• Apostolado FERR

São João Maria Vianney sobre a Palavra de Deus.


Abbé A. Monnin

O ESPÍRITO DO CURA D'ARS

NOS SEUS CATECISMOS, HOMILIAS E CONVERSAÇÃO


PARTE I

O CURA D'ARS NOS SEUS CATECISMOS


CAPITULO VII

CATECISMO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


Meus filhos, não é pouca coisa a palavra de Deus! As primeiras palavras de Nosso Senhor aos seus Apóstolos foram estas: "Ide e instrui..." para fazer-nos ver que a instrução passa à frente de tudo.


Meus filhos, que é que nos faz conhecer a nossa religião? São as instruções que ouvimos. Que é que nos dá o horror do pecado... nos faz enxergar a beleza da virtude... nos inspira o desejo do Céu? As instruções. Que é que faz conhecer aos pais e às mães os deveres que têm a cumprir para com seus filhos, aos filhos os deveres que têm a cumprir para com seus pais? As instruções.


Meus filhos, por que se costuma ser tão cego e tão ignorante? Porque não se faz caso da palavra de Deus. Há alguns que não dizem sequer um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para pedir a Deus a graça de bem ouvi-la e aproveitá-la.


Eu creio, meus filhos, que uma pessoa que não ouve a palavra de Deus como é preciso, não se salvará; não saberá o que é preciso fazer para isso. Mas com uma pessoa instruída há sempre recurso. Por mais que se extravie por toda sorte de maus caminhos, pode-se sempre esperar que ela torne ao bom Deus cedo ou tarde, ainda quando só fosse na hora da morte. Ao passo que uma pessoa que não é instruída é como uma pessoa que definha, como um doente em agonia que não tem mais conhecimento: não conhece nem a grandeza do pecado, nem a beleza da sua alma, nem o preço da virtude; arrasta-se de pecado em pecado como um trapo que arrastam na lama.


Vedes, meus filhos, a estima que Nosso Senhor tem da palavra de Deus; àquela mulher que grita: "Bem-aventurados os peitos que vos criaram e o ventre que vos trouxe!" ele responde: "Quão mais felizes aqueles que escutam a palavra de Deus e a põem em prática!"


Nosso Senhor, que é a própria verdade, não faz menos caso da sua palavra que do seu corpo. Eu não sei se faz mais mal ter distrações durante a missa do que durante as instruções; não vejo diferença. Durante a missa, deixam-se perder os merecimentos da Morte e Paixão de Nosso Senhor, e durante a instrução deixa-se perder a sua palavra, que é Ele próprio. Santo Agostinho diz que é tão mal feito quanto tomar o cálice depois da Consagração e despejá-lo debaixo dos pés.


Meus filhos, muitos terão escrúpulo de faltar à Santa Missa porque, faltando a ela por sua culpa, cometem um grande pecado; mas não têm escrúpulo de faltar a uma instrução. Não pensam que se possa ofender a Deus gravemente desse modo. No dia do Juízo, quando lá estiverdes todos ao meu lado e o bom Deus vos disser: "Dá-me conta das instruções e dos catecismos que ouvistes e dos que poderias ter ouvido!..." haveis de pensar de modo bem diverso.


Meus filhos, sai-se durante as instruções, passa-se a instrução a rir, não se escuta, acredita-se ser sábio demais para vir ao catecismo... acreditais, meus filhos, que isso passará assim? Oh! Não, por certo! Deus disporá as coisas bem diversamente.


Reparai, como é triste! Pais e mães ficaram fora durante as instruções; entretanto, eles são obrigados a instruir os filhos, mas que quereis que eles lhes ensinem? Eles próprios não são instruídos. Tudo isso corre para o inferno... É pena!


Meus filhos, tenho notado que não há momento em que se tenha mais vontade de dormir do que durante as instruções... Dir-me-eis: "Tenho sono demais..." Se eu tomasse um violino, ninguém pensaria em dormir; tudo se mexeria, tudo ficaria alerta...


Meus filhos, escuta-se ainda um padre que convém; mas se é um padre que não convém, metem-no a ridículo... Não se deve agir tão humanamente. Não é ao cadáver que se deve olhar. Seja qual for o padre, é sempre o instrumento de que Deus se serve para distribuir a sua santa palavra. Suponde que fazeis passar licor por um funil: seja o funil de ouro ou de cobre, se o licor for bom será sempre bom.


á uns que se vão embora repetindo em todos os tons: "Os padres dizem bem o que querem". Não, meus filhos, os padres não dizem o que querem; dizem o que há no Evangelho... Os padres que vieram antes de nós disseram o que nós dizemos; os que vierem depois de nós dirão a mesma coisa. Se nós disséssemos coisas que não estivessem no Evangelho, o sr. bispo logo nos proibiria de pregar. Nós só dizemos o que Nosso Senhor ensinou.


Meus filhos, vou citar-vos um exemplo que mostra o que é não crer no que os padres dizem. Havia dois soldados que passavam por um local onde se fazia uma missão. Um deles propôs ao camarada irem ao sermão; e foram. O missionário pregava sobre o inferno: "Acreditais tudo o que diz esse cura? perguntou o menos mau dos dois. — Oh! não, respondeu o outro, acredito que são besteiras para fazer medo ao mundo. — Pois bem! Eu acredito; e para te provar que acredito vou deixar o estado militar e vou entrar num convento. — Vai para onde quiseres! Eu, eu continuo o meu caminho". E eis que, continuando o seu caminho, cai doente e morre. O outro, que estava no convento, soube da morte dele e se põe em orações para que Deus lhe faça conhecer em que estado morrera o companheiro. Um dia, estando a rezar, aparece-lhe o companheiro; ele o reconhece e pergunta-lhe: "Onde estás tu? — No inferno, estou condenado! — Desgraçado! Crês agora no que disse o missionário? — Sim, creio. Os missionários só têm uma falta, é não dizerem a centésima parte das penas que se sofrem aqui".


Meus filhos, penso muitas vezes que o maior número dos cristãos que se condenam, condenam-se por falta de instrução... Entende-se mal a religião. Reparai: eis aqui, por exemplo, uma pessoa que deverá ir ao seu trabalho. Essa pessoa tem o pensamento de fazer grandes penitências, de passar a metade da noite em orações; se for instruída, dirá a si: "Não, não devo fazer isso, porque não poderei cumprir o meu dever amanhã. Terei sono, e a menor coisa me impacientará; ficarei aborrecido todo o dia, não poderei fazer nada, não farei nem a metade do trabalho que faria se tivesse repousado à noite; não devo fazer isso..." Reparai ainda, meus filhos: um servo terá o pensamento de jejuar, mas precisa passar todo o dia a cavar ou a lavrar a terra. Se esse servo for instruído, dirá: "Entretanto, se eu não fizer isto, não poderei contentar meus amos". Pois bem! Que fará ele? Almoçará e se mortificará de outra maneira. Eis o que é preciso fazer; é preciso sempre nos comportarmos do modo que deve dar mais glória a Deus.


Uma pessoa sabe de outra que está na miséria, e tirará de seus pais para aliviar essa miséria. Certamente ela faria muito melhor em pedir do que em tirar. Se os pais recusarem dar-lhe, ela pedirá a Deus que inspire uma pessoa rica a fazer a esmola em lugar dela.


Uma pessoa instruída tem sempre dois guias que marcham na sua frente: o conselho e a obediência.




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