• Apostolado FERR

Solene Função Litúrgica da Paixão e Morte do Senhor




SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO E MORTE DO SENHOR

SOLENE FUNÇÃO LITÚRGICA DA SEXTA-FEIRA SANTA

DA PAIXÃO E MORTE DO SENHOR

I classe, paramentos roxos e pretos

Estação em Santa Cruz de Jerusalém


O Ofício solene de hoje é celebrado na basílica chamada Santa Cruz em Jerusalém. Representa esta basílica a cidade de Jerusalém, e, conservando-se nela uma das principais relíquias do santo Lenho, mais particularmente relembra o lugar em que Jesus foi crucificado. O imperador Constantino transformou o palácio de Santa Helena em igreja, agradecendo a vitória que alcançara sobre seu adversário, “no sinal do Cristo”, em 312.


Feria Sexta in Parasceve, é o nome do dia de hoje na liturgia romana. Parasceve, preparação para o grande Sábado. Para nós, preparação para a Ressurreição.


Neste dia, a Igreja não celebra o Santo Sacrifício da Missa. Em sinal de luto e para realçar mais a morte de Nosso Senhor na Cruz, ela congrega os fiéis em redor do Sumo Sacerdote que se oferece como Vítima dos pecados do mundo. É dia de luto universal, em que os nossos corações compassivos se convertem ao seu Deus e Salvador, e deste modo com Ele se preparam para a Ressurreição. O Ofício divino se divide em quatro partes: 1º - as Leituras, 2º - as Orações solenes, 3º - a Adoração da Cruz e 4º - a Sagrada Comunhão.


O altar estará completamente desnudo: sem cruz, sem castiçais, sem toalhas. Se não houver padres ou diáconos que possam oficiar essa função, somente o Celebrante fará isso com quatro clérigos ou acólitos. O celebrante e o diácono se vestirão com amito, alba, cíngulo e estola petra. Também o subdiácono, mas sem estola. Dispostas todas as coisas, vai para o altar como em procissão em absoluto silêncio.


PRIMEIRA PARTE

AS LEITURAS


Esta primeira parte tem a forma de uma antiga missa de catecúmenos. Tudo respira luto e tristeza. O altar está, a princípio, sem luzes e sem toalha. Os sacerdotes entram, em silêncio, e logo se prostram aos pés do altar, representando a humanidade no pecado. Só então se estende uma toalha sobre o altar. Levantam-se os Sacerdotes e começam as leituras do Antigo Testamento e o canto da Paixão segundo São João. Seguem-se as admoestações e orações solenes que a Igreja, Mãe da humanidade, Esposa do Cristo e Sacerdotisa do Altíssimo, faz quase que ao pé da Cruz, pela humanidade inteira. São súplicas ardentes que ela dirige a Deus, pelo Papa, pela hierarquia eclesiástica, por todos os fiéis, pelos hereges, judeus e pagãos. E assim são preparados os corações, e as almas se tornam dispostas para a parte mais importante e solene do dia.


Ao chegar ao altar, todos fazem reverência, e o celebrante, o diácono e o subdiácono se prostram no chão. Os outros estarão de joelhos e profundamente inclinados. Todos rezam em silêncio por algum tempo. A um dado sinal, aqueles que estavam prostrados se erguem, permanecendo de joelhos. O celebrante de pé com as mãos juntas diz:

ORAÇÃO

DEUS, qui peccati veteris hereditariam mortem, in qua posteritatis genus omne successerat, Christi tui, Domini nostri, passione solvisti: da, ut, conformes eidem facti; sicut imaginem terreni, naturae necessitate portavimus, ita imaginem caelestis, gratiae sanctificatione portemus. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.


Ó DEUS, que pela Paixão de vosso Cristo, nosso Senhor, desfizestes os laços da morte causada pelo pecado original, herança que se transmitira a toda a posteridade, concedei-nos a graça de, configurados com o mesmo Cristo, assim como fomos marcados pela fatalidade com a imagem da natureza terrena, assim sejamos igualmente pela santificação com a imagem da graça celestial. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor.

R. Amém.

I LEITURA

(Os 6,1-6)

A primeira parte desta cerimônia começa com a leitura de dois trechos dos Profetas e a história da Paixão segundo São João. Na primeira dessas leituras tiradas do Profeta Oséias, o Senhor anuncia seus desígnios misericordiosos para o seu novo povo, o povo dos gentios, que estava morto e, depois de três dias , deve ressuscitar com este Cristo que ainda não conhece; Efraim e Judá serão tratados de maneira diferente, seus sacrifícios materiais não apaziguaram um Deus que não ama nada além de misericórdia e que rejeita apenas aqueles que são de coração duro.


HAEC dicit Dominus: In tribulatione sua mane consurgent ad me: Venite, et revertamur ad Dominum: quia ipse cepit, et sanabit nos: percutiet, et curabit nos. Vivificabit nos post duos dies: in die tertia suscitabit nos, et vivemus in conspectu eius. Sciemus, sequemurque, ut cognoscamus Dominum: quasi diluculum praeparatus est egressus eius, et veniet quasi imper nobis temporaneus, et serotinus terrae. Quid faciam tibi Ephraim? quid faciam tibi Iuda? Misericordia vestra quasi nubes matutina, et quasi ros mane pertransiens. Propter hoc dolavi in prophetis, occidi eos in verbis oris mei: et iudicia tua quasi lux egredientur. Quia misericordiam volui, et non sacrificium, et scientiam Dei plus quam holocausta.


PALAVRA do Senhor: “Na sua aflição, eles me buscarão desde manhã, dizendo: “Vinde, voltemos ao Senhor! Ele que nos dilacerou, há de curar-nos, ele que feriu, cuidará das nossas chagas. Após dois dias nos dará de novo a vida: ele nos ressuscitará ao terceiro dia, e viveremos diante da sua face. Conheçamos o Senhor! Apliquemo-nos em conhecê-lo! Tão exato como a aurora, ele se erguerá; ele virá a nós como a chuva, como as últimas chuvas que regam a terra.” Que farei por ti, Efraim? Que farei por ti, Judá? Vosso amor é como a bruma da manhã, como o orvalho que logo se desfaz. Foi por isso que os feri por meus profetas, com as palavras da minha boca os massacrei: como a luz, se levantou meu julgamento! Porque é o amor que eu desejo, e não os sacrifícios; o conhecimento de Deus, bem mais que os holocaustos!”


Não se responde: Deo Gratias.


RESPONSÓRIO

(Hb 3,2-3)

DOMINE, audivi auditum tuum, et timui: consideravi opera tua, et expavi.

V. In medio duorum animalium innotesceris: dum appropinquaverint anni cognosceris: dum advenerit, tempus, ostenderis.

V. In eo, dum conturbata fuerit anima mea: in ira, misericordiae memor eris.

V. Deus a Libano veniet, et Sanctus de monte umbroso, et condenso.

V. Operuit coelos maiestas eius: et laudis eius plena est terra.


VOSSA palavra ouvi, Senhor, e tive medo; vossas obras eu vi, e surpreso fiquei.

V. Entre dois animais, Senhor, aparecestes: os anos hão de vir, e sereis conhecido; quando o tempo vier, vós sereis revelado!

V. Embora eu me perturbe, até na vossa ira, haveis de vos lembrar, ó Deus, do vosso amor!

V. Vem do Líbano Deus, e o Santo, da montanha.

V. Seu poder cobre o céu, seu louvor enche a terra!


Terminado o Responsório, todos se levantam, e o celebrante, de pé, diante de seu assento, diz:


ORAÇÃO

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

DEUS, a quo et Iudas reatus sui poenam, et confessionis suae latro praemium sumpsit, concede novis tuae propitiationis effectum: ut sicut in passione sua Iesus Christus Dominus noster diversa utrisque intulit stipendia meritorum; ita nobis, ablato vetustatis errore, resurrectionis suae gratiam largiatur: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó DEUS, de quem judas recebeu o castigo de sua culpa e o ladrão a recompensa de sua profissão de fé, concedei-nos o efeito de vossa misericórdia, a fim de que, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão, a um e outro tratou de modo diferente, segundo os seus méritos, assim também destrua em nós toda a antiga maldade e nos torne participantes da graça de sua Ressurreição. Ele que sendo Deus, convosco vive e reina.

R. Amém.


Depois dessa oração, o subdiácono canta a seguinte lição em tom de Epístola.


II LEITURA

(Ex 12,1-11)

A segunda leitura é retirada do Êxodo e coloca diante dos nossos olhos, o símbolo do Cordeiro Pascal, no momento em que a figura desaparece diante da realidade. Este cordeiro é sem defeito como Emanuel, seu sangue preserva da morte aqueles cujas moradas são aspergidas com ele. Ele não deve apenas ser imolado, mas servir de alimento para aqueles que são salvos por ele. Ele é o manjar do viajante, que o come apressadamente, sem tempo para parar na rápida carreira desta vida. A imolação do antigo e do novo Cordeiro é o sinal da Páscoa.


IN diebus illis: Dixit Dominus ad Moysen et Aaron in terra Aegypti: Mensis iste, vobis principium mensium: primus erit in mensibus anni. Loquimini ad universum coetum filiorum Israel, et dicite eis: Decima die mensis huius tollat unusquisque agnum per familias et domos suas. Sin autem minor est numerus, ut sufficere possit ad venscendum agnum, assumet vicinum suum qui iunctus est domui suae, iuxta numerum animarum quae sufficere possunt ad esum agni. Erit autem agnus absque macula, masculus, anniculus: iuxta quem ritum tolletis et haedum. Et servabitis eum usque ad quartamdecimam diem mensis huius: immolabitque eum universa multitudo filiorum Israel ad vesperam. Et sument de sanguine eius, ac ponent super utrumque postem, et in superliminaribus domorum, in quibus comedent illum. Et edent carnes nocte illa assas igni, et azymos panes cum lactucis agrestibus. Non comedetis ex eo crudum quid, nec coctum aqua, sed tantum assum igni: caput cum pedibus eius et intestinis vorabitis. Nec remanebit quidquam ex eo usque mane. Si quid residuum fuerit, igne comburetis. Sic autem comedetis illum: menta habebitis in pedibus, tenentes baculos in manibus, et comedetis festinanter: est enim Phase (id est transitus) Domini.


NAQUELES dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egito: “Este mês será para vós o começo dos meses, ele será para vós o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: No décimo dia deste mês, tome-se um cordeiro por família, um cordeiro por casa. Se a família for pouco numerosa, tomará consigo o vizinho mais próximo, para ter a conta certa de pessoas: quantas for preciso para consumir o cordeiro. Será um cordeiro sem defeito, macho, nascido naquele ano; para um cabrito seguireis a mesma regra. Vós o mantereis de reserva até o décimo quarto dia desse mês, e toda a assembleia dos filhos de Israel o imolará à tarde. Tomarão do seu sangue, e o colocarão nos dois umbrais da porta, e sobre a verga, nas casas onde se coma o cordeiro. Durante esta noite, comer-se-á a carne assada ao fogo; e com pães ázimos e ervas amargas. Vós não comereis nada que seja cru ou cozido com água, mas unicamente assado ao fogo; comereis a cabeça, e também os pés e as entranhas. Dele nada conservareis até a manhã; o que restar pela manhã, queimá-lo-eis ao fogo. E vós o comereis assim: tereis um cinto aos rins, sandálias nos pés, bastão na mão, e o comereis às pressas, porque é a Páscoa do Senhor, isto é, sua Passagem.”


RESPONSÓRIO

(Sl 139,2-10.14)

ERIPE me, Domine, ab homine malo: a viro iniquo libera ma.

V. Qui cogitaverunt militias in corde: tota die constituebant praelia.

V. Acuerunt linguas suas sicut serpentis: venenum aspidum sub labiis eorum.

V. Custodi me, Domine, de manu peccatoris: et ab hominibus iniquis libera me.

V. Qui cogitaverunt supplantare gressus meos: absconderunt superbi laqueum mihi.

V. Et funes extenderunt in laqueum pedibus meis, iuxta iter scandalum posuerunt mihi.

V. Dixi Domino, Deus meus es tu: exaudi, Domine, vocem orationis meae.

V. Domine, Domine virtus salutis meae obumbra caput meum in die belli.

V. Ne tradas me a desiderio meo peccatori: cogitaverunt adversus me: ne derelinquas me, ne unquam exaltentur.

V. Caput circuitus eorum: labor labiorum opsorum operiet eos.

V. Verumtamen iusti confitebuntur nomini tuo: et habitabunt recti cum vultu tuo.


ARRANCAI-ME, Senhor, do homem maligno; libertai-me do homem prepotente!

V. Dos que tramam ciladas no seu peito, fazem planos de guerra o dia todo.

V. São serpentes que afiam suas línguas, e que escondem na boca o seu veneno.

V. Libertai-me das mãos dos pecadores, e salvei-me, Senhor, do prepotente.

V. Fazer-me tropeçar é o seu desejo: preparam contra mim os seus ardis.

V. Escondem laços pelos meus caminhos, armam ciladas pela minha estrada.

V. Mas eu digo ao Senhor: “Sois o meu Deus! escutai, ó Senhor, minha oração!

V. Ó Senhor, minha força e salvação; guardai a minha fronte no combate!

V. Que eu não tombe, Senhor, nas mãos dos ímpios; tramaram contra mim, mas não triunfem!”

V. Tombem as ameaças dos seus lábios sobre a fronte daqueles que me agridem.

V. Os justos louvarão o vosso nome, Senhor, e os que tem o coração reto viverão na vossa presença.


PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO JOÃO

(Jo 18,1-40; 19,1-42)


Procede-se imediatamente ao canto ou leitura da Paixão do Senhor. Acompanham ao canto o leitor, dois acólitos sem velas e sem incenso. Postos os ministros profundamente inclinados diante do celebrante, este lhes diz em voz alta: Dominus sit in cordibus vestris et in labiis vestris. Os ministros colocam-se retos, e respondem: Ámen. E feita outra reverência ao altar, vão cantar a Paixão ao lado do Evangelho. Se o próprio Celebrante vai cantar ou ler a Paixão, inclinando-se profundamente no meio do presbitério diz: Dominus sit in corde meo et in labiis meis. Amén. Sem Dominus vobiscum e sem se persignar, começa dizendo:


Cronista: In illo tempore: Egressus est Iesus cum discipulis suis trans torrentem Cedron, ubi erat hortus, in quem introivit ipse, et discipuli eius Sciebat autem et Iudas, qui tradebat eum, locum: quia frequenter Iesus convenerat illuc cum discipulis suis. Iudas ergo cum accepisset cohortem, et a pontificibus et pharisaeis ministros, venit illuc cum laternis, et facibus, et armis. Iesus itaque sciens omnia quae ventura erant super eum, processit, et dixit eis:

Cristo: Quem quaeritis?

Cronista: Responderunt ei:

Sinagoga: Iesum Nazarenum.

Cronista: Dicit eis Iesus:

Cristo: Ego sum.

Cronista: Stabat autem et Iudas, qui tradebat eum, cum ipsis. Ut ergo dixit eis: Ego sum: abierunt retrorsum, et ceciderunt in terram. Iterum ergo interrogavit eos:

Cristo: Quem quaeritis?

Cronista: Illi autem dixerunt,

Sinagoga: Iesum Nazarenum.

Cronista: Respondit Iesus:

Cristo: Dixi vobis, quia ego sum: si ergo me quaeritis, sinite hos abire.

Cronista: Ut impleretur sermo, quem dixit: Quia quos dedisti mihi, non perdidi ex eis quemquam. Simon ergo Petrus habens gladium eduxit eum: et percussit pontificis servum: et abscidit auriculam eius dexteram. Erat autem nomen servo Malchus. Dixit ergo Iesus Petro:

Cristo: Mitte gladium tuum in vaginam. Calicem, quem didit mihi Pater, non bibam illum?

Cronista: Cohors ergo, et tribunus, et ministri Iudaeorum comprehenderunt Iesum, et ligaverunt eum: et adduxerunt eum ad Annam primum; erat autem socer Caiphae, qui erat pontifex anni illius. Erat autem Caiphas, quo consilium dederat Iudaeis: Quia expedit unum hominem mori pro populo. Sequebatur autem Iesum Simon Petrus, et alius discipuluS. Discipulus autem ille erat notus pontifici, et introivit cum Iesu in atrium pontificiS. Petrus autem stabat ad ostium foris. Exivit ergo discipulus alius, qui erat notus pontifici, et dixit ostiariae: et introduxit Petrum. Dicit ergo Petro ancilla ostiaria:

Sinagoga: Numquid et tu ex discipulis es hominis istius?

Cronista: Dicit ille:

Sinagoga: Non sum.

Cronista: Stabant autem servi, et ministri ad prunas, quia frigus erat, et calefaciebant se. Erat autem cum eis et Petrus stans, et califaciens se. Pontifex ergo interrogavit Iesum de discipulis suis, et de doctrina eius. Respondit ei Iesus:

Cristo: Ego palam locutus sum mundo: ego semper docui in synagoga, et in templo, quo omnes Iudaei conveniunt: et in occulto locutus sum nihil. Quid me interrogas? interroga eos, qui audierunt quid locutus sim ipsis: ecce hi sciunt quae dixerim ego.

Cronista: Haec autem cum dixisset, unus assistens ministrorum dedit alapam Iesu, dicens:

Sinagoga: Sic respondes pontifici?

Cronista: Respondit ei Iesus:

Cristo: Si male locutus sum, testimonium perhibe de malo: si autem bene, quid me caedis?

Cronista: Et misit eum Annas ligatum ad Caipham pontificem. Erat autem Simon Petrus stans, et calefaciens se. Dixerunt ergo ei:

Sinagoga: Numquid et tu ex discipulis eius es?

Cronista: Negavit ille, et dixerit:

Sinagoga: Non sum.

Cronista: Dicit ei unus ex servis pontificis, cognatus eius, cuius abscidit Petrus auriculam:

Sinagoga: Nonne ego te vidi in horto cum illo?

Cronista: Iterum ergo negavit Petrus: et statim gallus cantavit. Adducunt ergo Iesum a Caipha in praetorium. Erat autem mane: et ipsi non introierunt in praetorium, ut non contaminarentur, sed ut manducarent pascha. Exivit ergo Pilatus ad eos foras, et dixit:

Sinagoga: Quam accusationem affertis adversus hominem hunc?

Cronista: Responderunt, et dixerunt ei:

Sinagoga: Si non esset hic malefactor, non tibi tradidissemus eum.

Cronista: Dixit ergo eis Pilatus:

Sinagoga: Accipite eum vos, et secundum legem vestram iudicate eum.

Cronista: Dixerunt ergo ei Iudaei:

Sinagoga: Nobis non licet interficere quemquam.

Cronista: Ut sermo Iesu impleretur, quem dixit, significans qua morte esset morituru. Introivit ergo iterum in praetorium Pilatus et vocavit Iesum, et dixit ei:

Sinagoga: Tu es Rex Iudaeorum?

Cronista: Respondit Iesus:

Cristo: A temetipso hoc dicis, an alii dixerunt tibi de me?

Cronista: Respondit Pilatus:

Sinagoga: Numquid ego Iudaeus sum? Gens tua, et pontifices tradiderunt te mihi: quid fecisti?

Cronista: Respondit Iesus:

Cristo: Regnum meum non est de hoc mundo. Si ex hoc mundo esset regnum meum, ministri mei utique decertarent ut non traderer Iudaeis: nun autem regnum meum non est hin.

Cronista: Dixit itaque est Pilatus:

Sinagoga: Ergo Rex es tu?

Cronista: Respondit Iesus:

Cristo: Tu dicis quia Rex sum ego. Ego in hoc natus sum, et ad hoc veni in mundum, ut testimonium perhibeam veritati: omnis, qui est ex veritate, audit vocem meam.

Cronista: Dicit ei Pilatus:

Sinagoga: Quid est veritas?

Cronista: Et cum hoc dixisset, iterum exivit ad Iudaeos, et dicit eis:

Sinagoga: Ego nullam invenio in eo causam. Est autem consuetudo vobis ut unum dimittam vobis in Pasha: vultis ergo dimittam vobis Regem Iudaeorum?

Cronista: Clamverunt ergo rursum omnes, dicentes:

Sinagoga: Non hunc, sed Barabbam.

Cronista: Erat autem Barabbas latro. Tunc ergo apprehendit Pilatus Iesum, et flagellavit. Et milites plectentes coronam de spinis, imposuerunt capiti eius: et veste purpurea circumdederunt eum. Et veniebant ad eum, et dicebant:

Sinagoga: Ave Rex Iudaeorum.

Cronista: Et dabant ei alapas. Exivit ergo iterum Pilatus foras, et dicit eis:

Sinagoga: Ecce adduco vobis eum foras, ut cognoscatis quia nullam invenio in eo causam.

Cronista: (Exivit ergo Iesus portans coronam spineam, et purpureum vestimentum.) Et dicit eis:

Sinagoga: Ecce homo.

Cronista: Cum ergo vidissent cum pontifices et ministri, clamabant, dicentes:

Sinagoga: Crucifige, crucifige eum.

Cronista: Dicit eis Pilatus:

Sinagoga: Accpipte eum vos, et crucifigite: ego enim non invenio in eo causam.

Cronista: Responderunt ei Iudaei:

Sinagoga: Nos legem habemus, et secundum legem debet mori, quia Filium Dei se fecit.

Cronista: Cum ergo audisset Pilatus hunc sermonem, magis timuit. Et ingressus est praetorium iterum: et dixit ad Iesum:

Sinagoga: Unde es tu?

Cronista: Iesus autem responsum non dedit ei. Dicit ergo ei Pilatus:

Sinagoga: Mihi non loqueris? Nescis quia potestatem habeo crucifigere te, et potestatem habeo dimittere te?

Cronista: Respondit Iesus:

Cristo: Non haberes potestatem adversum me ullam, nisi tibi datum esset desuper. Propterea qui me tradidit tibi, maius peccatum habet.

Cronista: Et exinde quaerebat Pilatus dimittere eum. Iudaei autem clamabant, dicentes:

Sinagoga: Si hunc dimittis, non es amicus Caesaris. Omnis enim qui se regem facit, contradicit Caesari.

Cronista: Pilatus autem cum audisset hos sermones, adduxit foras Iesum, et sedit pro tribunali, in loco qui dicitur Lithostrotos, hebraice autem Gabbatha. Erat autem Parasceve Paschae, hora quasi sexta, et dicit Iudaeis:

Sinagoga: Ecce Rex vester.

Cronista: Illi autem clamabant:

Sinagoga: Tolle, tolle, crucifige eum.

Cronista: Dicit eis Pilatus:

Sinagoga: Regem vestrum crucifigam?

Cronista: Responderunt pontifices:

Sinagoga: Non habemus regem, nisi Caesarem.

Cronista: Tunc ergo tradidit eis illum ut crucifigeretur. Susceperunt autem Iesum, et eduxerunt. Et baiulans sibi crucem, exivit in eum, qui dicitur Calvariae, locum, hebraice autem Golgotha: ubi crucifixerunt eum, et cum eo alios duos hinc et hinc, medium autem Iesum. Scripsit autem et titulum Pilatus: et posuit super crucem. Erat autem scriptum: Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum. Hunc ergo titulum multi Iudaeorum legerunt, quia prope civitatem erat locus ubi crucifixus est Iesus. Et erat scriptum hebraice, graece et latine. Dicebant ergo Pilato pontifices Iudaeorum:

Sinagoga: Noli scribere, Rex Iudaeorum, sed quia ipse dixit: Rex sum Iudaeorum.

Cronista: Respondit Pilatus:

Sinagoga: Quod scripsi, scripsi.

Cronista: Milites ergo cum crucifixissent eum, acceperunt vestimenta eius (et fecerunt quatuor partes: unicuique militi partem), et tunicam. Erat autem tunica inconsutilis, desuper contexta per totum. Dixerunt ergo ad invicem:

Sinagoga: Non scindamus eam, sed sortiamur de illa cuius sit.

Cronista: Ut Scriptura impleretur, dicens: Partiti sunt vestimenta mea sibi: et in vestem meam miserunt sortem. Et milites quidem haec fecerunt. Stabant autem iuxta crucem Iesu mater eius, et soror matris eius Maria Cleophae, et Maria Magdalene. Cum videsset ergo Iesus matrm, et discipulum stantem, quem diligebat, dicit matri suae:

Cristo: Mulier, ecce filius tuus.

Cronista: Deinde dicit discipulo:

Cristo: Ecce mater tua.

Cronista: Et ex illa hora accepit eam discipulus in sua Postea sciens Iesus quia omnia consummata sunt, ut consummaretur Scriptura, dixit:

Cristo: Sitio.

Cronista: Vas ergo erat positum aceto plenum. Illi autem spongiam plenam aceto, hyssopo circumponentes, obtulerunt ori eius. Cum ergo accepisset Iesus acetum, dixit:

Cristo: Consummatum est.

Cronista: Et inclinato capite, tradidit spiritum.


Hic genuflectitur, et pausatur aliquantulum.


Cronista: Iudaei ergo (quoniam Parasceve erat) ut non remanerent in cruce corpora sabbato (erat enim magnus dies ille sabbati), rogaverunt Pilaum, ut frangerentur eorum crura, et tollerentur. Venerunt ergo milites: et primi quidem fregerunt crura, et alterius qui crucifixus est cum eo. Ad Iesum autem cum venissent, ut viderunt eum iam mortuum, non fregerunt eius crura: sed unus militum lancea latus eius aperuit, et continuo exivit sanguis et aqua. Et qui vidit, testimonium perhibuit: et verum est testimonium eius. Et ille scit, quia vera dicit: ut et vos credatis. Facta sunt enim haec ut Scriptura impleretur: Os non comminuetis ex eo. Et iterum alia Scriptura dicit: Videbunt in quem transfixerunt. Post haec autem rogavit Pilatum Ioseph ab Arimathaea (eo quod esset discipulus Iesu, occultus autem propter metum Iudaeorum), ut tolleret corpus Iesu. Et permisit Pilatus. Venit ergo, et tulit corpus Iesu. Venit autem et Nicodemus, qui venerat ad Iesum nocte primum, ferens mixturam myrrhae, et aloes, quasi libras centum. Acceperunt ergo corpus Iesu, et ligaverunt illud linteis cum aromatibus, sicut mos est Iudaeis sepelire. Erat autem in loco, ubi crucifixus est, hortus: et in horto monumentum novum, in quo nondum quisquam positus erat. Ibi ergo propter Parasceven Iudaeorum, quia iuxta erat monumentum, posuerunt Iesum.








Cronista: Naquele tempo, Jesus saiu com os Seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os Seus discípulos. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas. Como Jesus soubesse tudo o que havia de Lhe acontecer, adiantou-Se e perguntou-lhes:

Cristo: A quem buscais?

Cronista: Responderam:

Sinagoga: A Jesus de Nazaré.

Cronista: Disse-lhes:

Cristo: Sou Eu.

Cronista: Também Judas, o traidor, estava com eles. Quando lhes disse Sou Eu, recuaram e caíram por terra. Perguntou-lhes Ele, pela segunda vez:

Cristo: A quem buscais?

Cronista: Disseram:

Sinagoga: A Jesus de Nazaré.

Cronista: Replicou Jesus:

Cristo: Já vos disse que Sou Eu. Se é, pois, a Mim que buscais, deixai estes ir.

Cronista: Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12). Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita (O servo chamava-se Malco). Mas Jesus disse a Pedro:

Cristo: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber Eu o cálice que o Pai Me deu?

Cronista: Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e O ataram. Conduziram-No primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo. Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou com a porteira, e esta deixou Pedro entrar. A porteira perguntou a Pedro:

Sinagoga: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem?

Cronista: Respondeu ele:

Sinagoga: Não o sou.

Cronista: Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se. O sumo sacerdote indagou Jesus acerca dos Seus discípulos e da Sua doutrina. Jesus respondeu-lhe:

Cristo: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. Por que Me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que lhes ensinei.

Cronista: A essas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo:

Sinagoga: É assim que respondes ao sumo sacerdote?

Cronista: Replicou-lhe Jesus:

Cristo: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que Me bates?

Cronista: Anás enviou-O preso ao sumo sacerdote Caifás. Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe:

Sinagoga: Não és porventura, também tu, dos Seus discípulos?

Cronista: Negou-o, dizendo:

Sinagoga: Não sou!

Cronista: Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha:

Sinagoga: Não te vi eu com Ele no horto?

Cronista: Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou. Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa. Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou:

Sinagoga: Que acusação trazeis contra este homem?

Cronista: Responderam-lhe:

Sinagoga: Se este não fosse malfeitor, não O teríamos entregue a ti.

Cronista: Disse, então, Pilatos:

Sinagoga: Tomai-O e julgai-O vós mesmos segundo a vossa lei.

Cronista: Responderam-lhe os judeus:

Sinagoga: Não nos é permitido matar ninguém.

Cronista: Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19). Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe:

Sinagoga: És tu o rei dos judeus?

Cronista: Jesus respondeu:

Cristo: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que te disseram de Mim?

Cronista: Disse Pilatos:

Sinagoga: Acaso sou eu judeu? A Tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-Te a mim. Que fizeste?

Cronista: Respondeu Jesus:

Cristo: O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, os Meus súditos certamente teriam pelejado para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o Meu Reino não é deste mundo.

Cronista: Perguntou-lhe então Pilatos:

Sinagoga: És, portanto, rei?

Cronista: Respondeu Jesus:

Cristo: Sim, Eu sou rei.

É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a Minha voz.

Cronista: Disse-lhe Pilatos:

Sinagoga: Que é a verdade?...

Cronista: Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes:

Sinagoga: Não acho Nele crime algum. Mas é costume entre vós que pela Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?

Cronista: Então todos gritaram novamente e disseram:

Sinagoga: Não! A este não! Mas a Barrabás!

Cronista: Barrabás era um salteador. Pilatos mandou então flagelar Jesus. Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-No com um manto de púrpura. Aproximavam-se Dele e diziam:

Sinagoga: Salve, rei dos judeus!

Cronista: E davam-Lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes:

Sinagoga: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho Nele nenhum motivo de acusação.

Cronista: Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse:

Sinagoga: Eis o homem!

Cronista: Quando os pontífices e os guardas O viram, gritaram:

Sinagoga: Crucifica-O! Crucifica-O!

Cronista: Falou-lhes Pilatos:

Sinagoga: Tomai-O vós e crucificai-O, pois eu não acho Nele culpa alguma.

Cronista: Responderam-lhe os judeus:

Sinagoga: Nós temos uma lei, e segundo essa lei Ele deve morrer, porque Se declarou Filho de Deus.

Cronista: Essas palavras impressionaram Pilatos. Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus:

Sinagoga: De onde és Tu?

Cronista: Mas Jesus não lhe respondeu. Pilatos então Lhe disse:

Sinagoga: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para Te soltar e para Te crucificar?

Cronista: Respondeu Jesus:

Cristo: Não terias poder algum sobre Mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem Me entregou a ti tem pecado maior.

Cronista: Desde então Pilatos procurava soltá-Lo. Mas os judeus gritavam:

Sinagoga: Se O soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador.

Cronista: Ouvindo essas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, em hebraico Gábata. (Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta) Pilatos disse aos judeus:

Sinagoga: Eis o vosso rei!

Cronista: Mas eles clamavam:

Sinagoga: Fora com Ele! Fora com ele! Crucifica-o!

Cronista: Pilatos perguntou-lhes:

Sinagoga: Hei de crucificar o vosso rei?

Cronista: Os sumos sacerdotes responderam:

Sinagoga: Não temos outro rei senão César!

Cronista: Entregou-O então a eles para que fosse crucificado. Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a Sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. Ali O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos:

Sinagoga: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus.

Cronista: Respondeu Pilatos:

Sinagoga: O que escrevi, escrevi.

Cronista: Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros:

Sinagoga: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será.

Cronista: Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados. Junto à cruz de Jesus estavam de pé Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu Sua Mãe e perto dela o discípulo que Ele amava, disse à Sua Mãe:

Cristo: Mulher, eis aí Teu filho.

Cronista: Depois disse ao discípulo:

Cristo: Eis aí tua mãe.

Cronista: E dessa hora em diante o discípulo A levou para a sua casa. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse:

Cristo: Tenho sede.

Cronista: Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-Lhe à boca. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse:

Cristo: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.


Aqui todos se ajoelham e fazem uma breve pausa.


Cronista: Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com Ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como O vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-Lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46). E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. No lugar em que Ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.

Não se responde nada.


SEGUNDA PARTE

ORAÇÕES SOLENES


Depois do canto da Paixão, o celebrante e os ministros revestem os paramentos pretos. Enquanto isso, dois acólitos colocam uma única toalha sobre o altar, colocando o missal no meio dele. Então o celebrante vai ao altar com os ministros, oscula-o no meio, e em pé, tendo o livro diante de si, começa as orações, acompanhando-o, em ambos os lados, os ministros. Primeiro a intenção da da oração é anunciada. Dizendo flectamus genua todos se ajoelham por uns momentos e à palavra Levate se todos se levantam. Terminada a oração, todos respondem: Ámen.


PELA SANTA IGREJA

OREMUS, dilectissimi nobis, pro Ecclesia sancta Dei: ut eam Deus et Dóminus noster pacificare, adunare et custodire dignetur toto orbe terra rum: subiciens ei principatus et potestates: detque nobis, quietarn et tranquillam vitarn degentibus, glorificare Deum Patrem omnipotentem.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, qui gloriam tuam omnibus in Christo gentibus revelasti: custodi opera misericordise tuas; ut Ecclesia tua, toto orbe diffusa, stabili fide in confessione tui nominis perseveret. Per eundem Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


OREMOS, irmãos caríssimos pela santa Igreja de Deus, para que Deus, Nosso Senhor, se digne dar-lhe a paz, conservá-la em união e defendê-la por toda a terra, sujeitando-lhe os principados e potestades deste mundo, e nos conceda uma vida calma e tranquila, para glorificarmos a Deus, Pai onipotente.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, que em Cristo revelastes a vossa glória a todas as nações, conservai as obras, de vossa misericórdia a fim de que vossa Igreja por espalhada todo o mundo, persevere com fé constante na confissão de vosso Nome. Por mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELO SUMO PONTÍFICE

OREMUS et pro beatissimo Papa nostro N., ut Deus et Dominus noster, qui elegit eum in ordine episcopatus, salvum atque incolumem custodiat Ecclesiae suae sanctae, ad regendum populum sanctum Dei.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, cuius iudicio universa fundantur: respice propitius ad preces nostras, et electum nobis Antistitem tua pietate conserva; ut christiana plebs, quae te gubernatur auctore, sub tanto pontifice, credulitatis suae meritis augeatur. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


OREMOS também por nosso Santíssimo Padre, o Papa N., para que Deus, Nosso Senhor, que o elegeu na ordem do Episcopado, o conserve salvo e incólume para bem de sua santa Igreja e para governar o santo povo de Deus.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, por cuja sabedoria subsistem todas as coisas, atendei propício às nossas preces, e por vossa bondade conservai-nos Pastor escolhido, para que povo cristão que por vossa autoridade ele governa, cresça nos méritos da fé, sob a direção de tão grande Pontífice. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


POR TODOS OS GRAUS DO CLERO E FIÉIS DE TODOS OS TIPOS

OREMUS et pro omnibus Episcopis, Presbyteris, Diaconibus, Subdiaconibus, Acolythis, Exorcistis, Lectoribus, Ostiariis, Confessionibus, Virginibus, Viduis: et pro omni populi sancto Dei.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, cuius spiritu totum corpus Ecclesiae sanctificatur et regitur: exaudi nos pro universis ordinibus supplicantes; ut gratiae tuae munere, ab omnibus tibi gradibus fideliter serviatur. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


Oremos também por todos os Bispos, Presbíteros, Díáconos, Subdiáconos, Acólitos, Exorcistas, Leitores, Ostiários, Confessores, Virgens, Viúvas e por todo o santo povo de Deus.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, cujo Espírito santifica e rege todo o corpo da Igreja, ouvi as humildes preces que fazemos por todas as Ordens, a fim de que, por vossa graça, cada uma destas hierarquias fielmente Vos sirva. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.


PELOS GOVERNANTES

OREMUS et pro omnibus res piiblicas moderantibus, eorumque ministeriis et potestatibus: ut Deus et Dóminus noster mentes et corda eórum secundum voluntatem suam dirigat ad nostram perpetuam pacem.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, in cuius manu sunt omnium potestates et omnium iura populorum: respice benignus ad eos, qui nos in potestate regunt; ut ubique terrarum, dextera tua protegente, et religionis integritas, et patriae securitas indesinenter consistat. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


OREMOS por todos os que governam os povos, por seus ministros e autoridades; para que nosso Deus e Senhor dirija suas mentes e corações, segundo Sua vontade para nossa perpétua paz.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

OMNIPOTENTE e eterno Deus, em cuja mão estão todos os poderes e todos os direitos dos povos, olhai sobre os que tem o poder para nos governam, para que por toda a terra, protegidos por vossa direita, conservem a integridade da Religião e a segurança da Pátria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELOS CATECÚMENOS

OREMUS et pro catechumenis nostris: ut Deus et Dominus noster adaperiat aures praecordiorum ipsorum, ianuamque misericordiae; ut per lavacrum regenerationis accepta remissione omnium peccatorum, et ipsi inveniantur in Christo Iesu Domino nostro.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, qui Ecclesiam tuam nova semper prole foecundas: auge fidem et intellectum catechumenis nostris; ut renati fonte bbaptismatis, adoptionis tuae filiis aggregentur. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


OREMOS também por nossos catecúmenos, para que Deus, Nosso Senhor, lhes abra os ouvidos do coração e a porta da sua misericórdia, a fim de que, recebendo a remissão de todos os seus pecados no batismo da regeneração, sejam conosco também incorporados em Jesus Cristo Nosso Senhor.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, que dais continuamente novos filhos à vossa Igreja, aumentai a fé e a inteligência de nossos catecúmenos, para que, renascidos na fonte batismal, sejam contados entre os filhos de vossa adoção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELAS NECESSIDADES DOS FIÉIS

OREMUS, dilectissimi nobis, Deum Patrem omnipotentem, ut cunctis mundum purget erroribus: morbos auferat: famem depellat: aperiat carceres: vincula dissolvat: peregrinantibus reditum: infirmantibus sanitatem: navigantibus portum salutis indulgeat.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, moestorum consolatio, laborantium fortitudo: perveniant ad te preces de quacumque tribulatione clamantium; ut omnes sibi in necessitatibus suis misericordiam tuam gaudeant affuisse. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


OREMOS, irmãos caríssimos, a Deus, .Pai onipotente, para que purifique o mundo de todos os erros, dissipe as enfermidades, desterre a fome, abra as prisões, quebre os grilhões dos cativos, conceda aos viandantes feliz regresso, aos enfermos, a saúde, e aos navegantes, o pôrto do salvamento.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, consolação dos tristes e força dos que trabalham, permiti subam até Vós as súplicas dos que em qualquer tribulação Vos invocam para que tenham todos a alegria de receber em suas necessidades o socorro de vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELA UNIDADE DA IGREJA

OREMUS et pro haereticis et schismaticis: ut Deus et Dominus noster eruat eos ab erroribus universis; et ad sanctam matrem Ecclesiam Catholicam atque Apostolicam revocare dignetur.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, qui salvas omnes, et neminem vis perire: respice ad animas diabolica fraude deceptas; ut omni haeretica pravitatae deposita, errantium corda resipiscant, et ad veritatis tuae redeant unitatem. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


Oremos também pelos hereges e cismáticos, para que Deus, Nosso Senhor, os livre de todos os erros e se digne reconduzi-los à santa Madre Igreja Católica e Apostólica.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, que salvais todos os homens e não quereis a perdição de ninguém, volvei os vossos olhos para as almas seduzidas pelos artifícios do demônio, para que abandonando toda a maldade da heresia, se arrependam de seus erros e voltem à vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELA CONVERSÃO DOS JUDEUS

(Reformada pelo Santo Padre Bento XVI)

OREMUS et pro Iudaeis. Ut Deus et Dominus noster illuminet corda eorum, ut agnoscant Iesum Christum salvatorem omnium hominum.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

Omnipotens sempiterne Deus, qui vis ut omnes homines salvi fiant et ad agnitionem veritatis veniant, concede propitius, ut plenitudine gentium in Ecclesiam Tuam intrante omnis Israel salvus fiat. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


Oremos também pelos judeus. Para que nosso Deus e Senhor ilumine seus corações, a fim de que reconheçam a Jesus Cristo Salvador de todos os homens.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó Deus onipotente e eterno, que desejais que todos os homens se salvem e alcancem o conhecimento da verdade que procede de vós, concedei por vossa bondade que a plenitude dos povos entrem em vossa Igreja e fazei que todo Israel seja salvo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


PELA CONVERSÃO DOS INFIÉIS

OREMUS et pro paganis: ut Deus omnipotens auferat iniquitatem a cordibus eorum; ut relictis idolis suis, convertantur ad Deum vivum et verum, et unicum Filium eius Iesum Christum Deum et Dominum nostrum.

Oremus.

Flectamus genua.

Levate.

OMNIPOTENS sempiterne Deus, qui non mortem peccatorum, sed vitam semper inquiris: suscipe pro vitam semper inquiris: suscipe propitius orationem nostram, et libera eos ab idolorum cultura; et aggrega Ecclesiae tuae sanctae ad laudem et gloriam nominis tui. Per Dominum nostrum, Iesum Christum, filium tuum, qui tecum vivat et regnat in unitate Spiritu Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amen.


Oremos também pelos pagãos, a fim de que o Deus onipotente tire a miséria do pecado de seus corações e eles abandonem os seus ídolos, e se convertam ao Deus vivo e verdadeiro e a seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, Deus e Senhor Nosso.

Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Onipotente e eterno Deus, que sempre quereis não à morte, mas sim a vida dos pecadores, recebei benignamente á nossa oração, livrai-os do culto dos ídolos e agregai-os à vossa santa Igreja para honra e glória de vosso Nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


TERCEIRA PARTE

SOLENE ADORAÇÃO DA SANTA CRUZ


A solenidade com que a santa Igreja reveste as cerimônias da adoração da Santa Cruz, mostra a solicitude e seu amor para com o Mistério de nossa Redenção. São três atos sucessivos que o Celebrante faz, subindo de cada vez, mais um degrau e aproximando-se mais do altar, de cada vez descobrindo mais uma parte da Cruz, e cantando em tom mais alto Ecce lignum Crucis: Eis o Lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.


É a representação do drama da Crucifixão. Jesus foi pregado na Cruz. Vinde e adoremo-Lo! Todos os Sacerdotes e fiéis, dois a dois, de pés descalços. aproximam-se, fazem três genuflexões e beijam os pés do Crucificado, nosso Redentor. Enquanto todos adoram, os cantores e o coro, alternadamente; cantam os Impropérios, queixas de Jesus ao seu povo infiel. Elas se dirigem também a nós e nos concitam a uma sincera e humilde conversão.


Unimo-nos a Jesus Crucificado e com Ele, rendemos o nosso culto de adoração ao Deus Santo, forte e imortal, e satisfazemos por nossos pecados. As respostas são em latim e em grego, as duas línguas principais, para significar que toda a humanidade se reune ao pé da Cruz.


O Celebrante recebe a Cruz das mãos do diácono, e, descobrindo braco direito da Cruz, canta:

ECCE lignum Crucis, in quo salus mundi pependit.

R. Veníte, adoremus.


EIS o lenho da Cruz, no qual pendeu a salvação do mundo.

R. Vinde, adoremos.

O sacerdote então vai para diante dos degraus, sempre do lado da Epístola, e fica de frente para o povo. Seus ministros o ajudam a descobrir o lado direito da cruz, e depois de ter descoberto essa parte do instrumento sagrado, mostra de novo às pessoas, elevando-a, desta vez, um pouco mais do que a primeira e cantando em tom mais alto:


ECCE lignum Crucis, in quo salus mundi pependit.

R. Veníte, adoremus.


EIS o lenho da Cruz, no qual pendeu a salvação do mundo.

R. Vinde, adoremos.


O Padre fica no meio dos degraus, sempre voltado para o povo. Ajudado pelo diácono e subdiácono, ele descobre todo o resto do Crucifixo, e elevando-o mais do que antes, canta com triunfo e voz plena:


ECCE lignum Crucis, in quo salus mundi pependit.

R. Veníte, adoremus.


EIS o lenho da Cruz, no qual pendeu a salvação do mundo.

R. Vinde, adoremos.


O Celebrante irá primeiro, despido de sua casula, também tira os sapatos e, a distância conveniente, faz três vezes genuflexão simples, se aproxima e presta Adoração à Cruz, colocada nos degraus diante do altar. Depois dele vêm os ministros e o clero.


Então a cruz carregada pelos dois acólitos, acompanhados por outros dois com velas acesas, e colocada na entrada do presbitério, onde os fiéis a adoram, processionalmente, vem primeiro os homens, depois as mulheres, e fazendo uma única genuflexão.


IMPROPÉRIOS

Os hinos que acompanham a adoração da cruz são de uma beleza incomparável. Os primeiros são os Impropérios, as acusações amargas que o Messias dirige aos judeus. As três primeiras estrofes são intercaladas com a canção do Trisagium ou oração a Deus três vezes Santo, cuja imortalidade justa é que nós glorificamos neste momento quando Ele se digna, como homem, a sofrer a morte por nós. Esta tripla glorificação, usada em Constantinopla desde o quinto século, passou para a Igreja Romana que a preservou na linguagem primitiva, contentando-se em alternar a tradução latina das palavras. O resto desta linda música tem grande interesse dramático. Cristo se lembra de todos os insultos aos quais ele foi submetido pelos judeus e mostra os benefícios com os quais cumulou essa nação ingrata.


Durante a adoração da cruz, são cantadas as censuras do Crucificado. O celebrante e ministros sagrados, acólitos e todo o povo, ouvem com devoção os hinos, que duram enquanto durar a adoração.


1º e 2º Coro:

V. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

V. Quia eduxi te de terra Aegypti, parasti crucem Salvatori tuo.

1º Coro: Agios o Theos!

2º Coro: Sanctus Deus!

1º Coro: Agios ischyros!

2º Coro: Sanctus fortis!

1º Coro: Agios athanatos, eleison imas.

2º Coro: Sanctus immortalis, miserere nobis.


1º e 2º Coro:

V. Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

V. Porque te tirei da terra do Egito, preparas-te uma Cruz para o teu Salvador.

1º Coro: Ó Deus Santo.

2º Coro: Ó Deus Santo.

1º Coro: Santo e Poderoso.

2º Coro: Santo e Poderoso.

1º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.

2º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.


1º e 2º Coro:

V. Quia eduxi te per desertum quadraginta annis, et manna cibavi te, et introduxi te in terram satis bonam: parasti Crucem Salvatori tuo.


1º Coro: Agios o Theos!

2º Coro: Sanctus Deus!

1º Coro: Agios ischyros!

2º Coro: Sanctus fortis!

1º Coro: Agios athanatos, eleison imas.

2º Coro: Sanctus immortalis, miserere nobis.


1º e 2º Coro:

V. Porque durante quarenta anos te conduzi pelo deserto, te alimentei com o maná, e te introduzi em uma terra excelente, preparaste uma Cruz para o teu Salvador.

1º Coro: Ó Deus Santo.

2º Coro: Ó Deus Santo.

1º Coro: Santo e Poderoso.

2º Coro: Santo e Poderoso.

1º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.

2º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.


1º e 2º Coro:

V. Quid ultra debui facere tibi, et non feci? Ego quidem plantavi te vineam meam speciosissimam: et tu facta es mihi nimis amara: aceto namque sitim meam potasti: et lancea perforasti latus Salvatori tuo.


1º Coro: Agios o Theos!

2º Coro: Sanctus Deus!

1º Coro: Agios ischyros!

2º Coro: Sanctus fortis!

1º Coro: Agios athanatos, eleison imas.

2º Coro: Sanctus immortalis, miserere nobis.


1º e 2º Coro:

V. Que mais te devera fazer, que não tivesse feito? Qual vinha especiosíssima te plantei, e tu para mim te converteste em excessiva amargura, pois em minha sede me deste a beber vinagre, e com uma lança atravessaste o lado de teu Salvador.

1º Coro: Ó Deus Santo.

2º Coro: Ó Deus Santo.

1º Coro: Santo e Poderoso.

2º Coro: Santo e Poderoso.

1º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.

2º Coro: Santo e Imortal, tende piedade de nós.


1º Coro: Ego propter te flagellavi Aegyptum cum primogenitus suis: et tu me flagellatum tradidisti.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego eduxi te de Aegypto, demerso Pharaone in Mare Rubrum: et tu me tradidisti principibus sacerdotum.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego ante te aperui mare: et tu aperuisti lancea latus meum.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego ante te praeivi in columna nubis: et tu me duxisti ad praetorium Pilati.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego te pavi manna per desertum: et tu me cecidisti alapis et flagellis.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego te potavi aqua salutis de petra: et tu me potasti felle, et aceto.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego propter te Chananaeorum reges percussi: et tu percussisti arundine caput meum.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego dedi tibi sceptrum regale: et tu dedisti capiti meo spineam coronam.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Ego te exaltavi magna virtute: et tu me suspendisti in patibulo Crucis.

2º Coro: Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? Responde mihi.

1º Coro: Por tua causa flagelei o Egito em seus primogênitos; e tu aos açoites me entregaste.


2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Tirei-te do Egito, e submergi o Faraó no mar Vermelho; e tu me entregaste aos príncipes dos sacerdotes.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Abri o mar à tua passagem; e tu me abriste o lado com uma lança.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Caminhei diante de ti em uma coluna luminosa; e tu me levaste ao pretórío de Pilatos.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Alimentei-te com o maná do deserto; e tu me feriste com bofetadas e açoites.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Fiz brotar da pedra água de salvação para te saciar; e tu fel e vinagre me deste a beber.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Por tua causa feri os reis de Canaã; e tu, com uma cana feriste a minha cabeça.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Dei-te um cetro real; e tu me puseste na cabeça uma coroa de espinhos.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.

1º Coro: Exaltei-te a um grande poder; e tu me suspendeste no patí-bulo da Cruz.

2º Coro: Povo meu, que te fiz eu? ou em que te contristei? Responde-me.


Apesar da estranha humilhação em que se encontra Jesus na Cruz, não esqueçamos que este símbolo de desprezo se tornou para nós nesse momento o sinal de nossa vitória, da nossa Redenção. Eis porque, do íntimo de nossa alma irrompe a Antífona seguinte:


1º e 2º Coro:

Ant. Crucem tuam * adoramus, Domine: et sanctam resurrectionem tuam laudamus, et glorificamus: ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo.

1º Coro: Deus misereatur nostri, et benedicat nobis.

2º Coro: Illuminet vultum suum super nos, et misereatur nostri.


1º e 2º Coro:

Ant. Senhor, nós adoramos a vossa Cruz, celebramos e glorificamos a vossa santa Ressurreição; porque foi pelo madeiro da Cruz que a alegria apareceu no mundo inteiro.

1º Coro: Deus se compadeça de nós, e nos conceda a sua bênção.

2º Coro: Faça resplandecer sobre nós a luz de sua face e tenha piedade de nós.


1º e 2º Coro:

Ant. Crucem tuam * adoramus, Domine: et sanctam resurrectionem tuam laudamus, et glorificamus: ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo.


1º e 2º Coro:

Ant. Senhor, nós adoramos a vossa Cruz, celebramos e glorificamos a vossa santa Ressurreição; porque foi pelo madeiro da Cruz que a alegria apareceu no mundo inteiro.


CRUX FIDELIS

Se a adoração da Cruz ainda não acabou, o célebre hino Crux Fidelis composto por Venâncio Fortunato, bispo de Poitiers, no século VI, em homenagem à árvore sagrada da nossa Redenção, é cantado. Uma das estrofes, dividida em duas, serve como um refrão enquanto dura o canto que é alternado com o Pange, Língua. No final da adoração, uma vez que todos os fiéis tenham prestado homenagem à Santa Cruz, ela é colocada no altar, e a quarta parte da função litúrgica é iniciada.


1. CRUX fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.

* Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


1. Ó CRUZ fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.

* Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.


2. Pange, lingua, gloriosi,

Lauream certaminis,

Et super Crucis trophaeo

Dic triumphum nobilem:

Qualiter Redemptor orbis

Immolatus vicerit.


2. Cante, ó língua, a coroa

Gloriosa do combate,

Que na Cruz foi dada

Dize como nela

Venceu imolado

O Redentor do mundo.


3. Crux fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.


3. Ó Cruz fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.


4. De parentis protoplasti

Fraude Factor condolens,

Quando pomi noxialis

In necem morsu ruit:

Ipse lignum tunc notavit.

Damna ligni ut solveret.


4. Do homem condoído

Altamente o Criador,

Quando por um pomo

A morte incorreu,

Este Lenho notou logo

Em remédio de tanto dano.


5. Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


5. Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.


6. Hoc opus nostrae salutis

Ordo depoposcerat:

Multiformis proditoris

Ars ut artem falleret:

Et medelam ferret inde,

Hostes unde laeserat.


6. Tal convinha fosse

A obra de nossa salvação,

Que o astuto traidor

Com arte fosse enganado,

E de lá viesse a cura,

Donde viera a lesão.


7. Crux fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.


7. Ó Cruz fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.


8. Quando venit ergo sacri

Plenitudo temporis,

Missus est ab arce Patris

Natus, orbis Conditor:

Atque ventre virginali

Carne amictus prodiit.


8. Vindo o tempo marcado

O Pai mandou

de seu trono, O Filho,

Autor do mundo,

E do ventre virginal

Procedeu em carne humana.


9. Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


9. Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.

10. Vagit infans inter arcta

Conditus praesepia:

Membra pannis involuta

Virgo Mater alligat:

Et Dei manus, pedesque

Stricta cingit fascia.


10. Chorando ainda infante

Na rudeza do presépio,

Em panos o envolve

A Virgem Mãe, ligando

Do Sumo Deus as mãos

E pés com estreita faixa.


11. Crux fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.


11. Ó Cruz fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.


12. Lustra sex qui iam peregit,

Tempus implens corporis,

Sponte libera Redemptor

Passioni deditus,

Agnus in Crucis levatur

Immolandus stipite.


12. Completos os trinta anos

De sua vida mortal,

Livremente o Redentor,

Qual cordeiro, se ofereceu

Para ser posto na Cruz,

E nela ser imolado.


13. Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


13. Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.


14. Felle potus ecce languet:

Spina, clavi, lancea,

Mite corpus perforarunt,

Unda manat, et cruor:

Terra, pontus, astra, mundus.

Quo lavantur flumine!


14. Ali, fel teve por bebida,

Espinhos, cravos, e a lança

Transpassaram seu terno corpo,

Donde brotou o Sangue

E a água que a terra

E o mundo todo lavou.


15. Crux fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.


15. Ó Cruz fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.


16. Flecte ramos, arbor alta,

Tensa lax viscera,

Et rigor lentescat ille,

Quem dedit nativitas:

Et superni membra Regis

Tende miti stipite.


16. Ó nobre lenho,

Abate os ramos,

Dilata as entranhas duras,

E deposto o rigor nativo,

Aos membros do Rei Supremo

Presta encosto brando.


17. Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


17. Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.


18. Sola digna tu fuisti

Ferre mundi victimam:

Atque portum praeparare

Arca mundo naufrago:

Quam sacer cruor perunxit,

Fusus Agni corpore.


18. Banhada do sagrado Sangue

Que o Cordeiro derramou,

Só tu digna foste

De suster do mundo a Vítima,

E, qual arca, preparar

Porto aos náufragos.


19. Crux fidelis, inter omnes

Arbor una nobilis!

Nulla silva talem profert,

Fronde, flore, germine.


19. Ó Cruz fiel, entre todas

A árvore mais nobre:

Nenhum bosque produz igual,

Em ramagens, frutos e flores.


Esta conclusão nunca é omitida:


20. Sempiterna sit beatae

Trinitate gloria:

Aequa Patri, Filioque;

Par decus Paraclito:

Unus Trinique nomen

Laudet universitas. Amen.


20. Glória eterna seja dada

À Santíssima Trindade,

Ao Pai e ao Filho,

Honra igual ao Paráclito,

E de Deus Uno e Trino

Louve o orbe o santo Nome. Amém.


21. Dulce lignum, dulces clavos,

Dulce pondus sustinet.


21. Ó doce lenho, que os doces cravos

E o doce peso sustentas.


QUARTA PARTE

COMUNHÃO


De tal maneira hoje, neste aniversário, o pensamento da Igreja, a recordação do Sacrifício consumado neste mesmo dia sobre o Calvário, que se renuncia a renovar sobre o altar a imolação da divina Comunhão. Antigamente todo o clero e todos os fiéis eram admitidos a esta graça, mas durante o largo período este costume caiu em desuso e só o celebrante podia comungar. Em 1956 a Igreja retornou à tradição antiga e doravante todos os fiéis poderão comunicar o Corpo do Senhor, imolado neste dia para sua salvação, a fim de receber mais abundantemente os frutos da Redenção.


O diácono, acompanhado por dois acólitos, se dirije para o monumento, pega o cibório do tabernáculo e o leva ao altar-mor. Ao ir ao altar, a escola canta algumas antífonas. A cruz é colocada no meio do altar, entre duas velas acesas. O celebrante e seus ministros usam paramentos roxos. O diácono traz a Eucaristia ao monumento, precedido por dois acólitos com velas acesas, enquanto as antífonas são cantadas.


ADORAMUS te, Christe, et benedicimus tibi, quia per Crucem tuam redemisti mundum.

Per lignum servi facti sumus, et per sanctam Crucem liberati sumus: fructus arboris seduxit nos, Filius Dei redemit nos.

Salvator mundi, salva nos: qui per Crucem et Sanguinem tuum redemisti nos, auxiliare nobis, te deprecamur, Deus noster.


Ó CRISTO, nós vos adoramos e vos bendizemos, pois por vossa santa Cruz redimiste o mundo.

Feitos escravos por uma árvore, e pela santa Cruz fomos resgatados; o fruto de uma árvore nos seduziu, o Filho de Deus nos redimiu.

Salvai-nos, Salvador do mundo, vós que por vossa Cruz e por seu Sangue nos libertou, ó Deus nosso, vos suplicamos, socorrei-nos.


O diácono deposita a Eucaristia e os acólitos, suas velas no altar. O celebrante reza em voz alta o PATER.


PATER NOSTER

Unamo-nos com confiança e solicitude aos sete pedidos que o Pai Nosso encerra, nesta hora em que nosso divino Intercessor, com os braços estendidos sobre a Cruz, as apresenta por nós a seu Pai. Este é o momento em que Ele obtêm do Pai que toda oração dirigida ao céu por sua mediação seja escutada.


No altar, o diácono deixa o sagrado cibório sobre o corporal; o celebrante se levanta e recita em voz alta o preâmbulo da oração dominical, então, como o Pater noster é uma preparação para a Comunhão e como todos devem comungar, o clero e os fiéis recitam juntamente com o celebrante, “solenemente, com gravidade, distintamente e em latim”.


OREMUS. Praeceptis salutaribus moniti, et divina institutione formati, audemus dicere:

PATER noster, qui es in cælis: sanctificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum: Fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie: Et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo. Amen.


OREMOS. Instruídos com salutares preceitos e dirigidos pelos seus divinos ensinamentos, ousamos dizer:

PAI nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome; venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação. Mas livrai-nos do mal. Amém.


EMBOLISMO

O celebrante, sozinho, com voz alta e distinta, diz:

LIBERA nos, quaesumus, Domine, ab omnibus malis, praeteritis, praesentibus, et futuris: et intercidente beata et gloriosa semper Virgine Dei Genetrice Maria, cum beatis Apostolis tuis Petro et Paulo, atque Andrea, et omnibus Sanctis, da propitius pacem in diebus nostris: ut ope misericordiae tuae adiuti, et a peccato simus semper liberi, et ab omni perturbatione securi. Per eumdem Christum Dominum nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

R. Amén.


LIVRAI-NOS, Senhor, nós Vos pedimos, de todos os males passados, presentes e futuros, e pela intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, e de vossos bem-aventurados Apóstolos São Pedro, São Paulo e Santo André, e de todos os Santos, dai-nos, benigno, a paz em nossos dias, para que, assistidos com o socorro de vossa misericórdia, sejamos sempre livres dos pecados e seguros de toda perturbação. Pelo mesmo Jesus Cristo, Vosso Filho, nosso Senhor, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


COMUNHÃO DO SACERDOTE

Recita também em voz baixa a terceira das orações de preparação para a Comunhão:

PERCEPTIO Corporis tui, Domine Iesu Christe, quod ego indignus sumere praesumo, non mihi proveniat in iudicium et condemnationem: sed pro tua pietate prosit mihi ad tutamentum mentis, et corporis, et ad medalem percipiendam. Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.


ESTE vosso Corpo, Senhor Jesus Cristo, que eu, que sou indigno, pretendo receber, não seja para mim juízo e condenação, mas por vossa piedade sirva de defesa à minha alma e ao meu corpo, e dê remédio a todos os meus males. Vós, que, sendo Deus, viveis e reinais, com Deus Pai na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.


Descobre, então, o cibório e, feita a genuflexão, toma uma Hóstia e, profundamente inclinado, batendo no peito, diz três vezes como de costume: Dominus, non sum dignus. E comunga dizendo: Corpus Domini.


COMUNHÃO DOS FIÉIS

A Igreja quer que todos venham à mesa sagrada. Deste modo, depois de ter evocado a morte do Senhor e homenageado a sua cruz, os fiéis participam ainda mais nos frutos da redenção através da comunhão sacramental.


O sacerdote, então, distribui a comunhão ao clero e aos fiéis como de costume.

ECCE Agnus Dei, ecce Qui tollit peccata mundi.

R. Domine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea.


EIS o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado do mundo.

R. Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva.


Depois da Comunhão, o celebrante purifica os dedos num vaso, limpa-os com o purificatório, encerra o cibório no tabernáculo e, de pé no meio do altar, diz como agradecimento e em tom ferial, as três orações seguintes.


ORAÇÕES FINAIS

O celebrante, no centro do altar, diz as seguintes orações:

SUPER populum tuum quaesumus, Domine, qui passionem et mortem Filii tui devota mente recoluit, benedictio copiosa descendat, indulgentia veniat, consolatio tribuatur, fides sancta succrescat, redemptio sempiterna firmetur. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.


SENHOR, vos suplicamos, que desça sobre vosso povo que acaba de celebrar devotamente a Paixão e Morte de vosso Filho uma copiosa bênção, chegue o perdão, seja concedida a consolação, aumente a fé e se assegure a redenção eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor.

R. Amém.


OMNIPOTENS et misericors Deus, qui Christi tui beata passione et morte nos reparasti: conserva in nobis operam misericordiae tuae; ut huius mysterii participatione, perpetua devotione vivamus. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.


ONIPOTENTE e misericordioso Deus que nos reparaste com a gloriosa Paixão e Morte de vosso Ungido: conservai em nós a obra de vossa misericórdia; para que, pela participação deste mistério vivamos perpetuamente consagrados a vós. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor.

R. Amém.


REMINISCERE miserationum tuarum, Domine, et famulos tuos aeterna protectione sanctifica, pro quibus Christus, Filius tuus, per suum cruorem instituit paschale mysterium. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.


RECORDAI as vossas misericórdias, ó Senhor, e santificai com vossa eterna proteção os vossos servos, em cujo favor Jesus Cristo, vosso Filho, derramando seu Sangue, instituiu o mistério pascal. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor.

R. Amém.

O Celebrante e todos os ministros descem do altar e, feita a genuflexão, voltam à sacristia. De forma privada, se reserva o Santíssimo, e se desnuda o altar.


RECURSOS:

COMENTÁRIOS LITÚRGICOS: Dom Gueranger

Partes próprias da Função: partituras

Oração inicial: partitura

Profecia: Partitura / áudio

Responsório Domine audivi: áudio - áudio

Leitura: partitura / áudio

Responsório Eripe me: áudio - áudio

Paixão: Partitura / áudio

Orações Solenes: Partitura

Oração pela Igreja: áudio

Oração pelo Papa: áudio

Oração por todos os graus da Ordem e dos fiéis: áudio

Oração pelos governantes: áudio

Oração pelos Catecúmenos: áudio

Oração pelas necessidades dos fiéis: áudio

Oração pela unidade da Igreja: áudio

Oração pela conversão dos judeus: Partitura / áudio

Oração pela conversão dos pagãos: áudio

Antífona Ecce lignum: áudio - áudio

Impropério Popule meus: áudio - áudio

Impropério Quia eduxi te: áudio

Impropério Hagios: áudio

Impropério Quia eduxi te: áudio

Impropério Quid ultra: áudio

Impropério Ego propter: áudio

Antífona Crucem tuam: áudio - áudio

Hino Crux fidelis: áudio - áudio

Antífona Adoramus te: áudio - áudio

Antífona Per lignum: áudio - áudio

Antífona Salvator mundi: áudio - áudio

Orações finais: Partitura

Sermão: 1 - Jesus no Horto

2 - Jesus flagelado, coroado de espinhos e condenado à morte

3 - Jesus a caminho do Calvário - Crucificação

4 - As Sete Palavras da Cruz

Meditação: 1 - Morte de Jesus

2 - Sexta Dor de Maria Santíssima – Jesus é descido da cruz





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