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Pureza e decência no trajar




CARTA CIRCULAR

de Dom Fernando Arêas Rifan

Por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica

Bispo Administrador Apostólico da

Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney

Ao Revmo. Clero e Fiéis da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Sobre o comportamento do católico, quanto à pureza e a decência no trajar,

sobretudo no verão.



Caríssimos Cooperadores e amados filhos,

saudação, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo.


"Pastores do rebanho, os Bispos sabem que podem contar com uma graça divina especial no cumprimento de seu ministério". Assim começa o Santo Padre o Papa João Paulo II a sua exortação apostólica Pastores Gregis dirigida aos Bispos em 16 de outubro de 2003.


Assim, com a graça de Deus, exercendo o nosso múnus episcopal, vimos lembrar aos nossos diletos cooperadores e amados filhos, as normas perenes da Igreja quanto à pureza, decência e modéstia cristã no trajar.


Estamos no verão e na proximidade do Carnaval, tempo em que crescem as tentações de relaxamento nessas virtudes, fruto do espírito mundano de nossa sociedade paganizada.


O Papa João XXIII já dizia que o que rege a sociedade atual é o antidecálogo, isto é, o oposto aos Mandamentos da Lei de Deus. O mundo vive como se Deus não existisse. Faz do pecado uma coisa normal e natural, sem considera-lo uma ofensa a Deus, Nosso Senhor.

O Papa João Paulo II, na sua encíclica Veritatis Splendor, depois de tratar, no capítulo I, da necessidade da observância dos Dez Mandamentos "para entrar na vida eterna" (Mt 19,17), no capítulo II, desenvolve o pensamento de São Paulo "Não vos conformeis com a mentalidade deste mundo" (Rom 12,2), confirmando a oposição das duas mentalidades, a da Igreja e a do mundo.


Esse antagonismo ficou claro ultimamente na questão dos preservativos, quando a posição moral defendida pela Igreja sofreu violentos ataques, até de órgãos do Governo.


Não pautemos, portanto, o nosso comportamento pelas normas do mundo, mas sim pelas leis de Deus: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo... porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, e isto não vem do Pai, mas do mundo" (I Jo 2, 15-16). E nem estranhemos se o mundo não nos elogiar por isso: "Não vos admireis, irmãos, de que o mundo vos tenha ódio" (I Jo 3,13).


BASE DOUTRINÁRIA: Queremos recordar aqui a sempre atual Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, de 29 de dezembro de 1975, que nos transmite a doutrina do Magistério da Igreja sobre esse ponto:

"O Apóstolo São Paulo descreve, com ferventes palavras, a dura luta que o homem, servo do pecado, experimenta interiormente entre a ‘lei da sua alma’ e outra lei, ‘que está nos seus membros’, que o atrai (Rom 7, 23). No entanto, o homem pode se libertar do ‘corpo de morte’ pela graça de Jesus Cristo (Rom 7,24). Desta graça, portanto, aproveitam os homens, que por ela são justificados e que a lei do espírito de vida em Cristo Jesus libertou da lei do pecado e da morte (Rom 8,2). Por isso o Apóstolo lhes suplica: ‘Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal de maneira que obedeçais às suas concupiscências’(Rom 6,12)."
"Esta libertação, porém, embora nos torne aptos para servir a Deus numa vida nova, de modo algum destrói a concupiscência oriunda do pecado original, nem os convites para o mal neste mundo, que ‘está todo posto no maligno’ (1 Jo 5, 19). Por isso o Apóstolo exorta os féis que vençam os atrativos dos vícios pela força de Deus (1 Cor 10, 13), e consigam ficar firmes ‘contra as ciladas do diabo’ (Ef 6, 11) pela Fé, pelo esforço contínuo da oração (Ef 6,16,18) e pela austeridade de vida, que reduz o corpo à servidão do Espírito (1 Cor 9, 27)."
"A vida cristã, que consiste em seguir as pegadas de Cristo, exige que cada um ‘renuncie a si mesmo e tome a sua cruz cada dia’ (Lc 9, 23), confortado pela esperança do prêmio: ‘pois se morrermos com Ele, também com Ele viveremos; se resistirmos, com Ele também reinaremos’ (2 Tim 2, 11-12)".

CUIDADOS E REMÉDIOS: Continua a declaração da Congregação para a Doutrina da Fé:

"Conforme tais veementes advertências, também os fiéis cristãos de nossos tempos, e hoje então mais do que nunca, devem adotar os meios sempre recomendados pela Igreja para levar uma vida casta, que são: disciplina dos sentidos e da alma, vigilância e prudência para evitar as ocasiões de pecado, guarda do pudor, sobriedade nos prazeres e diversões, ocupações sadias, oração assídua e uso freqüente dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Os jovens, sobretudo, cultivem com empenho a piedade para com a Imaculada Mãe de Deus e se proponham a imitar a vida dos Santos e de outros fiéis cristãos, principalmente jovens, que se sobressaíram dos outros no cultivo da castidade" (AAS LXVIII – 1976, 77-96, n. 12).

DECÊNCIA E MODÉSTIA NO TRAJAR: Na esteira desses ensinamentos da Santa Sé, especialmente da guarda do pudor, meio de se preservar a pureza, assim nos advertia S. Exa. Dom Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória:

"O corpo humano, em si, é bom como toda criatura de Deus. A necessidade que tem o homem de não o expor não procede do corpo humano como Deus o criou, mas do desregramento dos instintos, conseqüência do pecado original. Por isto é que a Igreja recomenda todo o recato no vestuário" (Carta Pastoral sobre problemas do apostolado moderno, Catecismo n. 55, 6/1/1953).

SOBRETUDO NAS IGREJAS: Recordamos esses principios porque, após o reconhecimento canônico da nossa plena comunhão com a Igreja, algumas pessoas poderiam erradamente supor que as normas tradicionais sobre os trajes, teriam cessado de existir e que, de agora em diante, se poderia entrar nas nossas igrejas, com trajes não condizentes com a modéstia cristã. Confiamos ao zelo dos caríssimos sacerdotes a recordação dessas normas da modéstia cristã.


Tais normas já são bem conhecidas dos nossos fiéis, mas, por causa do relaxamento natural e da tentação de imitar o mundo, devem sempre ser lembradas. A eles compete dar o bom exemplo para todos os demais sem, porém, se compararem com os outros ou se julgarem superiores a quem quer que seja.


CARNAVAL: Esse período de tempo, infelizmente famoso pelas imoralidades e devassidões, deve levar-nos não só a fugir desse tipo de diversão pecaminosa como a um grande desejo de desagravo e reparação pelas ofensas cometidas contra Deus, Nosso Senhor. Por isso, recomendamos que se promovam nas Paróquias, e igrejas onde for possível, uma Hora Santa de desagravo durante todos os dias de carnaval, da qual todos os fiéis devem participar. Recomendamos também vivamente que haja retiros espirituais e recolhimentos, fechados ou abertos, para as diversas classes de fiéis, e retiros populares para o povo em geral, na medida da possibilidade.


Confiamos essas recomendações ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, Virgem Puríssima, Mãe da Igreja e Refúgio Misericordioso dos pecadores.


Que esta nossa carta circular seja lida aos fiéis na hora da Missa dominical e comentada nas reuniões das associações religiosas, passada no livro de Tombo e arquivada na Paróquia e na Cúria.


Recomendando-nos às orações de todos, para que sejam meu apoio ao levar a minha cruz episcopal, a todos e a cada um dos sacerdotes e fiéis enviamos afetuosa bênção. Em nome do Pai + e do Filho + e do Espírito + Santo. Amém.


Campos, 6 de janeiro de 2004

Festa da Epifania do Senhor

(a) + Fernando Arêas Rifan

Bispo titular de Cedamusa, Administrador Apostólico





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