• Apostolado FERR

Solene Vigília Pascal do Sábado Santo



SÁBADO SANTO

SOLENE VIGÍLIA PASCAL

I classe, paramentos roxos e brancos

Estação em São João do Latrão


O Sábado Santo ou Sábado de Aleluia para a primitiva Igreja era um dia de silêncio e recolhimento. Tal como na Sexta-feira Santa, não se celebrava o santo Sacrifício da Missa. Só ao escurecer começava-se a celebrar a Vigília da Páscoa, que muitas vezes, se prolongava até a madrugada do domingo, terminando com a Missa da Ressurreição. Já no fim da antiga era cristã as cerimônias eram iniciadas às duas horas da tarde. Na idade média, pelo meio dia. Até tempos atrás essas sagradas cerimonias eram realizadas no Sábado de manhã, ressoando o júbilo da Páscoa.


Todo o cerimonial deste dia é dedicado à celebração do glorioso Mistério da Ressurreição de Jesus Cristo e o renascimento do Cristo ressurreição espiritual pelo Batismo e pela Penitência. A Páscoa não deve constituir somente uma comemoração. Cumpre seja uma repetição e, portanto, uma realidade. Jesus Cristo ressuscita nos membros do seu Corpo místico, na Santa Igreja, nos fiéis. Jesus Cristo, cada um de nós. O grande pensamento deste dia está expresso nas cerimônias, que se compõem de partes distintas: a Bênção do fogo, Bênção do Círio pascal, Precônio Pascal, as Profecias, a Bênção da Pia batismal (antigamente o Batismo dos catecúmenos) e finalmente a santa Missa.


PRIMEIRA PARTE:

MENSAGEM DA PÁSCOA


O fogo é imagem de Jesus Cristo, que disse: Eu sou a Luz do mundo. E na santa noite de Natal veio Ele ao mundo para iluminar os que estavam imersos nas trevas, mas as trevas não compreenderam a Luz. Nos dias anteriores, no Ofício das trevas, simbolizado pelo apagar das velas, vimos, pouco a pouco, o desaparecer da luz do mundo. Silenciosa e triste está a santa Igreja em sua viuvez. Despidos os seus altares, solitários os seus tabernáculos. Um dia e uma noite em que as trevas imperam. Seguir-se-á outra noite? Sim, mas para triunfo da Luz! Noite misteriosa, noite feliz! Importa, pois, celebrar a liturgia do Sábado Santo, ao menos em espírito, durante a noite.


Para a bênção do fogo, o clero e o povo se encaminham para as portas da Igreja, onde da pedra se extrai o fogo, que é abençoado pelo Celebrante, o qual benze também os cinco grãos de incenso que significam as cinco chagas de Nosso Senhor e serão fixados no Círio pascal. O diácono acende no fogo uma vela, e é ele quem, revestido da dalmática, em sinal de alegria, anuncia a Ressurreição.


Três vezes Canta: Lumen Christi, Luz do Cristo, acendendo sucessivamente as velas na igreja. Três vezes para a procissão e todos se ajoelham, adorando a Luz do mundo: Jesus Cristo. A procissão chega então ao altar.


BÊNÇÃO DO FOGO NOVO


À hora marcada, o Celebrante dirige-se com os ministros, processionalmente, à porta da igreja, onde benze o fogo novo, dizendo:

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Orémus.

DEUS, qui per Fílium tuum, angulárem scílicet lápidem, claritátis tuæ ignem fidélibus contulísti: prodúctum e sílice, nostris profutúrum úsibus, novum hunc ignem sanctí+fica: et concéde nobis, ita per hæc festa paschália cœléstibus desidériis inflammári; ut ad perpétuæ claritátis, puris méntibus, valeámus festa pertíngere. Per eúndem Christum Dóminum nostrum. R. Amen.


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos.

Ó DEUS, que por vosso Filho, Pedra angular da Igreja, acendestes nos corações de vossos fiéis o fogo de vossa claridade, santi+ficai este fogo novo, que da pedra tiramos para nosso uso, e concedei-nos que, durante estas festas pascais, sejamos de tal sorte inflamados de celestiais desejos que mereçamos com a alma pura chegar às festas da claridade perpétua. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. R. Amém.

BÊNÇÃO DO CÍRIO PASCAL

Com um estilete, o celebrante grava no Círio pascal uma cruz, Α e Ω (primeira e última letras do alfabeto grego) e as figuras do ano em curso.

Ao gravar os dois braços da cruz, o celebrante diz:

(1) Christus heri et hódie,

(2) Princípium et Finis,

(3) Alpha

(4) et Omega;

(5) Ipsíus sunt témpora

(6) et sǽcula;

(7) Ipsi gloria et imperium

(8) per universa æternitátis sǽcula. Amen.


(1) Cristo ontem e hoje.

(2) Princípio e fim.

(3) Alpha

(4) e Omega

(5) Dele são os tempos

(6) e os séculos.

(7) A Ele a glória e o império

(8) por todos os séculos dos séculos. Amém.


Uma vez concluída a incisão na cruz e os outros sinais, o diácono oferece ao sacerdote os grãos de incenso, que, se não forem abençoados, são aspergidos pelo celebrante três vezes e três vezes ele os incensa sem dizer nada. Em seguida, coloque os cinco grãos nos lugares preparados para isso, dizendo, entretanto:

(1) Per sua sancta vulnera

(2) gloriosa

(3) custódiat

(4) et consérvet nos

(5) Christus Dóminus. Amen.


(1) Por vossas santas chagas

(2) gloriosas

(3) nos guarde

(4) e nos conserve

(5) O Cristo Senhor. Amém.


O diácono apresenta ao sacerdote uma vela acesa no fogo novo, e com ele o mesmo sacerdote acende o Círio pascal, dizendo:

LUMEN Christi glorióse resurgéntis

Díssipet ténebras cordis et mentis.


A LUZ de Cristo gloriosamente ressuscitado

Dissipe a escuridão do coração e da mente.


Em seguida abençoa o Círio pascal, dizendo:

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Orémus.

VÉNIAT, quǽsumus, omnípotens Deus, super hoc incénsum céreum larga tuæ bene+dictiónis infúsio: et hunc noctúrnum splendórem invisíbilis regenerátor, inténde; ut non solum sacrifícium, quod hac nocte litátum est, arcána lúminis tui admixtióne refúlgeat; sed in quocúmque loco ex huius sanctificatiónis mystério aliquid fúerit deportátum, expúlsa diabólicæ fraudis nequítia, virtus tuæ maiestátis assístat. Per Christum Dóminum nostrum. R. Amen.


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos.

NÓS Vos suplicamos, ó Deus onipotente, venha sobre este incenso a copiosa efusão de vossas bênçãos. Acendei Vós mesmo, que sois o Regenerador invisível, este esplendor noturno, a fim de que, não somente o sacrifício que Vos é oferecido nesta noite cintile no fulgor de vossa misteriosa Luz, como também em todo lugar em que for levada alguma parcela do Mistério desta santificação, cedam ao poder de vossa Majestade todos os artifícios da malícia do demônio. Pólo Cristo, Senhor nosso. R. Amém.


SOLENE PROCISSÃO DE ENTRADA

O templo está sem luzes, iluminado apenas pela vela pascal, símbolo de Cristo. A cruz processional precede. O diácono, com dalmática branca, carrega a grande vela, seguido pelo clero e fiéis, caminhando em direção ao altar principal. A lenta procissão pára três vezes: primeiro, perto da porta principal; segundo, ao meio da nave central; terceiro, no presbitério. Em cada parada, o diácono, de pé, levanta o Círio para cantar.


Quando o diácono entra na Igreja, sozinho, ele canta:

V. Lumen Christi.

V. Luz de Cristo.


Ao que todos, exceto o subdiácono e o turiferário, se ajoelham em direção ao Círio bento e respondem:

R. Deo grátias.

R. Graças a Deus.


Imediatamente o celebrante acende, no Círio, sua vela. Procede-se para o meio da igreja onde o diácono canta em um tom mais alto, e o povo igualmente responde:

V. Lumen Christi.

R. Deo grátias.


V. Luz de Cristo.

R. Graças a Deus.


E do Círio bento acendem-se as velas do clero.

Diante do altar, no meio do coro, é cantado o mais alto possível:

V. Lumen Christi.

R. Deo grátias.


V. Luz de Cristo.

R. Graças a Deus.


E as velas do povo são acesas e as luzes da Igreja.


PROCLAMAÇÃO DA PÁSCOA

O diácono se prepara para anunciar solenemente as festas pascais. O Celebrante lhe dá a bênção. Ao canto triunfal do Exsúltet, aparece o próprio Cristo, simbolizado pelo Círio pascal. Neste instante resplandece toda a igreja no fulgor de suas luminárias. É este o momento solene da Ressurreição, da vitória da Luz sobre as trevas.


Chegando ao altar, o diácono pede a bênção ao Celebrante:

IUBE, domne, benedícere.

DAI-ME, Senhor, a vossa bênção.


O Celebrante o abençoa:

DÓMINUS sit in corde tuo, et in lábiis tuis, ut digne et competénter annúntiem suum paschále præcónium: in nómine Patris, et Fílii, et Spíritus Sancti. Amen.


ESTEJA o Senhor em vosso coração e em vossos lábios, para que digna e devotamente anuncieis os louvores de sua Páscoa. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amen.


O diácono canta o solene Precônio pascal:


EXSÚLTET iam Angélica turba coelórum: exsúltent divína mystéria: et pro tanti Regis victória tuba ínsonet salutáris.

Gáudeat et tellus tantis irradiáta fulgóribus: et ætérni Regis splendóre illustráta, totíus orbis se séntiat amisísse calíginem.

Lætétur et mater Ecclésia, tanti lúminis adornáta fulgóribus: et magnis populórum vócibus hæc aula resúltet.

Quaprópter astántes vos, fratres caríssimi, ad tam miram huius sancti lúminis claritátem, una mecum, quæso, Dei omnipoténtis misericórdiam invocáte. Ut, qui me non meis méritis intra Levitárum númerum dignatus est aggregáre: lúminis sui claritátem infúndens, Cérei huius laudem implére perfíciat.

Per Dominum nostrum Iesum Christum, Fílium suum: qui cum eo vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus: Per omnia sǽcula sæculórum.

R. Amen. V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum Spíritu tuo

V. Sursum corda.

R. Habémus ad Dóminum.

V. Grátias agámus Dómino Deo nostro.

R. Dignum et iustum est.

VERE dignum et iustum est, invísibilem Deum Patrem omnipoténtem Filiúmque eius unigénitum, Dominum nostrum Iesum Christum, toto cordis ac mentis afféctu et vocis ministério personáre. Qui pro nobis ætérno Patri Adæ débitum solvit: et véteris piáculi cautiónem pio cruóre detérsit. Hæc sunt enim festa paschália, in quibus verus ille Agnus occíditur, cuius sánguine postes fidelium consecrántur.

Hæc nox est, in qua primum patres nostros, fílios Israël edúctos de Ægýpto, Mare Rubrum sicco vestígio transire fecísti. Hæc ígitur nox est, quæ peccatórum ténebras colúmnæ illuminatióne purgávit. Hæc nox est, quæ hódie per univérsum mundum in Christo credéntes, a vítiis sǽculi et calígine peccatórum segregátos, reddit grátiæ, sóciat sanctitáti.

Hæc nox est, in qua, destrúctis vínculis mortis, Christus ab ínferis victor ascéndit. Nihil enim nobis nasci prófuit, nisi rédimi profuísset. O mira circa nos tuæ pietátis dignátio! O inæstimábilis diléctio caritátis: ut servum redimeres, Fílium tradidísti!

O certe necessárium Adæ peccátum, quod Christi morte delétum est! O felix culpa, quæ talem ac tantum méruit habére Redemptórem!

O vere beáta nox, quæ sola méruit scire tempus et horam, in qua Christus ab ínferis resurréxit! Hæc nox est, de qua scriptum est: Et nox sicut dies illuminábitur: Et nox illuminátio mea in deliciis meis. Huius ígitur sanctificátio noctis fugat scélera, culpas lavat: et reddit innocéntiam lapsis et mæstis lætítiam. Fugat ódia, concórdiam parat et curvat impéria.

In huius ígitur noctis grátia, súscipe, sancte Pater, incénsi huius sacrifícium vespertínum: quod tibi in hac Cérei oblatióne solémni, per ministrórum manus de opéribus apum, sacrosáncta reddit Ecclésia. Sed iam colúmnæ huius præcónia nóvimus, quam in honórem Dei rútilans ignis accéndit.

Qui licet sit divísus in partes, mutuáti tamen lúminis detriménta non novit. Alitur enim liquántibus ceris, quas in substántiam pretiósæ huius lámpadis apis mater edúxit. O vere beáta nox, quæ exspoliávit Ægýptios, ditávit Hebrǽos! Nox, in qua terrénis cæléstia, humánis divína iungúntur.

Orámus ergo te, Dómine: ut Céreus iste in honórem tui nóminis consecrátus, ad noctis huius calíginem destruéndam, indefíciens persevéret. Et in odórem suavitátis accéptus, supérnis lumináribus misceátur. Flammas eius lúcifer matutínus invéniat. Ille, inquam, lúcifer, qui nescit occásum. Ille, qui regréssus ab ínferis, humáno géneri serénus illúxit.

Precámur ergo te, Dómine: ut nos fámulos tuos, omnémque clerum, et devotíssimum pópulum: una cum beatíssimo Papa nostro N., et Antístite nostro N., quiéte témporum concéssa, in his paschálibus gáudiis, assídua protectióne régere, gubernáre et conserváre digneris.

Réspice étiam ad eos, qui nos in potestáte regunt, et, ineffábili pietátis et misericórdiæ tuæ múnere, dírige cogitatiónes eórum ad iustítiam et pacem, ut de terréna operositáte ad cæléstem pátriam pervéniant cum omni populo tuo. Per eúndem Dóminum nostrum Iesum Christum, Fílium tuum: Qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus: per ómnia sǽcula sæculórum. R. Amen.


EXULTE já de alegria a multidão dos Anjos no céu; celebrem-se com júbilo os divinos Mistérios, e o clamor da trombeta sagrada anuncie a vitória de tão grande Rei.

Alegre-se a terra banhada pelos raios tão brilhantes e pelos esplendores que o Rei eterno sobre ela derrama; alegre-se também e sinta que do mundo inteiro foram dissipadas as trevas.

Alegre-se igualmente a Igreja, nossa Mãe, adornada de tantos fulgores, e ressoem neste templo as vozes jubilosas do povo fiel.

Por isso, irmãos caríssimos, que aqui vos renuis à claridade desta luz tão santa, eu vos rogo que invoqueis comigo a misericórdia do Deus onipotente, para que eu, ainda, que sem mérito algum, por Ele admitido no número dos Levitas, receba um raio de sua luz, e possa, por sua graça, cantar dignamente os louvores deste Círio.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Filho, que sendo Deus, com Ele vive e reina em união com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

V. O Senhor seja convosco.

R. E com o vosso espírito.

V. Elevai os corações.

R. Assim os temos para o Senhor.

V. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.

R. É digno e justo.

VERDADEIRAMENTE é digno e justo louvar com todo o afeto do coração e do espírito, por nossa voz, o Deus invisível, o Pai onipotente e seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, que pagou por nós ao Pai eterno a dívida de Adão e extinguiu com o seu Sangue precioso a obrigação da antiga culpa. Porque estas são as festividades da Páscoa em que é imolado o verdadeiro Cordeiro, cujo Sangue consagra as portas dos fiéis.

Esta é a noite, em que tirastes outrora do Egito os nossos pais, os filhos de Israel, e os fizestes passar o Mar Vermelho a pé enxuto. Sim, esta é a noite que dissipou as trevas do pecado com o fulgor de uma coluna de fogo. Esta é a noite que, em todo o mundo, arrebata aos vícios do século e às trevas do pecado, os que em Cristo crêem, restituindo-os à graça e à sociedade dos Santos.

Esta é a noite em que o Cristo, quebrando os grilhões da morte, saiu vitorioso do sepulcro. Pois de nada nos aproveitaria haver nascido, se não houvéramos sido resgatados. Ó admirável efusão de vossa bondade para conosco! Ó inestimável excesso de vosso Amor! Para remir o escravo, entregastes o vosso Filho.

Ó pecado de Adão, certamente necessário, pois que com a morte do Cristo foi apagado! Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!

Ó noite verdadeiramente ditosa, que foste a única a conhecer o tempo e a hora em que o Cristo ressuscitou do sepulcro. É esta a noite da qual foi escrito: “E a noite será clara como o dia; e a noite será luminosa para me alumiar em minhas delícias.” A santidade dessa noite afugenta os crimes, lava as ofensas, restitui aos culpados a inocência e dá alegria aos tristes; extingue os ódios, restabelece a e submete os impérios a Deus.

Recebei, ó santo Pai, nesta noite sagrada, o sacrifício vespertino deste incenso, que a santa Igreja Vos oferece pelas mãos de seus ministros, com a oblação solene deste Círio, cuja matéria as abelhas forneceram. Já conhecemos, pois, a significação desta Coluna de cera; que, em honra de Deus, vai ser acesa pelo fogo rutilante.

Esta chama, embora dividida, não sofre diminuição alguma comunicando a sua luz porque se alimenta da cera que a mãe abelha produziu para composição deste precioso facho. Ó noite verdadeiramente feliz, que despojou os Egípcios e enriqueceu os Hebreus! Noite em que o céu se uniu à terra e as coisas divinas se uniram às humanas!

Nós Vos rogamos, portanto, Senhor, que este Círio consagrado em honra do vosso Nome, arda incessantemente para dissipar as trevas desta noite, e que a sua luz, evolando-se qual suave perfume, se misture com a dos luminares sidéreos. Aceso ainda o encontra a estrela da manhã, aquela estrela que desconhece ocaso, e que, surgindo de lugares sombrios, espargiu sobre o gênero humano a sua luz serena.

Nós Vos imploramos ainda, Senhor, que Vos digneis conceder a nós, vossos servos, a todo o clero e ao vosso devotíssimo povo, com o nosso santíssimo Padre, o Papa N., e o nosso Bispo N., uma paz completa nestas alegrias pascais, e que vos digneis com a vossa contínua proteção, nos reger, governar e conservar.

Olhai também para os que nos governam com seu poder e orientai, pelo inefável dom da vossa piedade e misericórdia, seus pensamentos para a justiça e a paz, a fim de alcançarem, depois das fadigas terrenas, com todo o vosso povo, a Pátria celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que, sendo Deus, convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.


SEGUNDA PARTE:

A REGENERAÇÃO PASCAL

São tiradas da Sagrada Escritura as Profecias que nos falam da criação e do governo do mundo, da força das águas e da regeneração interior. Estas leituras foram escolhidas para servir de instrução aos catecúmenos que iam receber os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. A nós lembram a graça batismal recebida e nos animam a conservá-la e a renová-la.

I LEITURA

(Gn 1,1-31;2,1-2)

Assim como no começo o Espírito Santo fecundou as águas do primeiro caos, de onde veio a primeira criação, também agora fecunda as águas batismais, das quais a nova criação surge, da qual Cristo, o segundo Adão, é o chefe, e nos faz, pela redenção, novos homens.


IN principio creavit Deus cælum et terram. Terra autem erat inanis et vacua, et tenebræ erant super faciem abyssi: et Spiritus Dei ferebatur super aquas. Dixitque Deus: Fiat lux. Et facta est lux. Et vidit Deus lucem quod esset bona: et divisit lucem a tenebris. Appellavitque lucem Diem, et tenebras Noctem: factumque est vespere et mane, dies unus. Dixit quoque Deus: Fiat firmamentum in medio aquarum: et dividat aquas ab aquis. Et fecit Deus firmamentum, divisitque aquas quæ erant sub firmamento, ab his quæ erant super firmentum. Et factum est ita. Vocavit Deus firmamentum Cælum: et factum est vespere et mane, dies secundus. Dixit vero Deus: Congregentur aquæ, quæ sub cælo sunt, in locum unum: et appareat arida. Et factum est ita. Et vocavit Deus aridam, Terram, congregationisque aquarum appellavit Maria. Et vidit Deus quod esset bonum. Et ait: Germinet terra herbam virentem, et facientem semen, et lignum pomiferum faciens fructum iuxta genus suum, cuius semen in semetipso sit super terram. Et factum est ita. Et protulit terra herbam virentem, et facientem semen iuxta genus suum, lignumque faciens fructum, et habens unumquodque sementem secundum speciem suam. Et vidit Deus quod esset bonum. Et factum est vespere et mane, dies tertius. Dixit autem Deus: Fiant luminaria in firmamento cæli, et dividant diem ac noctem, et sint in signa et tempora, et dies et annos: ut luminent terram. Et factum est ita. Fecitque Deus duo luminaria magna: luminaria maius, ut præesset diei, et luminarie minus, ut præesset nocti: et stellas. Et posuit eas in firmamento cæli, ut lucerent super terram, et præessent diei ac nocti, et dividerent lucem ac tenebras. Et vidit Deus quod esset bonum. Et factum est vespere et mane, dies quartus. Dixit etiam Deus: Producant aquæ reptile animæ viventis, et volatile super terram sub firmamento cæli. Creavitque Deus cete grandia, et omnem animam viventem atque motabilem, quam produxerant aquæ in species suas, et omne volatile secundum genus suum. Et vidit Deus quod esset bonum. Benedixitque eis, dicens: Crescite, et multiplicamini, et replete aquas maris: avesque multiplicentur super terram. Et factum est vespere et mane, dies quintus. Dixit quoque Deus: Producat terra animam viventem in genere suo: iumenta, et reptilia, et bestias terræ secundum species suas. Factumque est ita. Et fecit Deus quod esset bonum, et ait: Faciamus hominem ad imaginem et similitudinem nostram: et præsit piscibus maris, et volatilibus cæli, et bestiis, universæque terræ, omnique reptili quod movetur in terra. Et creavit Deus hominem ad imaginem suam: ad imaginem Dei creavit illum, masculum et feminam creavit eos. Benedixitque illis Deus, et ait: Crescite et multiplicamini, et replete terram, et subiicite eam, et dominamini piscibus maris, et volatilibus cæli, et universis animantibus, quæ moventur super terram. Dixitque Deus: Ecce dedi vobis omnem herbam afferentem semen super terram, et universa ligna quæ habent in semetipsis sementum generis sui, ut sint vobis in escam: et cunctis animantibus terræ, omnique volucri cæli, et universis, quæ moventur in terra, et in quibus est anima vivens, ut habeant ad vescendum. Et factum est ita. Viditque Deus cuncta quæ fecerat: et erant valde bona. Et factum est vespere et mane, dies sextus. Igitur perfecti sunt cæli et terra, et omnis ornatus eorum. Complevitque Deus die septimo opus suum quod fecerat: et requievit die septimo ab universo opere quod patrarat.


No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra era, porém, informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre as águas. E Deus disse: Faça-se a luz. E a luz foi feita. Viu Deus que a luz era boa, e separou a luz das trevas. À luz chamou Dia e às trevas, Noite: Da tarde e da manhã se fez o primeiro dia. Disse também Deus: Faça-se o firmamento no meio das águas, para separar umas das outras. E fez Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam acima do firmamento. E assim se fez. Ao firmamento chamou Deus, Céu; e da tarde e da manhã se fez o segundo dia. Disse Deus ainda: juntem-se em um lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento árido. E assim se fez. E Deus chamou ao elemento árido, Terra, e ao conjunto das águas deu o nome de Mar. E viu Deus que era bom tudo quanto havia feito. E disse: Produza a terra erva verde, que dê semente, e árvores frutíferas que dêem frutos conforme a sua espécie, e contenham dentro de si a sua semente, para se reproduzir sobre a terra. E assim se fez. A terra produziu erva verde, que dá semente segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto, contendo cada uma delas a sua semente própria, segundo a sua espécie. E viu Deus que isto era bom. E da tarde e da manhã se fez o terceiro dia. Disse então Deus: Façam-se os luminares no firmamento do céu para distinguir o dia da noite; sirvam eles de sinais: para marcarem os tempos, as estações, os dias e os anos, e brilhem no firmamento do céu e iluminem a terra. E assim se fez. Formou Deus dois grandes luminares, o maior para presidir ao dia e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas, colocando-as no firmamento do céu, vara que resplandecessem sobre a terra, presidissem ao dia e à noite, e separassem a luz das trevas. E viu Deus que isto era bom. E da manhã e da tarde se faz o quarto dia. Disse também Deus: Produzam as águas animais vivos que nadem nas águas, e aves que voem sobre a terra, debaixo do firmamento do céu. Criou então Deus os grandes peixes e todos os animais que vivem e se movem, produzidos pelas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo a sua espécie. E Deus viu que tudo isto era bom, e abençoou a tudo, dizendo: Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar; e multipliquem-se as aves sobre a terra. E da tarde e da manhã se fez o quinto dia. E Deus continuou: Produza a terra animais vivos, em cada gênero: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies. E assim se fez. E criou Deus os animais selvagens da terra, cada um segundo a sua espécie, e todos os animais domésticos e todos os répteis terrestres, segundo a sua espécie. E viu Deus que tudo isto era bom. E por fim disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; domine ele os peixes do mar, as aves do céu, os animais selvagens, e toda a terra e todo réptil que se move sobre a terra. E Deus criou o homem à sua imagem. Ele o criou à imagem de Deus; e criou-os, homem e mulher. Então Deus os abençoou e lhes disse: Crescei e multiplicai-vos: enches a terra, sujeitai-a e dominai os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem sobre a terra. E Deus acrescentou: Eis que vos dei todas as ervas que produzem sementes sobre a terra e todas as árvores que dão sementes de sua espécie para que vos sirvam de alimento e a todos os animais da terra e a todas as aves do céu e a todos os animais vivos que se movem sobre a terra, e tenham sopro de vida, a fim de que se possam alimentar.E assim se fez. E Deus viu todas as coisas que tinha feito; e viu que todas eram boas. E da tarde e da manhã se fez o sexto dia. Ficaram pois acabados os céus e a terra, e todos os seus ornatos. E completou Deus no sétimo dia as obras que havia feito; e descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que havia concluído.


ORAÇÃO

Oremus. Flectamus genua.

Levate.

DEUS, qui mirabiliter creasti hominem, et mirabilius redemisti: da nobis, quǽsumus, contra oblectamenta peccati, mentis ratione persistere; ut mereamur ad æterna gaudia pervenire. Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. R. Amen.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó DEUS, que de modo admirável criastes o homem e ainda mais admiravelmente o resgatastes, concedei, nós Vos suplicamos, a graça de resistirmos aos atrativos do pecado na força do espírito, a fim de merecermos alcançar as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. R. Amém.


II LEITURA

(Ex 14,24-31;15,1)

O povo de Israel, libertado da escravidão do Egito e levado por Moisés à terra da promessa, atravessa o Mar Vermelho, que o sopro de Deus abre diante de seus passos. Deste modo, a Igreja, o novo Israel, libertado da escravidão do pecado, avança para a terra eterna dos santos, através das águas batismais fertilizadas pelo sopro do Espírito divino e sob a conduta de Cristo, o novo Moisés.


IN diebus illis: Factum est in vigilia matutina, et ecce respiciens Dominus super castra Aegyptiorum per columnam ignis et nubis, interfecit exercitum eorum: et subvertit rotas curruum, ferebanturque in profundum. Dixerunt ergo Aegyptii: Fugiamus Israëlem: Dominus enim pugnat pro eis contra nos. Et ait Dominus ad Moysen: Extende manum tuam super mare, ut revertantur aquæ ad Aegyptios super currus et equites eorum. Cumque extendisset Moyses manum contra mare, reversum est primo diluculo ad priorem locum: fugientibusque Aegyptiis occurrerunt aquæ, et involvit eos Dominus in mediis fluctibus. Reversæque sunt aquæ, et operuerunt currus et equites cuncti exercitus Pharaonis, qui sequentes ingressi fuerant mare: nec unus quidem superfuit ex eis. Filii autem Israël perrexerunt per medium sicci maris, et aquæ eis erant quasi pro muro a dextris et a sinistris: liberavitque Dominus in die illa Israël de manu Aegyptiorum. Et viderunt Aegyptios mortuos super littus maris, et manum magnam. quam exercuerat Dominus contra eos: timuitque populus Dominum, et crediderunt Domino, et Moysi servo eius. Tunc cecinit Moyses, et filii Israël carmen hoc Domino, et dixerunt:


NAQUELES dias, no meio da madrugada, o Senhor, do alto da coluna de fogo e da de nuvens, olhou para o acampamento dos egípcios e semeou o pânico no meio deles. Embaraçou-lhes as rodas dos carros de tal sorte que, só dificilmente, conseguiam avançar. Disseram então os egípcios: “Fujamos diante de Israel, porque o Senhor combate por eles contra o Egito”. O Senhor disse a Moisés: “Estende tua mão sobre o mar, e as águas se voltarão sobre os egípcios, seus carros e seus cavaleiros”. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e este, ao romper da manhã, voltou ao seu nível habitual. Os egípcios que fugiam foram de encontro a ele, e o Senhor derribou os egípcios no meio do mar. As águas voltaram e cobriram os carros, os cavaleiros e todo o exército do faraó que havia descido no mar ao encalço dos israelitas. Não ficou um sequer. Mas os israelitas tinham andado a pé enxuto no leito do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda. Foi assim que naquele dia o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios. E Israel viu os cadáveres dos egípcios na praia do mar. Viu Israel o grande poder que o Senhor tinha exercido contra os egípcios. Por isso, o povo temeu o Senhor e confiou nele e em seu servo Moisés. Então Moisés e os israelitas entoaram em honra do Senhor o seguinte cântico:


CÂNTICO

(Ex 15,1-3)

CANTEMUS Domino: gloriose enim honorificatus est: equum et ascensorum proiecit in mare: adiutor, et protector factus est mihi in salutem. V. Hic Deus meus, et honorificabo eum: Deus patris mei, et exaltabo eum.

V. Dominus conterens bella: Dominus nomen est illi.


CANTEMOS ao Senhor, porque ele manifestou sua glória. Precipitou no mar cavalos e cavaleiros. O Senhor é a minha força e o objeto do meu cântico, foi ele quem me salvou.

V. Ele é o meu Deus, eu o celebrarei: o Deus de meu pai, eu o exaltarei.

V. O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Senhor.


ORAÇÃO

Oremus.

V. Flectamus genua.

R. Levate.

DEUS, cuius antiqua miracula etiam nostris sæculis coruscare sentimus: dum quod uni populo, a persecutione Aegyptiaca liberando, dexteræ tuæ potentia contulisti, id in salutem gentium per aquam regenerationis operaris: præsta; ut in Abrahæ filios, et in Israëliticam dignitatem, totius mundi transeat plenitudo. Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. R. Amen.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó DEUS, cujas antigas maravilhas também parecem brilhar em nossos dias, pois, assim como salvastes um único povo com o poder de vossa mão direita da perseguição dos egípcios, continuais salvando os povos pelas águas do batismo: Concedei que o mundo inteiro passe à filiação de Abraão e à dignidade israelita. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. R. Amém.


III LEITURA

(Is 4,2-6)

A Igreja, o lugar da presença divina, é a vinha escolhida do Senhor, na qual crescem estas “relíquias” sagradas, isto é, a assembléia dos batizados, lavados na água que regenera e inscreve para a vida eterna na nova Jerusalém.


IN die illa erit germen Domini in magnificentia, et gloria, et fructus terræ sublimis, et exultatio his, qui salvati fuerint de Israël. Et erit: Omnis qui relictus fuerit in Sion, et residuus in Ierusalem, sanctus vocabitur, omnis qui scriptus est in vita in Ierusalem. Si abluerit Dominus sordes filiarum Sion, et sanguinem Ierusalem laverit de medio eius, in spiritu iudicii, et spiritu ardoris. Et creabit Dominus super omnem locum montis Sion, et ubi invocatus est, nubem per diem, et fumum, et splendorem ignis flammantis in nocte: super omnem enim gloriam protectio. Et tabernaculum erit in umbraculum diei ab æstu, et in securitatem, et absconsionem a turbine, et a pluvia.


NAQUELE tempo, o Senhor fará crescer em magnificência e a glória, e o fruto da terra será o orgulho e o ornato daqueles de Israel que foram salvos. O que restar de Sião, os sobreviventes de Jerusalém, serão chamados santos, e todos os que estiverem contados entre os vivos em Jerusalém. Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e apagado de Jerusalém as manchas de sangue pelo sopro do direito e pelo vento devastador, o Senhor virá estabelecer-se sobre todo o monte Sião e em suas assembleias: de dia como uma nuvem de fumaça, e de noite como um fogo flamejante. Porque sobre todos se estenderá a glória do Senhor, como a cobertura de uma tenda, uma sombra contra o calor do dia, refúgio e abrigo contra a procela e a chuva.


CÂNTICO

(Is 5, 1,2)

VINEA facta est dilecto in cornu, in loco uberi.

V. Et maceriam circumdedit, et circumfodit: et plantavit vineam Sorec: et ædificavit turrim in medio eius.

V. Et torcular fodit in ea: vinea enim Domini Sabaoth, domus Israël est.


MEU amado possuía uma vinha em um outeiro fértil.

V. Ele a cavou e tirou dela as pedras; plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio.

V. Nela construiu também um lagar. Esta vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel.


ORAÇÃO

Oremus. V. Flectamus genua.

R. Levate.

Deus, qui in omnibus Ecclesiæ tuæ filiis sanctorum prophetarum voce manifestasti, in omni loco dominationis tuæ, satorem te bonorum seminum, et electorum palmitum esse cultorem: tribue populis tuis, qui et vinearum apud te nomine censentur, et segetum; ut, spinarum et tribulorum squalore resecato, digna efficiantur fruge fecundi. Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. R. Amen.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó DEUS, que pela boca dos vossos santos profetas vos manifestastes a todos os filhos da vossa Igreja como sendo o semeador da boa semente em todos lugares do vosso domínio, e o cultivador dos ramos escolhidos; ao vosso povo, a quem destes o nome de vinha e de messe, concedei que, afastando o joio e os espinhos, seja capaz de copiosos e dignos frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. R. Amém.


IV LEITURA

(Dt 31,22-30)

Para o povo escolhido pela aliança divina, Moisés lembra os seus graves deveres, na véspera do trabalho, sob a conduta de Josué, na terra da promessa. Da mesma forma, a Igreja nos repete hoje, o novo povo de Deus, por meio da aliança batismal, no caminho, depois de Jesus, o novo Josué, em direção à Jerusalém celestial.


IN diebus illis: Scripsit ergo Moyses canticum et docuit filios Israël. Præcepitque Dominus Iosue filio Nun et ait: Confortare, et esto robustus: tu enim introduces filios Israël in terram, quam pollicitus sum, et ego ero tecum. Postquam ergo scripsit Moses verba legis huius in volumine, atque conplevit: præcepit Levitis, qui portabant arcam foederis Domini dicens: Tollite librum istum, et ponite eum in latere arcæ foederis Domini Dei vestri: ut sit ibi contra te in testimonium. Ego enim scio contentionem tuam, et cervicem tuam durissimam. Adhuc vivente me, et ingrediente vobiscum, semper contentiose egistis contra Dominum: quanto magis cum mortuus fuero? Congregate ad me omnes maiores natu per tribus vestras, atque doctores, et loquar audientibus eis sermones istos, et invocabo contra eos cælum et terram. Novi enim quod post mortem meam inique agetis, et declinabitis cito de via, quam præcepi vobis: et occurrent vobis mala in extremo tempore, quando feceritis malum in conspectu Domini, ut irritetis eum per opera manuum vestrarum. Locutus est ergo Moyses, audiente universo coetu Israël, verba carminis huius, et ad finem usque conplevit:


Naqueles dias, Moisés redigiu o cântico e o ensinou aos israelitas. O Senhor deu a Josué, filho de Nun, as seguintes ordens: “Mostra-te varonil e corajoso, porque tu introduzirás os israelitas na terra que lhes jurei dar; e estarei contigo”. Quando Moisés acabou de escrever todo o texto desta lei, deu aos levitas, que levavam a arca da aliança do Senhor, esta ordem: “Tomai este livro da lei e colocai-o ao lado da arca da aliança do Senhor, vosso Deus, para aí servir de testemunho contra ti, porque conheço teu espírito de revolta e sei que tens a cerviz dura. Se hoje, que ainda estou vivo no meio de vós, sois rebeldes ao Senhor, quanto mais o sereis depois de minha morte. Reuni junto de mim todos os anciãos de vossas tribos e vossos magistrados, para lhes dirigir estas palavras e tomarei o céu e a terra como testemunhas con­­tra eles. Pois sei que depois de mi­nha morte vos corrompereis certamente e vos desviareis do caminho que vos tracei; sei que virão males sobre vós no decorrer dos tempos, porque fareis o mal aos olhos do Senhor, irritando-o com o vosso proceder”. Então pronunciou Moisés até o fim este cântico, em presença da assembleia:


CÂNTICO

(Dt 32,1-4)

ATTENDE, cælum, et loquar: et audiat terra verba ex ore meo.

V. Exspectetur sicut pluvia eloquium meum: et descendant sicut ros verba mea, sicut imber super gramina.

V. Et sicut nix super fænum: quia nomen Domini invocabo.

V. Date magnitudinem Deo nostro: Deus, vera opera eius, et omnes viæ eius iudicia.

V. Deus fidelis, in quo non est iniquitas: iustus et sanctus Dominus.


ESTAI atentos, ó céus, eu vou falar. E a terra ouça as palavras de minha boca.

V. Derrame-se como chuva a minha doutrina, espalhe-se como orvalho a minha palavra, como aguaceiro sobre os campos verdejantes, como chuvarada sobre a relva.

V. Porque vou proclamar o nome do Senhor, dar glória ao nosso Deus!

V. Ele é o Rochedo, perfeita é a sua obra, justos, todos os seus caminhos.

V. É Deus de lealdade, não de iniquidade, ele é justo, ele é reto.


ORAÇÃO

Oremus. V. Flectamus genua.

R. Levate.

DEUS, celsitudo humilium et fortitudo rectorum, qui per sanctum Moysen puerum tuum, ita erudire populum tuum sacri carminis tui decantatione voluisti, ut illa legis iteratio fieret etiam nostra directio: excita in omnem iustificatarum gentium plenitudinem potentiam tuam, et da lætitiam, mitigando terrorem; ut, omnium peccatis tua remissione deletis, quod denuntiatum est in ultionem, transeat in salutem. Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. R. Amen.


Oremos.

Ajoelhemo-nos.

Levantemo-nos.

Ó DEUS, exaltação dos humildes e da força dos justos, vós que quisestes instruir o vosso povo por meio do vosso santo servo Moisés, com um poema sagrado, para que a repetição da vossa lei também servisse para a nossa instrução; excitai o vosso poder sobre todos os povos por vós resgatados; e dai-nos alegria, mitigando o terror; para que, com a vossa remissão, todos os pecados sejam apagados, e mudai a ameaça do castigo em promessa da vossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. R. Amém.


PRIMEIRA PARTE DAS LADAINHAS

Terminado isto, dois cantores, no meio do coro ajoelhado, cantam as Ladainhas dos Santos, mas sem duplicá-los, até a invocação Propitius esto, ajoelhando-se e respondendo a todos.

Kýrie eléison.

Senhor, tende piedade de nós.


Christe eléison.

Cristo, tende piedade de nós.


Christe eléison.

Senhor, tende piedade de nós.


Christe, audi nos.

Cristo, ouvi-nos.


Christe, exáudi nos

Cristo, atendei-nos.


Pater de cǽlis, Deus. R. Miserére nobis.

Pai Celestial, Deus. R. Tende piedade de nós.


Fili Redémptor mundi, Deus. R. Miserére nobis.

Filho, Redentor do mundo, Deus. R. Tende piedade de nós.


Spíritus Sancte, Deus. R. Miserére nobis.

Espírito Santo, Deus. R. Tende piedade de nós.


Sancta Trínitas, unus Deus. R. Miserére nobis.

Santíssima Trindade, um Deus. R. Tende piedade de nós.


Sancta María. R. Ora pro nobis.

Santa Maria. R. Rogai por nós.


Sancta Dei Génetrix. R. Ora pro nobis.

Santa Mãe de Deus. R. Rogai por nós.


Sancta Virgo vírginum. R. Ora pro nobis.

Santa Virgem das Virgens. R. Rogai por nós.


Sancte Míchaël. R. Ora pro nobis.

São Miguel. R. Rogai por nós.


Sancte Gábriel. R. Ora pro nobis.

São Gabriel. R. Rogai por nós.


Sancte Ráphaël. R. Ora pro nobis.

São Rafael. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Angeli et Archángeli. R. Oráte pro nobis.

Todos os Santos Anjos e Arcanjos. R. Rogai por nós.


Omnes sancti beatórum Spirítuum órdines. R. Oráte pro nobis.

Todas as ordens dos Epíritos bem-aventurados. R. Rogai por nós.


Sancte Ioánnes Baptísta. R. Ora pro nobis.

São João Batista. R. Rogai por nós.


Sancte Ioseph. R. Ora pro nobis.

São José. R. Rogai por nós.


Omnes sancte Patriárchæ et Prophétæ. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Patriarcas e Profetas. R. Rogai por nós.


Sancte Petre. R. Ora pro nobis.

São Pedro. R. Rogai por nós.


Sancte Paule. R. Ora pro nobis.

São Paulo. R. Rogai por nós.


Sancte Andréa. R. Ora pro nobis.

Santo André. R. Rogai por nós.


Sancte Ioánnes. R. Ora pro nobis.

São João. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Apóstoli et Evangelístæ. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Apóstolos e Evangelistas. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Discípuli Dómini. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Discípulos do Senhor. R. Rogai por nós.


Sancte Stéphane. R. Ora pro nobis.

Santo Estêvão. R. Rogai por nós.


Sancte Laurénti. R. Ora pro nobis.

São Lourenço. R. Rogai por nós.


Sancte Vincénti. R. Ora pro nobis.

São Vicente. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Mártyres. R. Oráte pro nobis.

Todos os Santos Mártires. R. Rogai por nós.


Sancte Silvéster. R. Ora pro nobis.

São Silvestre. R. Rogai por nós.


Sancte Gregóri. R. Ora pro nobis.

São Gregório. R. Rogai por nós.


Sancte Augustíne. R. Ora pro nobis.

Santo Agostinho. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Pontífices et Confessóres. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Pontífices e Confessores. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Doctóres. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Doutores. R. Rogai por nós.


Sancte Antóni. R. Ora pro nobis.

Santo Antônio. R. Rogai por nós.


Sancte Benedícte. R. Ora pro nobis.

São Bento. R. Rogai por nós.


Sancte Domínice. R. Ora pro nobis.

São Domingos. R. Rogai por nós.


Sancte Francísce. R. Ora pro nobis.

São Francisco. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Sacerdótes et Levítæ. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Sacerdotes e Diáconos. R. Rogai por nós.


Omnes sancti Mónachi et Eremítæ. R. Oráte pro nobis.

Todos os santos Monges e Eremitas. R. Rogai por nós.


Sancta María Magdaléna. R. Ora pro nobis.

Santa Maria Madalena. R. Rogai por nós.


Sancta Agnes. R. Ora pro nobis.

Santa Inês. R. Rogai por nós.


Sancta Cæcília. R. Ora pro nobis.

Santa Cecília. R. Rogai por nós.


Sancta Agatha. R. Ora pro nobis.

Santa Águeda. R. Rogai por nós.


Sancta Anastásia. R. Ora pro nobis.

Santa Anastasia. R. Rogai por nós.


Omnes sanctæ Vírgines et Víduæ. R. Oráte pro nobis.

Todas as santas Virgens e Viúvas. R. Rogai por nós.


Omnes Sancti et Sanctæ Dei. R. Intercédite pro nobis.

Todos os Santos e Santas de Deus. R. Rogai por nós.


BÊNÇÃO DA ÁGUA BATISMAL

Se a igreja tiver uma pia batismal, enquanto a primeira parte das ladainhas é cantada, um vaso digno, devidamente decorado, é preparado no meio do presbitério, diante do Círio Pascal, com a água que servirá para a administração do santo Batismo. Para abençoar a água, o celebrante fica de frente para o povo, tendo à sua direita o Círio pascal e à sua esquerda o ministro ou acólito com a cruz. O celebrante, com as mãos juntas, em tom ferial, diz:

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Orémus.

OMNÍPOTENS sempitérne Deus, adésto magnæ pietátis tuæ mystériis, adésto sacraméntis: et ad recreándos novos pópulos, quos tibi fons baptismátis párturit, spíritum adoptiónis emítte; ut, quod nostræ humilitátis geréndum est ministério, virtútis tuæ impleátur efféctu. Per Dóminum nostrum Iesum Christum, Fílium tuum: Qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus:


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos.

ONIPOTENTE e eterno Deus, atendei a esses mistérios de vossa grande piedade, atende a esses sacramentos e enviai o Espírito de adoção para gerar novamente novos povos que nascerão na pia batismal, para que tudo o que realizamos em nossos humildes ministérios seja aperfeiçoado por vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus:


Per ómnia sǽcula sæculórum.

R. Amen. V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spíritu tuo.

V. Sursum corda.

R. Habémus ad Dóminum.

V. Grátias agámus Dómino Deo nostro.

R. Dignum et iustum est.


Por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

V. Corações ao alto.

R. Já os temos no Senhor.

V. Rendamos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É digno e justo.


VERE dignum et iustum est, æquum et salutare, nos tibi semper et ubique gratias agere, Domine, sancte Pater, omnipotens æterne Deus: qui invisibili potentia, sacramentorum tuorum mirabiliter operaris effectum: et licet nos tantis mysteriis exsequendis simus indigni: tu tamen gratiæ tuæ dona non deserens, etiam ad nostras preces aures tuæ pietatis inclinas. Deus, cuius Spiritus super aquas inter ipsa munda primordia ferebatur: ut iam tunc virtutem sanctificationis, aquarum natura conciperet. Deus, qui nocentis mundi crimina per aquas abluens, regenerationis speciem in ipsa diluvii effusione signasti: ut, unius eiusdemque elementi mysterio, et finis esset vitiis, et origo virtutibus. Respice, Domine, in faciem Ecclesiæ tuæ, et multiplica in ea regenerationes tuas, qui gratiæ tuæ affluentis impetu lætificas civitatem tuam: fontemque baptismatis aperis toto orbe terrarum gentibus innovandis: ut, tuæ maiestatis imperio, sumat Unigeniti tui gratiam de Spiritu Sancto.


VERDADEIRAMENTE é digno e justo, necessário e salutar, que sempre e em todo lugar vos rendamos graças, ó Senhor, Pai Santo, onipotente e eterno Deus. Que com poder invisível, que operais admiravelmente nos efeitos de vossos sacramentos, e apesar de sermos indignos de administrar tão grandes mistérios, vós não nos recusastes os dons da vossa graça, antes vos inclinais favoravelmente às nossas súplicas. Ó Deus, cujo Espírito, no começo do mundo, pairava sobre as águas para comunicar a este elemento natural o poder de santificar. Ó Deus, que, lavando com a água os pecados do mundo corrompido, fizestes do dilúvio um símbolo da regeneração (batismal), tornando o mesmo elemento misteriosamente o fim dos vícios e a origem das virtudes. Olhai, Senhor, para a face da vossa Igreja, e multiplicai nela o número dos regenerados, vós que, com a torrente impetuosa de vossas graças, alegrais a vossa cidade e abris as fontes do Batismo em todo o mundo, para renovar os povos em todo o mundo; para que, pelo poder de vossa majestade, recebam de vosso Unigênito a graça do Espírito Santo.


O sacerdote estendendo a mão sobre a água, divide-a em forma de cruz, enxugando-a depois com uma toalha, dizendo:

Qui hanc aquam, regenerándis homínibus præparátam, iarcána sui núminis admixtióne fecúndet : ut, sanctificatióne concépta, ab immaculáto divíni fontis útero, in novam renáta creatúram, progénies cœléstis emérgat : Et quos aut sexus in córpore aut ætas discérnit in témpore, omnes in unam páriat grátia mater infántiam. Procul ergo hinc, iubénte te, Dómine, omnis spíritus immundus abscédat: procul tota nequítia diabólicæ fraudis absístat. Nihil hic loci hábeat contráriæ virtútis admíxtio : non insidiándo circúmvolet : non laténdo subrépat : non inficiéndo corrúmpat.


Que esse Espírito se digne fecunda, por uma misteriosa união de sua graça divina, esta água preparada para a regeneração dos homens; de modo que, tendo concebido a santificação desta fonte divina, uma criatura renovada, uma raça celeste nasça em seu seio imaculado: e que a graça materna dê à luz a mesma infância a todos os que se diferem, ora corporalmente pelo sexo, ora temporariamente por causa da idade. Ordenai, ó Senhor, que todo espírito imundo fuja daqui; e que toda a influência maligna do diabo desapareça. Nenhum poder do inimigo interfira neste lugar, nem circule por ele, nem se esgueira furtivamente, nem corrompa essas águas com seu veneno.


Tocando a água com a mão.

Sit hæc sancta et ínnocens creatúra líbera ab omni impugnatóris incúrsu, et totíus nequítiæ purgáta discéssu. Sit fons vivus, aqua regénerans, unda puríficans: ut omnes hoc lavácro salutífero diluéndi, operánte in eis Spíritu Sancto, perféctæ purgatiónis indulgéntiam consequántur.


Seja esta santa e inocente criatura a água, livre de todo ataque do inimigo, e purificada pela exclusão de toda malícia. Seja uma fonte viva, uma água regeneradora, onda purificante; de sorte que, todos os que hão de lavar-se neste banho salutar, consigam, pela operação do Espírito Santo, a graça de uma perfeita pureza.


Faz três cruzes sobre a fonte, dizendo:

Unde benedíco te, creatúra aquæ, per Deum + vivum, per Deum + verum, per Deum + sanctum: per Deum, qui te in princípio verbo separávit ab árida : cuius Spíritus super te ferebátur.


Por isto te abençoo, criatura da água, pelo Deus + vivo, pelo Deus + verdadero, pelo Deus + santo; por Deus, que no princípio, com sua palavra, te separou da terra, e cujo Espírito pairava sobre ti.


Hic manu aquam dividit et effundit eam versus quatuor mundi partes, dicens:

Aqui divide a àgua e pega um pouco dela e lança nas quatro direções do mundo, dizendo:

Qui te de paradisi fonte manáre fecit, et in quátuor flumínibus totam terram rigáre præcépit. Qui te in desérto amáram, suavitáte indita, fecit esse potábilem, et sitiénti pópulo de petra prodúxit. Be+nedíco te et per Iesum Christum, Fílium eius únicum, Dominum nostrum: qui te in Cana Galilǽæ signo admirábili sua poténtia convértit in vinum. Qui pédibus super te ambulávit: et a Ioánne in Iordáne in te baptizátus est. Qui te una cum sánguine de látere suo prodúxit: et discípulis suis iussit, ut credéntes baptizaréntur in te, dicens: Ite, docéte omnes gentes, baptizántes eos in nómine Patris, et Fílii, et Spíritus Sancti.


O qual te fez brotar da fonte do Paraíso, e, dividida em quatro rios, te mandou regar toda a terra. O qual, convertendo-te de amarga em doce, no deserto, te fez potável, e te tirou de uma rocha para seu povo sedento. Aben+çou-te, também, por Jesus Cristo, seu único Filho e Senhor Nosso, o qual, em Caná da Galiléia, por um prodígio admirável de seu poder, te converteu em vinho. O mesmo caminhou sobre ti a pé enxuto, e em ti foi batizado por João, no Jordão. Ele te fez sair de Seu lado, misturada com Sangue; e Ele também mandou a seus discípulos que em ti batizassem aos que cressem, dizendo: “Ide, ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.


O Celebrante, em tom de leitura, prossegue:

Hæc nobis præcépta servantibus, tu, Deus omnípotens, clemens adésto: tu benignus aspíra.

E vós, ó Deus onipotente, assiste-nos com vossa bondade, no cumprimento deste vosso preceito; pela vossa benignidade, inspirai-nos.


O Celebrante sopra em forma de Cruz sobre a água e prossegue:

Tu has simplices aquas tuo ore benedicito: ut præter naturálem emundatiónem, quam lavándis possunt adhibere corpóribus, sint etiam purificándis méntibus efficáces.


Com o sopro da vossa boca, abençoai estas simples águas, para que além do poder natural que tem para lavar os corpos, tenham também a eficácia para purificar as almas.


Aqui o Celebrante submerge um pouco o Círio Pascal, por três vezes, e em tom de prefácio, dizendo:

Descéndat in hanc plenitúdinem fontis virtus Spíritus Sancti.


Desça sobre toda esta fonte a virtude do Espírito Santo.


E depois sobra três vezes formando a letra grega Y (primeira letra da palavra alma) e prossegue:

Totamque huius aquæ substántiam regenerándi fecúndet efféctu.


E fecunde toda a água desta fonte, comunicando-lhe a virtude regeneradora.


Agora tira o Círio Pascal, e prossegue:

Hic ómnium peccatórum máculæ deleántur: hic natúra ad imáginem tuam cóndita, et ad honórem sui reformáta princípii, cunctis vetustátis squalóribus emundétur: ut omnis homo, sacraméntum hoc regeneratiónis ingréssus, in veræ innocéntiæ novam infántiam renascátur.


Sejam aqui apagadas as manchas de todos os pecados; e a natureza, criada a vossa imagem e restabelecida a sua primitiva dignidade, seja aqui purificada de todas as imundícies do homem velho; de sorte que, todo homem que venha a este Sacramento da regeneração, renasça para uma nova infância de verdadeira inocência.


O Celebrante prossegue lendo:

Per Dóminum nostrum Iesum Christum, Fílium tuum: Qui ventúrus est iudicáre vivos et mórtuos, et sǽculum per ignem.

R. Amen


Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que há de vir para julgar aos vivos e aos mortos, e destruir o mundo pelo fogo.

R. Amém.


Então, algum clérigo ou ministro, tira um pouco de água em um recipiente para a aspersão do povo após as promessas batismais, e aspergir as casas e lugares. Feito isso, o celebrante, que abençoa a fonte, infunde o óleo dos catecúmenos em forma de cruz dizendo:

Sanctificétur et fecundétur fons iste Oleo salútis renascéntibus ex eo, in vitam ætérnam. R. Amen.


Seja santificada + esta fonte se torne fecunda pelo óleo da salvação, para aqueles que renascem para a vida eterna. R. Amém.


Depois infunde o Crisma, como acima, dizendo:

Infúsio Chrísmatis Dómini nostri Iesu Christi, et Spíritus Sancti Parácliti, fiat in nómine sanctæ Trinitátis. R. Amen.


A infusão do Crisma de nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo Consolador, se faça em nome da Trindade Santa. R. Amém.


Depois, infundindo o Óleo dos Catecúmenos e o Santo Crisma ao mesmo tempo, em forma de Cruz, diz:

Commíxtio Chrísmatis sanctificatiónis, et Olei unctiónis, et Aquæ baptísmatis, páriter fiat in nómine Pa+tris, et Fí+lii, et Spíritus + Sancti. R. Amen.


Que a mistura do Crisma da santificação, e do Óleo da unção e a Água do batismo sejam também feitas igualmente em nome do P+ai, do Fi+lho e do Espírito + Santo. R. Amém.


Em seguida, mistura o mesmo Óleo com a água e espalha-o bem com a mão por toda a fonte.

Se há catecúmenos, são batizados da maneira usual, seguindo a Instrução II, 14.

Então a procissão é feita ao Batistério onde a Água Batismal é mantida, e enquanto canta-se o seguinte:


Canticum

(Ps. 41, 2-4)

SICUT cervus desíderat ad fontes aquárum: ita desíderat ánima mea ad te, Deus.

V. Sitívit ánima mea ad Deum vivum: quando véniam, et apparébo ante fáciem Dei?

V. Fuérunt mihi lácrimæ meæ panes die ac nocte, dum dícitur mihi per síngulos dies: Ubi est Deus tuus?


Como o cervo anseia pelas fontes de água; assim minha alma anseia por vós, meu Deus.

V. A minha alma tem sede do Deus vivo. Quando entrarei para ver a face de Deus?

V. Lágrimas eram o meu pão dia e noite, enquanto eles me diziam todo dia: Onde está o teu Deus?


Coloca a água benta na fonte, e, com as mãos juntas, o celebrante diz em tom ferial:

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spíritu tuo.

Orémus. Oratio.

Omnípotens sempitérne Deus, réspice propítius ad devotiónem pópuli renascéntis, qui, sicut cervus, aquárum tuárum éxpetit fontem: et concéde propítius; ut fídei ipsíus sitis, baptísmatis mystério, ánimam corpúsque sanctíficet. Per Dóminum.

R. Amen.


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos. Oração.

Onipotente e eterno Deus, olhai benigno para a devoção do povo que vai renascer, o qual deseja, como cervo, a fonte de vossas águas; e concedei-lhe por vossa bondade que a sede da mesma fé santifique sua alma e corpo pelo sacramento do batismo. Por Nosso Senhor.

R. Amém.


E incensa a fonte. Todos retornam em silêncio ao coro e começam a renovação das promessas do batismo.

RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS DO BATISMO


O celebrante, deixando os paramentos roxos, reveste-se com a estola e o pluvial branco; e depois de impor incenso, incensar o Círio, que está ao seu lado, de frente para o povo, ou no ambão ou no púlpito, diz:

HAC sacratíssima nocte, fratres caríssimi, sancta Mater Ecclésia, récolens Dómini nostri Iesu Christi mortem et sepultúram, eum redamándo vígilat; et, célebrans eiúsdem gloriósam resurrectiónem, lætabúnda gaudet.

Quóniam vero, ut docet Apóstolus, consepúlti sumus cum Christo per baptísmum in mortem, quómodo Christus resurréxit a mórtuis, ita et nos in novitáte vitæ opórtet ambuláre; sciéntes, véterem hóminem nostrum simul cum Christo crucifíxum esse, ut ultra non serviámus peccáto. Existimémus ergo nos mórtuos quidem esse peccáto, vivántes autem Deo in Christo Iesu Dómino nostro.

Quaprópter, fratres caríssimi, quadragesimáli exercitatióne absolúta, sancti baptísmatis promissiónes renovémus, quibus olim Sátanæ et opéribus eius, sicut et mundo, qui inimícus est Dei, abrenuntiávimus, et Deo in sancta Ecclesia cathólica fidóliter servíre promísimus.

Itaque:


CARÍSSIMOS irmãos: Recordando com amor a morte e a sepultura de Nosso Senhor Jesus Cristo, vigia esta noite, a Santa Madre Igreja; e cheia de alegria celebra a gloriosa Ressurreição do mesmo.

Pelo Batismo, porém, conforme ensina o Apóstolo, fomos com Cristo sepultados na morte; e assim como Cristo ressuscitou dos mortos, é preciso que andemos numa vida nova; sabendo que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para não mais servirmos ao pecado. Consideremo-nos, portanto, mortos para o pecado, vivos, porém, para Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por isso, irmãos caríssimos, terminados os exercícios da Quaresma, renovemos todos as santas promessas do Batismo, pelas quais outrora renunciamos a Satanás, às suas obras, e também ao mundo inimigo de Deus, prometendo fielmente servi-lO na Santa Igreja Católica.

Portanto:


Celebrans: Abrenuntiátis Sátanæ?

Omnes: Abrenuntiámus.

Celebrante: Renunciais a Satanás?

Todos: Renunciamos.


Celebrans: Et ómnibus opéribus eius?

Omnes: Abrenuntiámus.

Celebrante: E a todas as suas obras?

Todos: Renunciamos.


Celebrans : Et ómnibus pompis eius?

Omnes : Abrenuntiámus.

Celebrante: E a todas as suas pompas?

Todos: Renunciamos.


Celebrans: Créditis in Deum, Patrem omnipoténtem, Creatórem cæli et terræ?

Omnes: Crédimus.

Celebrante: Credes em Deus Pai todo poderoso, Criador do céu e da terra?

Todos: Cremos.


Celebrans: Créditis in Iesum Christum, Fílium eius únicum, Dóminum nostrum, natum, et passum?

Omnes: Crédimus.

Celebrante: Credes em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor, que nasceu e padeceu por nós?

Todos: Cremos.


Celebrans: Créditis et in Spíritum Sanctum, sanctam Ecclésiam cathólicam, sanctórum communiónem, remissiónem peccatórum, carnis resurrectiónem, et vitam æternam?

Omnes: Crédimus.

Celebrante: Credes também no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?

Todos: Cremos.


Celebrans: Nunc autem una simul Deum precémur, sicut Dóminus noster Iesus Christus oráre nos dócuit:

Omnes: Pater noster...


Celebrante: Então agora, todos juntos, invoquemos a Deus, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a rezar:

Todos: Pai Nosso...


Celebrans: Et Deus omnípotens, Pater Dómini nostri Iesu Christi, qui nos regenerávit ex aqua et Spíritu Sancto, quique nobis dedit remissiónem peccatórum, ipse nos custódiat grátia sua in eódem Christo Iesu Dómino nostro, in vitam ætérnam.

Omnes: Amen.


Celebrante: E que o Deus onipotente, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos regenerou pela água e pelo Espírito Santo, dando-nos a remissão dos pecados, guarde-nos ele próprio pela sua graça, em Nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.

Todos: Amém.


E asperge o povo com a água benta que foi retirada da fonte, como dito acima.

SEGUNDA PARTE DAS LADAINHAS


Após a renovação das promessas do batismo os cantores iniciam a segunda parte das litanias, desde a invocação de Propitius esto até o final, ajoelhando-se e todos respondendo.

O Celebrante e ministros chegando vâo à sacristia, colocam paramentos brancos para celebrar solenemente a Missa.

Enquanto isso, o Círio pascal é colocado de volta em seu candelabro, ao lado do Evangelho, e o altar é preparado para a Missa Solene, com velas e flores acesas.


Propítius esto, parce nobis, Dómine.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.


Propítius esto, exáudi nos, Dómine.

Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


Ab omni malo, libera nos, Dómine.

De todo o mal, livrai-nos, Senhor.


Ab omni peccáto, líbera.

De todo pecado, livrai-nos, Senhor.


A morte perpétua, líbera.

Da morte eterna, livrai-nos, Senhor.


Per mystérium sanctæ incarnatiónis tuæ, líbera.

Pelo mistério da vossa santa encarnação, livrai-nos, Senhor.


Per advéntum tuum, líbera.

Pela vossa vinda, livrai-nos, Senhor.


Per nativitátem tuam, líbera.

Pelo vosso nascimento, livrai-nos, Senhor.


Per baptísmum et sanctum ieiúnium tuum, líbera.

Pelo vosso batismo e santo jejum, livrai-nos, Senhor.


Per crucem et passiónem tuam, líbera.

Pela vossa cruz e paixão, livrai-nos, Senhor.


Per mortem et sepultúram tuam, líbera.

Pela vossa morte e sepultura, livrai-nos, Senhor.


Per sanctam resurrectiónem tuam, líbera.

Pela vossa santa ressurreição, livrai-nos, Senhor.


Per admirábilem ascensiónem tuam, líbera.

Pela vossa admirável ascensão, livrai-nos, Senhor.


Per advéntum Spíritus Sancti Parácliti, líbera.

Pela vinda do Espírito Santo Paráclito, livrai-nos, Senhor.


In die iudícii, líbera nos, Dómine.

No dia do juízo, livrai-nos, Senhor.


Peccatóres, te rogámus, audi nos.

Ainda que pecadores, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut nobis parcas, te rogámus, audi nos.

Para que nos perdoeis, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut Ecclésiam tuam sanctam régere et conserváre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis regir e conservar a vossa santa Igreja, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut domnum apostólicum et omnes ecclesiásticos órdines in sancta religióne conserváre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis conservar na santa religião o Papa e todas as ordens da Igreja, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut inimícos sanctæ Ecclésiæ humiliáre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis humilhar os inimigos da Santa Igreja, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut regibus et princípibus christiánis pacem et veram concórdiam donáre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis dar aos reis e príncipes cristãos a paz e a verdadeira concórdia, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut nosmetípsos in tuo sancto servítio confortáre et conserváre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que a nós mesmos vos digneis confortar-nos e conservar-nos em vosso santo serviço, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut ómnibus benefactóribus nostris sempitérna bona retríbuas, te rogámus, audi nos.

Para que vos retribuir com os bens eternos a todos nossos benfeitores, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut fructus terræ dare et conserváre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis dar e conservar os frutos da terra, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut ómnibus fidélibus defúnctis réquiem ætérnam donáre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis dar o descanso eterno a todos os fiéis defuntos, vos rogamos, ouvi-nos.


Ut nos exaudíre dignéris, te rogámus, audi nos.

Para que vos digneis escutar-nos, vos rogamos, ouvi-nos.


Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis, Dómine.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.


Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos, Dómine.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, escutai-nos, Senhor.


Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserére nobis.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.


Christe, audi nos.

Cristo, ouvi-nos.


Christe, exáudi nos.

Cristo, escutai-nos.

TERCEIRA PARTE:

O SACRIFÍCIO PASCAL

Depois de nos ter feito reviver a graça do nosso batismo, a Igreja convida-nos a oferecer com ela o santo sacrifício da Missa. É a ação de graças dos resgatados. No mistério da celebração eucarística, oferece a Deus o Sacrifício do Calvário, pelo qual o Cordeiro Pascal, morto para a salvação do mundo, adquiriu a redenção para nós.

Os cantores começam o Kýrie, eléison, como de costume na Missa. Os ministros chegam ao altar, fazem reverência, omitido tudo o mais, o Celebrante começa pelo ósculo no altar. Terminado o Kyrie, o celebrante entoa a Glória, e os sinos são tocados e as imagens são descobertas.

ORAÇÃO

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spíritu tuo.

Orémus.

DEUS, qui hanc sacratíssimam noctem glória Domínicæ Resurrectiónis illústras: consérva in nova famíliæ tuæ progénie adoptiónis spíritum, quem dedísti; ut, córpore et mente renováti, puram tibi exhíbeant servitútem. Per eúndem Dóminum nostrum.


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos.

Ó DEUS, que iluminais esta sacratíssima noite com a graça da ressurreição do Senhor, conservai nos novos filhos de vossa família o espírito de adoção que lhes destes, para que, renovados no corpo e na alma, vos prestem um santo serviço. Pelo mesmo Senhor Nosso.

E diz-se somente esta oração.

EPÍSTOLA

(Cl 3,1-4)

Epístola curta, mais cheia de significado. A nova vida é afirmada e ardentemente exortada à fidelidade cristã. Vivamos como ressuscitados com a radiante esperança da glória do céu.


Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Colossénses.

FRATRES: Si consurrexístis cum Christo, quæ sursum sunt quǽrite, ubi Christus est in déxtera Dei sedens: quæ sursum sunt sápite, non quæ super terram. Mórtui enim estis, et vita vestra est abscóndita cum Christo in Deo. Cum Christus appáruerit, vita vestra: tunc et vos apparébitis cum ipso in glória.


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses.

IRMÃOS: Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.

Terminda a Epístola, o celebrante diz, três vezes e aumentando cada vez mais o tom:

Allelúia.

Alelúia.


Os cantores continuam:

PS. 117, 1

Confitémini Dómino, quóniam bonus: quóniam in sǽculum misericordia eius.


Louvai o Senhor, porque é bom; porque eterna é sua misericórdia.

TRACTO

(Sl 116,1-2)

LAUDÁTE Dóminum, omnes gentes: et collaudáte eum, omnes pópuli.

V. Quóniam confirmáta est super nos misericórdia eius: et véritas Dómini manet in ætérnum.


LOUVAI ao Senhor todas as nações; louvai-o todos os povos.

V. Porque ele nos confirmou sua misericórdia sobre nós, e a verdade do Senhor permanece para sempre.

EVANGELHO

(Mt 28,1-7)

No alvorecer da Páscoa, diante do sepulcro vazio, um Anjo, deslumbrante com seu brilho luminoso, anuncia às santas mulheres que o Senhor ressuscitou.

No Evangelho não se usam velas, mas apenas o incenso.


Sequéntia sancti Evangélii secúndum Matthǽum.

VÉSPERE autem sábbati, quæ lucéscit in prima sábbati, venit María Magdaléne et áltera María vidére sepúlcrum. Et ecce, terræmótus factus est magnus. Angelus enim Dómini descéndit de cælo: et accédens revólvit lápidem, et sedébat super eum: erat autem aspéctus eius sicut fulgur: et vestiméntum eius sicut nix. Præ timóre autem eius extérriti sunt custódes, et facti sunt velut mórtui. Respóndens autem Angelus, dixit muliéribus: Nolíte timére vos: scio enim, quod Iesum, qui crucifíxus est, quǽritis: non est hic: surréxit enim, sicut dixit. Veníte, et vidéte locum, ubi pósitus erat Dóminus. Et cito eúntes, dícite discípulis eius, quia surréxit: et ecce, præcédit vos in Galilǽam: ibi eum vidébitis. Ecce, prædíxi vobis.


Continuação do santo Evangelho segundo São Mateus.

DEPOIS do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse. Eis o que vos anuncio”.

Não se diz o Credo, terminado o Evangelho o sacerdote diz: Dóminus vobíscum, depois: Orémus. Não se diz a antífona do ofertório. No Lavábo não se diz Glória Patri.

SECRETA

SUSCIPE, quǽsumus, Dómine, preces pópuli tui, cum oblatiónibus hostiárum: ut paschálibus initiáta mystériis, ad æternitátis nobis medélam, te operánte, profíciant. Per Dóminum.


RECEBEI, vos pedimos, Senhor, as preces de vosso povo com a oblação da hóstia, para que iniciados nos mistérios pascais, nos aproveitem, com vossa operação para remédio de eternidade. Por Nosso Senhor.


Prefácio da Páscoa, Communicántes e Hanc ígitur próprios.

Diz-se o Pax Dómini sit semper vobíscum, mas omite-se o ósculo da paz.

Hoje não se diz o Agnus Dei. Omite-se a oração Domine Iesu Christe, e se segue como de costume as orações da Comunhão. Os fiéis não rezam o Confiteor.

LAUDES

Terminada a comunhão se cantam Laudes da Páscoa, como segue:

Ant. Allelúia, allelúia, allelúia.

Ant. Aleluia, aleluia, aleluia.


Salmo 150

LAUDÁTE Dóminum in sanctis eius: * laudáte eum in firmaménto virtútis eius.

LOUVAI o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento.


Laudáte eum in virtútibus eius: * laudáte eum secúndum multitúdinem magnitúdinis eius.

Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita.


Laudáte eum in sono tubæ: * laudáte eum in psaltério, et cíthara.

Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara.


Laudáte eum in tympano, et choro: * laudáte eum in cordis, et órgano.

Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta.


Laudáte eum in cymbalis benesonántibus: laudáte eum in cymbalis iubilatiónis: * omnis spíritus laudet Dóminum.

Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor!


Glória Patri, et Fílio, * et Spirítui Sancto.

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.


Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, * et in sǽcula sæculórum. Amen.

Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.


Ant. Allelúia, allelúia, allelúia.

Ant. Aleluia, aleluia, aleluia.


Omite-se o Capítulo, hino e versículo. Em seguida o celebrante entoa antífona do benedictus:

Mc 16,2

Ant. ET valde mane *

Ant. E muito de manhã,


e os cantores continuam:

Una sabbatórum, véniunt ad monuméntum, orto iam sole, allelúia.

Um dia depois do sábado, vem ao sepulcro, tendo já nascido o sol, aleluia.


Canta-se o Benedictus, durante o qual faz-se a incensação do altar.

BENEDÍCTUS Dóminus, Deus Israël : * quia visitávit, et fecit redemptiónem plebis suæ :

Et eréxit cornu salútis nobis : * in domo David, púeri sui.

Sicut locútus est per os sanctórum, * qui a sæculo sunt, prophetárum eius:

Salútem ex inimícis nostris, * et de manu ómnium, qui odérunt nos.

Ad faciéndam misericórdiam cum pátribus nostris: * et memorári testaménti sui sancti.

Iusiurándum, quod iurávit ad Abraham patrem nostrum, * datúrum se nobis:

Ut sine timóre, de manu inimicórum nostrórum liberáti, * serviámus illi.

In sanctitáte, et iustítia coram ipso, * ómnibus diébus nostris.

Et tu, puer, Prophéta Altíssimi vocáberis : * præíbis enim ante fáciem Dómini, paráre vias eius:

Ad dandam sciéntiam salútis plebi eius : * in remissiónem peccatórum eórum:

Per víscera misericórdiæ Dei nostri : * in quibus visitávit nos, óriens ex alto:

Illumináre his, qui in ténebris, et in umbra mortis sedent : * ad dirigéndos pedes nostros in viam pacis.

Glória Patri, et Fílio, * et Spirítui Sancto.

Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, * et in sæcula sæculórum. Amen.


BENDITO seja o Senhor Deus de Israel, que a seu povo visitou e libertou;

E fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor,

Como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos,

Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam.

Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança

E o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo,

A ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele,

Enquanto perdurarem nossos dias.

Serás profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor para aplainar e preparar os seus caminhos,

Anunciando ao seu povo a salvação, que está na remissão de seus pecados;

Pelo amor do coração de nosso Deus, Sol nascente que nos veio visitar lá do alto como luz resplandecente

A iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e para dirigir os nossos passos, guiando-nos no caminho da paz.

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.

Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.


Repete-se a antífona:

Ant. ET valde mane * una sabbatórum, véniunt ad monuméntum, orto iam sole, allelúia.

Ant. E muito de manhã, um dia depois do sábado, vem ao sepulcro, tendo já nascido o sol, aleluia.

PÓSCOMUNHÃO

V. Dóminus vobíscum.

R. Et cum spíritu tuo.

Orémus.

SPÍRITUM nobis, Dómine, tuæ caritátis infúnde: ut, quos sacraméntis paschálibus satiásti, tua fácias pietáte concórdes. Per Dóminum... in unitáte eiusdem.


V. O Senhor esteja convosco.

R. E com vosso espírito.

Oremos.

INFUNDI em nós, Senhor, o Espírito de vossa caridade, para que faças concordes em vossa piedade aos alimentados com os mistérios pascais. Por Nosso Senhor... na unidade do mesmo.


Depois o celebrante diz o Dominus vobiscum, e o diácono acrescenta:

Ite, Missa est, allelúia, allelúia.

R. Deo grátias, allelúia, allelúia.


Ide, a Missa terminou, aleluia, aleluia.

R. Demos graças a Deus, aleluia, aleluia.


Inclinado e apoiado sobre o altar, diz celebrante: Placeat tibi, Sancta Trinitas, e dá a bênção como de costume. Não se omite o último Evangelho.



#vigiliaoascal #tempopascal #missatridentina #proprodamissa

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