, mas têm os ouvidos sempre abertos para ouvir o demônio e o mal e a língua sempre solta para ofender a Deus e o próximo. Foi pelo ouvido que Eva começou a ceder ao tentador… Quantos serão condenados por pecados de ouvido e de língua!


I - Pecados de ouvido.

1º. O ouvido foi-nos dado para ouvir a palavra de Deus e as verdade eternas,... até que nos seja concedido ir ouvir a sua voz e a dos Anjos no Céu… Mas, ai! o demônio não se poupa a esforços para nos cativar por este sentido e para, por ele, infiltrar a morte na nossa alma…

Quantos cristãos, por negligência, fraqueza, malícia, abrem os ouvidos a todas as sugestões do demônio, mesmo às mais horrendas;... e a todas as faltas máximas do mundo, as quais estão em oposição inconciliável com as do Evangelho: - a todos os discursos e conversas contra a religião e a virtude, mas sobretudo contra a caridade para com o próximo! -- Corrumpunt bonos mores colloquia mala… - Um santo solitário via os Anjos a voejar em volta dos monges, quando falavam de piedade e os demônios, sob as figuras de feios animais, quando falavam de assuntos mundanos: “Ó meus irmãos, acabai com essas vãs conversas que são a perda das almas”.

Ao contrário, as conversas piedosas fortificam a alma e agradam a Nosso Senhor.


Um dia, que S. Francisco de Assis falava das coisas de Deus com os seus religiosos, apareceu Nosso Senhor no meio deles e abençoou-os dizendo: Pax vobis!


Ai! quantos pecados se cometem nas conversas, sobretudo pecados contra a caridade!... Ora, o ouvido é disso gravemente responsável, porque se os maledicentes e detratores não achassem quem os atendesse, seriam forçados a calar-se.


2º. Vigiemos portanto os nossos ouvidos e fechemo-los inexoravelmente a todas as conversas mal-soantes… Ouvir é ser cúmplice. “Detrahere, aut detrahentem audire, quid damnabilius, non facile dixerim”, afirma S. Bernardo. - Evitemos as más línguas: Cum detractoribus ne commiscearis… Remove a te os pravum, detrahensia labia sint a te procul. - Empeçamos as maledicências, as críticas, as murmurações, se nos for possível e que ao menos, a nossa cara deixe manifestamente perceber que isso nos desagrada…


...Houve um bom monge ao qual foi concedida a graça especial de estar acordado quando as conversas eram piedosas e de adormecer imediatamente que se começava a faltar à caridade…


II - Pecados da língua.

Eis um pequeno membro que tem grande influência sobre nossa vida espíritual. Com a língua pode-se louvar a Deus e fazê-lo conhecer; mas também de quantos pecados não é ela instrumento? - Língua ignis est, diz S. Tiago, universitas iniquitatis, maculat totum corpus, et inflammat rotam nativitatis nostrae, inflammata a gehena (Tiago, 3,6.). E pouco antes escrevera o mesmo Apóstolo: In multis offendimus omnes. Siquis in verbo non offendit, hic perfectus est vir…


1º. Pela língua pode pecar-se contra todas as virtudes, contra a religião, contra a humildade, contra a castidade, contra a justiça; mas as faltas mais comuns são contra a caridade, quer por injúrias, quer por juízos temerários, quer por calúnias e maledicências…


E estes últimos pecados cometem-se de várias formas: acusando o próximo de mal, que não fez; exagerando as suas faltas e defeitos; - interpretando malevolamente o seu procedimento; - negando as suas boas qualidades e ações; - diminuindo o mérito de seus atos; - calando o que de bom há nele, ou deixando-o acusar quando se poderia defendê-lo…

Estas espécies de pecados desagradam imenso a Deus; Detractores Deo odibiles, que os pune de maneira terrível. Vede Maria, irmã de Moisés, coberta de lepra; Coré Dathan e Abiron, engolidos vivos pela terra (Num. XII e XVI).


A língua do maledicente é uma víbora que, com a mesma picada, infecta com o seu veneno três pessoas, uma espada espada que faz três vítimas: o que maldiz, aquele que ouve e aquele de quem se fala…


2º. Quais são os meios de reprimir a língua?

a) Pedir essa graça a Deu: Pone, Domine, diz o salmista, custodiam ori meo, et ostium circunstantiae labiis meis;

b) observar-se severamente e vigiar as palavras que antes de virem à língua devem vir à lima;

c) evitar a companhia dos maledicentes e impedi-los tanto quanto se puder: Detrahentem proximo suo hunc persequebar… Santo Agostinho mandou escrever na sala onde tomava as refeições o dístico seguinte: Quisquis amat dictis absentum rodere vitam hanc mensam vetitam noverit esse sibi.

d) Amar o silêncio e falar pouco: qui custodit os suum, custodit animam suam (Prov. 13,3)... Quantos seriam santos se fossem mudos! - Si quis putat se religiosum esse et non refraenans línguam suam, sed seducens cor hujus vana est religio (Tiago 1,25)...


Conclusão - Ó Jesus, dignai-vos tocar os nossos ouvidos com vossos dedos sagrados, para que eles se conservem sempre fechados ao mal e abertos para o bem. Desligai e santificai a nossa língua, para que ela não pronuncie senão o que for de bom: Loquebar recte, para que dela nos sirvamos para nos invocar, agradecer e glorificar. Dai-nos a graça de sermos surdos e mudos para as coisas más e perigosas, sobretudo para os pecados contra a caridade… Custodiam vias meas ut non deliquam in lingua mea. Amém!



MISSA DO XI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES




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