• Apostolado FERR

Resposta da Ecclesia Dei (1)



Caros amigos, recebemos uma correspondência valiosa. Trata-se de uma carta de um sacerdote brasileiro que dirigiu “algumas dúvidas que vão aparecendo no exercício do ministério sacerdotal na Forma Extraordinária do Rito Romano” e que são comuns a dito sacerdote e “alguns amigos sacerdotes”.


Até onde sabemos, infelizmente alguns padres aos poucos começam a fazer coisas um tanto estranhas à Missa tridentina ou interpretar as rubricas de forma mais ampla do que deveriam. Por isso, as perguntas nessa consulta recolhe algumas "dúvidas" não porque se queira fazer deste ou daquele modo, mas porque algumas práticas (como o não fazer a inclinação para a Cruz do altar, mas sim para o Missal, o uso do paramento azul, o rezar o último Evangelho ou as Sequências em vernáculo como se fossem leituras para o povo, o silencioso "proibir" o uso do instrumentum pacispor meio de preconceitos etc.) vão se tornando práticas a tal ponto de começar realmente a causar dúvidas sobre o modo de proceder. Daí a consulta feita, para que se tenha a tranquilidade de consciência para fazer o correto, o que a rubrica manda.


Algumas perguntas podem parecer óbvias, mas parece terem sido feitas para tirar qualquer dúvida ou interpretação obscura das rubricas do Missal. Em todo caso, por se tratar de respostas de tal Comissão Pontifícia a carta tem muita importância para nós que estamos ligados à Forma Extraordinária.


Esperamos que essas perguntas e respostas sejam úteis a outros sacerdotes que possam estar passando por alguma dessas dúvidas.


I - CARTA PERGUNTA

[Depois de uma introdução, foram endereçadas as seguintes perguntas:]


1º - Ao “Oremus” das orações Colecta e Postcommunio da Missa a inclinação que nas edições anteriores do Missal estava ordenada em direção à Cruz do altar e que na edição de 1962 não possui especificação de direção deve agora ser feita para o Missal ou para à Cruz?


2º - No mesmo sentido, as demais inclinações que nas edições anteriores do Missal estavam ordenadas para a Cruz durante a Santa Missa (ao Nome de Jesus na Epístola etc.) continuam sendo feitas em direção à Cruz do altar?


3º - Continua em vigor o Decreto da S.C.R. de 08/11/1958 que permite celebrar em todo o Brasil a Solenidade externa da Maternidade da SS. Virgem Maria no 2º Domingo do mês de maio (dia das mães aqui no Brasil)?


4º - No Brasil é permitido usar a cor azul na Liturgia para a festa da Imaculada Conceição (8 de dezembro) e em suas Missas votivas?


5º - Nas Missas Rezadas é permitido ler o Último Evangelho em vernáculo e de frente para o povo?


6º - Os novos Santos canonizados pela Igreja e que não estão no Calendário antigo (da Forma Extraordinária), mas estão no Novo Calendário Universal da Igreja podem ser celebrados na Forma Extraordinária encaixando-os nos seus respectivos Comuns? Se sim, essa celebração deverá ser nos mesmos dias litúrgicos marcados para a Forma Ordinária?


7º - A Missa Cantada pode ser celebrada sem o canto do Evangelho da Missa, sendo este apenas lido em vernáculo?


8º - Um padre que tem por característica ou peculiaridade a celebração da sagrada Liturgia na Forma Extraordinária [...] pode simplesmente deixar de lado o Breviário da Forma Extraordinária e adotar a Liturgia das Horas da Forma Ordinária?


9º - Já não existindo o segundo Confíteor da Missa no Missal de 1962, pode este ser recitado pelos fiéis em comum na Missa como preparação para a sagrada Comunhão (levando em conta que em todo caso os fiéis tem um costume de sempre rezar uma oração neste momento de preparação)? Caso seja permitido o padre dará a absolvição como no primeiro Confiteor?


10º - Para maior proveito dos fiéis, as sequências (como o “Dies irae” e “Stabat Mater”) que aparecem durante o ano podem ser lidas em vernáculo nas Missas Rezadas?


11º - Embora tenha quase caído em desuso (pelo menos no Brasil), o ósculo da paz dado com o Instrumentum durante a Missa e que está no Missal de 1962 continua permitido? Se sim, ele pode ser dado a leigos, no caso de estarem aniversariando (ou em outras datas importantes) ou serem paraninfos ou autoridades presentes?


12º - É permitido aos leigos, por falta de ministros sagrados ou inferiores, ler alguma das Leituras na Solene Vigília Pascal do Sábado Santo ou ajudar a cantar a Paixão na Sexta-feira Santa como Sinagoga ou Cronista?


13º - Fora os casos já previstos no Missal, uma Missa Rezada que segue imediatamente uma procissão considerável realizada pelo celebrante e pelos fiéis poderia começar já no Intróito como, por exemplo, é feito no Domingo de Ramos?


14º - Independente da fundamentação canônica no Código de 1917, a qual já não se encontra no Código de 1983, a Primeira Tonsura Clerical e as Ordens Menores continuam com seu valor litúrgico e formativo como degraus para chegar às Ordens sagradas ou são agora meros ritos pelos quais o candidato ao sacerdócio deve passar?



II - CARTA RESPOSTA (TRADUÇÃO)


Reverendo Senhor,

Em carta datada de 16 de maio, pedia desta Pontifícia Comissão esclarecimento sobre algumas dúvidas litúrgicas.

Esta Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, tendo considerado cuidadosamente todas as dúvidas, julga por bem responder:

À I e II [pergunta]: Faz-se a inclinação para a cruz do altar.

À III: Guardem-se as Rubricas Gerais do Missal Romano, n. 361.[1]

À IV: Guarde-se o costume.

À V: Negativa para ambas as partes.

À VI: Confira a Instrução Universae Ecclesiae, n. 25.[2]

À VII: Negativo, conforme a Instrução Universae Ecclesiae, n. 26.[3]

À VIII: Isso não diz respeito ao ofício desta Pontifícia Comissão.

À IX: Afirmativo para ambas as partes.

À X: Negativo.

À XI: Observe-se o Caeremoniale Episcoporum, livro I, capítulo 26, 6 e capítulo 29, 8.

À XII: Afirmativo para a primeira parte, negativo para a segunda.

À XIII: Negativo.

À XIV: Afirmativo para a primeira parte, negativo para a segunda.

Com certeza estas respostas iluminam intimamente todas as vossas dúvidas.

Passe bem!



Carta resposta da Ecclesia Dei


NOTAS:

[1] 361. As solenidades externas concedidas já anteriormente por especial indulto a certas dioceses, igrejas ou famílias religiosas, conservam todo seu vigor, com a restrição de que estão proibidas nos dias litúrgicos de I classe, e nunca podem celebrar-se mais de duas Missas da mesma solenidade.

[2] 25. No Missal de 1962 poderão e deverão inserir-se novos santos e alguns dos novos prefácios, segundo as diretrizes que ainda hão de ser indicadas.

[3] 26. Como prevê o Motu Proprio Summorum Pontificum no art. 6, precisa-se que as leituras da Santa Missa do Missal de 1962 podem ser proclamadas ou somente em língua latina, ou em língua latina seguida da tradução em língua vernácula ou ainda, nas missas recitadas, só em língua vernácula.





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