• Apostolado FERR

SERMÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA


Gaudens gaudebo in Domino, et exultabit anima mea in Deo meo!


Alegrando-me alegrar-me-ei no Senhor, e minha alma exultará em meu Deus! Eis o convite da Igreja hoje em todo o Brasil, pois hoje celebramos com muita alegria a celeste Padroeira e Rainha da nossa querida Pátria, a Imaculada Conceição de Maria Aparecida.


Meus irmãos, ao longo do ano litúrgico celebramos a Mãe de Deus sob diversos títulos, cada um mais bonito que o outro e cheios de significados e mistérios. Porém, nenhum título de Maria Santíssima nos é mais caro, mais querido e natural que o de “Aparecida”.


Em outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, percorreram grande distância entre dois portos sem conseguir pegar peixe algum. Foi, então, que lançando a rede mais uma vez pescaram o corpo duma imagem sem a cabeça. “Signum magnum appáruit”: lançando-a novamente pescaram a cabeça da imagem e perceberam que era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, logo apelidada como a Imagem da “Aparecida”.


Esta pesca aconteceu no Porto do Itaguassu. Filipe Pedroso levou-a para sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório onde colocou a Imagem da Aparecida que ali permaneceu até 1743.


Todos os sábados, a vizinhança reunia-se no pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção a Nossa Senhora da Conceição começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. No dia 26 de julho de 1745 foi inaugurada a primeira Capela. Como esta, com o passar dos anos, não comportasse mais o número de devotos, iniciou-se a construção de um novo templo.


Os Papas sempre demonstraram afeto e carinho para com a Mãe Aparecida. No dia 8 de setembro de 1904, por ordem do Papa São Pio X, a Imagem milagrosa foi solenemente coroada, e a 29 de abril de 1908 foi concedido ao Santuário o título de Basílica menor. O Papa Pio XI declarou e proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil a 16 de julho de 1930, “para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus”. No dia 5 de março de 1967 o Papa Paulo VI ofereceu a “Rosa de Ouro” à Basílica de Aparecida. Também o Papa Bento XVI ofereceu a Rosa de Ouro a Nossa Senhora em 2007, e o Papa Francisco fez o mesmo na ocasião dos 300 anos da “aparição” da imagem milagrosa.


Portanto, a festa de hoje nos recorda a proteção da Virgem Maria, sua presença materna e consoladora, experimentada em nossa terra desde 1717, por três pobres pescadores, na aurora de nossa história nacional, como nos recordou o grande Bispo Dom Henrique Soares. As redes vazias dos pobres quase se romperam pela abundância de peixes, após o “aparecimento” da Imagem enegrecida da Imaculada Conceição. Desde então, aquela imagenzinha humilde e feiosa recorda ao Povo brasileiro a presença materna da Mãe do Senhor na nossa história e na nossa terra, nas palavras do mesmo Bispo.


Quantas graças devemos render hoje à misericórdia divina por ter-nos dado como advogada a Virgem Maria, cujas súplicas podem alcançar-nos todas as graças que desejamos! Se Jesus quis dar ao Brasil Sua Santíssima Mãe sob o título de Imaculada, ao qual o povo acrescentou “Aparecida”, é porque quer conceder à Terra de Santa Cruz graças especiais e o auxílio particular de Sua e nossa Mãe.


A Virgem Aparecida é a advogada do Brasil, tão clemente quanto poderosa, e não sabe negar sua proteção a quem a ela recorre. Os olhos desta Mãe de misericórdia fita os olhos tanto dos justos como dos pecadores, a fim de que não caiam; e, se tiverem caído, para ajudar-lhes a que se levantem.


Não há brasileiro, por mais pecador que seja, católico ou não, que se prostrando humildemente diante da Virgem Aparecida seja por ela repelido. Não, Maria não sabe nem soube jamais olhar sem compaixão, nem deixar sem socorro aos desgraçados que recorrem a ela. Não sabe, nem pode, porque foi destinada por Deus para ser a Rainha e Mãe de misericórdia, e como tal incumbe-lhe velar pelos necessitados.


Meus irmãos, no passado a devoção à Nossa Senhora Aparecida foi tão grande que naturalmente foi suplantando aos poucos a devoção a São Pedro de Alcântara, antigo Padroeiro do Brasil, até que a própria Santa Sé, em dezembro de 1962, retirou São Pedro e deixou somente Nossa Senhora como Padroeira de todo o Brasil. Isso dá uma ideia de como nossos pais e avós eram devotos da Mãe Aparecida.


Hoje em dia, apesar da devoção ainda estar presente nos lares católicos, muitas vezes é mais afetiva do que efetiva, ou seja, envolve mais sentimentos do que um movimento do devoto em se guiar pela imitação das virtudes e vida de Nossa Senhora. É necessário que a devoção a Nossa Senhora, especialmente sob o título de Aparecida, nos faça ultrapassar a admiração e nos faça chegar à imitação de sua vida e virtudes.


Precisamos aprender as lições da Virgem que aparece numa pequena imagem, sinal de Sua humildade, lembrando-nos que, de todas as virtudes, a humildade é a rainha; aparece enegrecida pelas águas do rio, sinal do esforço e empenho em nos encontrar, em se manifestar ao povo brasileiro, tal como a esposa dos Cânticos que dizia sou morena, mas sou formosa! Lembrando-nos que é necessário de nossa parte o esforço no cumprimento de nossos deveres, pelos quais nos encaminhamos a Deus; aparece com a cabeça separada do corpo, afim de ser depois unida, assim nos adverte que não bastar estarmos unidos ao corpo, à Igreja de algum modo, mas é necessário estarmos unidos à cabeça da Igreja, Jesus Cristo, e isso se faz de modo perfeito pela imitação da Virgem.


Portanto, com a festa de hoje, festa toda brasileira, renovemos a nossa fé em Deus, na Virgem e na Igreja. Já exortava Santo Ildefonso: Imitámini signáculum fídei Maríae – Imitai a fé insigne de Maria”. Imitemos a fé de Nossa Senhora e roguemos à divina Mãe, que pelo merecimento de sua fé nos alcance uma fé viva, dizendo: “Domina, adauge nobis fidemSenhora, aumentai-nos a fé”. Ao mesmo tempo, exercitemo-nos em fazermos frequentes atos de fé, unindo-os aos da Santa Virgem. Roguemos também por tantos irmãos nossos brasileiros infelizes que vivem fora da Igreja Católica.


Imitemos de Nossa Senhora a sua castidade! Como recompensa de sua pureza singular a Santíssima Virgem obteve de Jesus Cristo o privilégio de poder preservar os seus devotos desde vício e de reerguê-los da queda, se por ventura viessem a cair. Ela quer, porém, que ponhamos em prática os meios de que ela mesma usou, posto que não tivesse necessidade disso. Estes meios são três: a mortificação dos sentidos, em particular da gula e da vista; a fuga das ocasiões e a oração.


Imitemos sua vida de contínua oração, sua caridade para com Deus e para com o próximo. Façamos da vida da Virgem nossa regra, medida e guia. Se Maria, humana como nós, uma vez agraciada, soube corresponder à divina graça, e mesmo na terra socorria o próximo, como o fez nas bodas em Caná mesmo sem ser rogada, muito mais essa mesma Senhora agora no Céu, vendo melhor nossas necessidades, poderá nos socorrer em todas as nossas necessidades e nos assistir com sua poderosa intercessão. Aparecendo no meio de nosso povo, semelhante à nossa gente, a Senhora Aparecida quer estar próxima de cada brasileiro, estar presente em cada família, em nossas igrejas, em nossa vida. Confiemos na intercessão de Maria Santíssima, animados por aquela afirmação dos Santos e da Igreja: Tudo o que Deus pode mandando, Maria também pode suplicando! Ela é a Onipotência suplicante!


Ego diligentes me diligo; et qui mane vigilant ad me, invenient me – diz Nossa Senhora no dia de hoje: Eu amo os que me amam, e os que vigiam desde a manhã por me buscarem, me acharão” (Pv 8, 17). Amemos, pois, a Maria Santíssima! Amemos e imitemos Mãe tão boa e santa, amável e admirável.


Façamos nossa a oração da Igreja hoje: Ó Deus, concedei propício aos que celebramos na terra os louvores desta mesma Virgem Aparecida, mereçamos alcançar, graças às suas preces maternais, a recompensa eterna no Céu. Amém.



Padre Jorge Luís (12/10/2020)


MISSA DE NOSSA SENHORA APARECIDA

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo